A vida é cheia de mudanças e eu tenho uma enorme facilidade de guinar e fazer coisas diferentes. Gosto do novo, gosto de mudar e de inventar moda. As coisas sempre iguais me incomodam.

Mudo tudo. Arrasto móveis, troco quadros, mudo de trabalho, invento uma profissão, escolho outro estilo, vario o corte de cabelo, paro o que estou fazendo. E, normalmente, sou radical na diversificação. Quando troco, troco pra valer, sem dó.

Sempre foi assim.

Até alguns anos atrás, no entanto, ficava muito incomodada com isso e me achava errada. Um peixe rosa em um aquário onde todos os peixes eram azuis. Ninguém mudava nada, só eu. Eu era a diferente.

Quando pequena, meu pai costumava dizer que eu começava as coisas e não terminava. Durante muitos anos acreditei que eu realmente fazia isso, o que me deixava imensamente chateada. Ele realmente tinha razão, mas…

Um dia, uma amiga me falou, com muito orgulho, sobre como ela própria gostava de jogar tudo pro alto a cada quatro anos. Mudar de vida, trocar de profissão, escolher outros interesses, que nem camaleoa. Conversando com ela, fui percebendo que não deixei nada pela metade em minha vida, fui até o fim de tudo o que comecei.

O fim de algo é aquele momento em que a coisa já não te serve mais, mesmo que o curso ainda não tenha acabado, que você ainda não tenha se aposentado, os quadros ainda não estejam amarelados, o sofá ainda dê pro gasto.

Mudar é legal, faz bem, mantém-nos alertas, afiados, fortes e flexíveis, exercita a nossa determinação e nos deixa jovens por mais tempo. Alimenta a felicidade.

Eu mudo. Você, não? Gosto de extrair ao máximo tudo o que uma atividade tem pra oferecer, chupar a laranja enquanto ela ainda tem um gostinho especial e, então, comer uma maçã.

Troque de fruta, mas não de raízes. Estas devem estar firmemente fincadas no solo. Não fique rolando que nem tatu-bola pra lá e pra cá, sem rumo. Tenha sempre um rumo – às vezes sul, às vezes norte, mas saiba pra onde está indo e transforme-se por ele todos os dias. Você vai colher doces frutos.

Algumas pessoas se movimenta em busca de novos horizontes, enquanto a maioria prefere ficar parada que nem poste, iluminando para sempre o mesmo lugar.

Tem gente que rema contra o rio e tem gente que flui com a correnteza. Eu sou um barquinho colorido na superfície das águas.

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