Meu Corpo, Minha História

A pessoa chega pra você, nunca te viu antes, acabou de te conhecer e já despeja suposições baseadas em sua aparência. Você tem X filhos? Ah, certeza que puxa ferro e faz muita academia! ou O que você fez pra ficar com o corpo assim, hein? ou ainda Nossa, Fulana, o tempo não passa pra você? e fica esperando a resposta. Mas, como é que se responde a essas perguntas?

O corpo e a cara, contam uma história, a sua história.

Quem você é, o que você pensa, o que você sente, o que você viveu, como lida com suas emoções, com seus relacionamentos, com seus problemas, com sua vida. Está tudo ali, minha gente. Ou não?

Ele traz as suas marcas. Tem cicatrizes – das cezáreas que sofreu pra dar à luz seu primogênito e sua caçulinha e das episiotomias de quando pariu seus outros dois filhos -, tem linhas de expressão ao redor dos olhos sugerindo todos os momentos felizes e tristes que viveu, alguns cabelos brancos, unhas não tão fortes, um colesterol que às vezes insiste em subir mesmo com sua alimentação vegetariana e as corridas que faz.

Seu corpo é seu e não é mais igual ao corpo que você tinha há 15 anos atrás. Ele mudou. A vida o fez mudar, se transformar. É um corpo maduro, mas que você gosta, pois aprendeu a gostar. Cuida dele com carinho, com atenção, mas sem neuras.

Não tem ganas de ser imortal e ter cara de jovem com corpo de menina eternamente. Essa corrida desvairada contra o envelhecimento e pela perfeição, em qualquer campo da vida e acima de tudo, é muito dolorosa. A perfeição não existe e o envelhecimento está muito mais dentro da cabeça do que no corpo. Se o corpo está velho é porque a cabeça ficou velha primeiro; se o corpo está largado é porque algo ficou largado na cabeça primeiro; se o corpo está doente, algo adoeceu dentro da cabeça antes disso. E quando se quer cuidar do corpo, há que se cuidar da cabeça e aceitar que a única coisa constante nessa vida é a mudança: dos segundos, das horas, dos dias, dos meses, das estações, da lua, dos anos, das marés. Tudo muda.

O corpo de hoje é a consequência do que vivemos, pensamos, sentimos e fizemos até aqui, e isso é lindo!

O corpo que teremos nesse mesmo dia do ano que vem vai mostrar tudo o que vivermos, pensarmos, sentirmos e fizermos até lá, de uma forma única, especial e diferente de qualquer outra pessoa na face da Terra. E assim será,  até o final dos tempos.

Olhar no espelho e apreciar o que vemos com carinho é compreender que somos únicos, que ninguém mais pode viver o que vivemos, que a história é nossa e somos nós mesmos que a escrevemos todos os dias.

E podemos escrevê-la sentados no sofá encontrando todas as desculpas possíveis pra não sair do lugar, ou enfrentando nossos medos, inseguranças e a famigerada preguiça pra redigir uma linha diferente a cada dia. O resultado, certamente, vai ser outro.

Todo mundo tem milhares de situações que serviriam de excelentes desculpas pra ficar sentada, enfiada dentro de casa, se lamentando, sem se mexer. Mas, as recheadas de sonhos, planos, desejos e disposição escolhem dar a cara pra bater, sair e ver o mundo, driblar seus limites e protagonizar sua história com propriedade. Nem sempre é fácil. Nem sempre conseguem.

Mas tudo bem, porque a vida é isso mesmo, um constante cair e levantar. E a queda de ontem nos faz mais fortes pra encarar os desafios de amanhã, com boa vontade e criatividade.

Há algum tempo atrás, por exemplo, tive muitas tentativas fracassadas de recriar o hábito de correr e não consegui. Então, arrumei um caderninho e, toda vez que saio para correr, trago comigo uma folha ou flor que apanho pelo chão pra colar em uma das páginas. O fato é que eu colo a flor, ou folha, só quando corro.

A sedução de ver o caderno repleto com a minha colheita passou a ser tentadora. É uma delícia folheá-lo e ver com meus próprios olhos o registro dos dias que driblei a preguiça e dei o primeiro passo. A corrida acabou virando uma diversão e meu comprometimento passou a se refletir no meu corpo que, por sua vez, continua contando a minha história.

Experimente fazer algo assim pra ajudar a concretizar seus objetivos. Pense em algo que te dê prazer. Pode ser tão simples quanto colecionar folhas de árvores a cada vez que conseguir cumprir com seu combinado. Em pouco tempo, você vai gostar tanto do que está construindo que não vai querer parar.

Mas, voltando à minha pergunta do início do texto, quero saber como é que você responde?

Um comentário sobre “Meu Corpo, Minha História

  1. É isso, Fer! Adorei sua resposta. Não dá pra ser saudável e bela, por dentro ou por fora, ficando sentada com um balde de pipocas na frente da TV. Eu também gosto muito de ver os resultados do meu cuidado e dedicação.

    Curtir

Deixe uma resposta para Tina Zani Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s