Foto de Sabrina Zani
Foto de Sabrina Zani

 

Essa semana acabam as férias escolares aqui em casa.

Na quinta todo mundo recomeça as aulas e, pela primeira vez em 14 anos, vou ter todos (isto é, os dois que ainda moram aqui em casa) estudando no mesmo horário, de manhã. Vai ser uma bela novidade.

Embora eu tenha sonhado com isso há bastante tempo, com certeza vamos levar alguns dias para nos adaptar e acostumar com a nova rotina.

Minha filha, que sempre estudou a tarde, vai ter que aprender a cair da cama às 6h da manhã e estar pronta até as 7h.

Eu adoro a ideia de acordar cedo. Adoro o ar e o silêncio da manhã bem cedinho. Adoro a sensação de aproveitar o dia que tenho quando me levanto junto com o sol. Tenho a impressão que tudo rende mais. Me sinto mais feliz e bem disposta. O dia fica longo e parece até que é infinito. Gostaria de acordar todos os dias 5 min antes do sol nascer. Fico super empolgada com todas as inúmeras possibilidades de se ter um dia compriiiiido.

Mas preciso te contar um segredo… Ai, ai, ai… Que difícil que é reacostumar a acordar cedo.

Hoje, por exemplo. Liguei meu alarme para as 6h15, assim teria tempo de me levantar sem pressa, tomar meu café da manhã tranquila, sair para correr, tomar banho e ficar pronta antes do meu compromisso às 10h. Não levantei.

O alarme tocou de novo às 6h30. Também não levantei.

Acabei saindo da cama às 8h15 e, lógico, não fui correr.

Chegamos de viagem no sábado, vindos de uma semana inteira de preguiça, preguiça, preguiça, praia, sombra e água fresca. Levantava depois das 8h todos os dias. Alguns dias mais, outros menos, mas todos depois das 8h. E achei que fosse conseguir ‘pegar no tranco’ logo que chegasse em casa.

Não consegui, não rolou. Mas, lá no fundo, já imaginava que não ia dar certo assim, de supetão. Esqueci de uma coisa muito importante.

Porque, apesar de amar a ideia de madrugar e todas as possibilidades de ter um dia mais longo e de me sentir bem melhor, não quero abrir mão de ficar mais um pouco na cama enquanto ainda posso. Então, acordar cedo fica parecendo um sacrifício, quando poderia ser uma delícia.

Preciso de muita força de vontade para realizar um sacrifício. E um sacrifício será sempre um sacrifício, nunca uma delícia.

Por isso prefiro as mudanças que acontecem lentamente, gradualmente, quase sem perceber, bem devagarinho. Devagar eu vou longe. E, quando me dou conta, já cheguei aonde queria e fui mais além.

Quando começo pequeno, com um passo de cada vez, não me sobrecarrego, não exijo demais de mim mesma e, normalmente, consigo cumprir o que me propus. Isso me dá uma deliciosa sensação de alegria e vontade de continuar, de me superar.

Indo assim, de pouquinho em pouquinho, nada parece difícil, mesmo que eu esteja caminhando para fora da minha zona de conforto – mas só um tico de cada vez. Com o tempo, o que era para ser uma grande transformação, acaba se incorporando ao meu dia-a-dia com pequenos passos em uma escada bem suave.

As mudanças que faço lenta e gradualmente vêm para ficar e passam a fazer parte da minha vida muito mais do que os grandes passos que quero dar de repente. Esses são fogo de palha. Queimam rápido e se apagam, porque parecem grandes demais e assustam, demandando um sacrifício enorme.

Um bom exemplo é o que aconteceu comigo hoje.

Se, ao invés de já, de cara, querer me levantar as 6h15 para correr e dar conta de todo o resto, eu tivesse me proposto a sair da cama 20 ou 30 minutos mais cedo do que ontem, certamente não teria sido tão difícil e eu teria conseguido. E, se seguisse assim, me levantando todos os dias 20 a 30 min mais cedo que o dia anterior, em 4 a 6 dias já conseguiria chegar no horário das 6h15, quase sem esforço.

Gosto de usar essa técnica para quase tudo na minha vida. Para correr, para criar novos hábitos, para formar novas rotinas, para guardar dinheiro, para incluir novos exercícios… Tudo o que faço assim tem um enorme potencial para dar certo. E sempre que dá certo, me sinto feliz e quero mais. Isso me mantém caminhando sempre para frente.

Mas… às vezes me esqueço e faço como hoje. Está tudo bem também.

As falhas fazem parte de qualquer processo de crescimento e aperfeiçoamento. É com elas que aprendo a lição mais importante: continuar. Adaptar e continuar. Mudar aqui, mudar ali e continuar. Rever o plano e continuar. Redirecionar e continuar. Continuar sempre.

Mudando e melhorando só um pouquinho de cada vez, sem parar, ao final de alguns meses terei colecionado algumas maravilhas.

Como você faz pequenas e grandes mudanças em sua vida? Já experimentou começar aos pouquinhos, como eu?

 

 

 

 

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