Tô Me Guardando Pra Quando o Carnaval Chegar *

Foto de Mauricio Zani
Foto de Mauricio Zani

 

Quando eu era pequena eu queria ser professora.

Não que eu o quisesse conscientemente, assim, achando que eu seria feliz, me realizaria pessoal e profissionalmente e ainda ganharia rios de dinheiro.

Eu queria ser professora porque adorava brincar de escolinha. E só. Usar giz, escrever na lousa, ter um monte de livros e ensinar meus alunos – que eram meus irmãos mais novos.

O tempo passou e ao chegar à idade do vestibular tudo havia mudado. Já não queria mais ser professora. Na verdade, não queria mais ser professora de jeito nenhum.

Queria ser artista. Dançar, tocar música, fazer teatro, desenhar, escrever poesias, pintar, mexer com barro que nem a Demi Moore no papel da menina do filme Ghost. Até cortei o meu cabelo para ficar parecida com ela. Achava a Arte sinônimo de felicidade, de liberdade, de autenticidade. Tudo o que eu fazia nessa área tocava minha alma.

Então, prestei o vestibular para Dança na Unicamp. Mas, como não queria desapontar os outros (afinal, vou viver de que se me formar em Dança?!), prestei também Biologia na Pucc. Passei e cursei ambas, até que logo desisti da Biologia, que não tinha nada a ver comigo.

Dois anos depois, cheguei à conclusão de que deveria me ‘encaixar’ e desisti da Dança para prestar Engenharia de Alimentos (!). Mas, no mesmo ano, também tentei Publicidade e Propaganda – um pouquinho mais próximo de quem eu sou. Entrei e cursei ambas de novo, até que acabei desistindo da Publicidade. Não porque não tivesse nada a ver comigo, mas porque me identifiquei muito com o estilo da Unicamp.

Insisti mais dois anos tentando passar nas matérias da Engenharia: fiz Cálculo I duas vezes para só ser aprovada na terceira tentativa; passei em Física I de primeira, mas tive que fazer Física II duas vezes e só passei porque o professor ficou com dó; Geometria Analítica foi meu diploma de incompetência… Fiz quatro vezes e não passei; só era boa em Química – passei com notas excelentes e até deixei a galera copiar meus relatórios.

E, como o bom filho à casa torna, dois anos depois abandonei a Engenharia, que não ressoava em meu coração, e, enfim, me deliciei no curso no qual me formei, Artes Visuais na Unicamp (que, na época, chamava-se Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas).

Porém, não pense que curti loucamente meus anos de faculdade… Na verdade, tudo o que não fiz foi curtir loucamente, tendo parido um filho no primeiro ano e outro no segundo. Fazia o básico do básico. Não fui às festas e não estudei como gostaria, mas meti as caras e cheguei até o fim com coragem, muita superação, algumas trapalhadas e um pouco de empenho. Me graduei. E tenho muito orgulho de toda essa trajetória cheia de voltas que fiz até me assumir do jeito que sou. Das Artes.

Mas tenho que confessar minha até hoje incultura em uma matéria que eu adorava: História da Arte. Meu professor foi ninguém mais, ninguém menos que o José Roberto Teixeira Leite. E eu sou quase uma ignorante nessa área, na qual eu deveria ser, no mínimo, habilidosa. Não, pior que isso, uma área que me interessa muito e na qual eu gostaria de ser mega blaster competente, praticamente uma perita.

Imagino que algumas pessoas, como eu, às vezes se dão conta de algo que deveriam ou gostariam muito de conhecer melhor. Talvez seja algo que deveria ter sido aprendido lá atrás, como no meu caso, e que faria a diferença no trabalho ou no entendimento do mundo. Mas também pode ser uma coisa bem corriqueira, tipo como fazer uma omelete saborosa ou como anexar arquivos em um email.

De qualquer maneira, ficar aqui apenas me lamentando que não entendo nada de História da Arte não vai fazer de mim a expert que eu gostaria de ser. Mas reconhecer minha fraqueza e partir para a ação, dando o primeiro passo, isso sim vai me trazer resultados.

Minha sugestão é que você também pare um pouco para pensar. Quais assuntos você gostaria de conhecer melhor ou, mesmo, dominar com excelência? O que você gostaria de saber na ponta da língua e ainda não sabe? Depois, tome coragem e vá se dedicar a se aperfeiçoar.

Às vezes, é difícil de admitir até para nós mesmos. Mas estou curiosa para conhecer suas incompetências também… Me conta?

 

* Quando o Carnaval Chegar – Chico Buarque

 

 

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