Foto de Sabrina Zani
Foto de Sabrina Zani

 

Eu tinha uma amiga muito querida. A.

Nós nos conhecemos por acaso…

Meus filhos estudavam na escola onde ela dava aulas.

Ela estava grávida do seu caçula e eu estava grávida da minha caçula.

Acontece que o bebê que ela esperava ía nascer antes do meu e ela precisava de alguém para substituí-la nas aulas.

Coincidentemente, na época eu também estava dando aula.

Então, a diretora da escola fez um bem bolado e me convidou para substitui-la por alguns meses, enquanto meu bebê não nascia.

E nós acabamos ficando amigas.

Eu adorava a A.

Ela era mineira, querida, interessante, leve, diferente. Ela era mais velha que eu.

Era tão bom estar em sua companhia.

Eu ía na casa dela, ela vinha na minha; a gente ía andar na Lagoa toda terça e quinta às 17h; a gente tomava uma cervejinha no antigo Zin Bar, do extinto Shopping Jaraguá na Av. Brasil… E a gente conversava. Sobre coisas. Sobre nossas vidas, nossas famílias, nossos filhos, nossas vontades, nossos problemas, nossas qualidades, nossos defeitos.

Eu sei que já escrevi isso, mas quero escrever de novo, eu adorava a A.

Foi por causa dela que conheci o alho poró e a cerveja Xingu.

Um dia aconteceu uma coisa muito chata na vida dela e, por algum motivo que eu até hoje não sei qual foi, a gente se afastou. Eu tentei, mas não consegui alcança-la. Ela procurou outras amigas, acho que amigas de mais tempo que eu, ou mais velhas que eu, ou que tinham passado pelo que ela estava passando. E eu não pude compartilhar da sua dor. Ela foi sumindo no horizonte, como o sol poente: mesmo que a gente corra o mais rápido que conseguir atrás dele, ele ainda vai se por e a noite vai nos engolir.

E um tempo depois ela se mudou. Foi embora para longe. E eu fiquei aqui, desolada, abandonada. Fiquei com saudades. Com muitas saudades.

Ninguém jamais tampou o buraco que ela deixou.

Ela está no meu facebook. Eu tentei me comunicar com ela. Mas só encontrei o silêncio.

De vez em quando ela se comunica comigo. Mas só quando ela quer.

Por que será?

Eu sei porque. Porque ela é diferente. Ela é mineira, ela é querida, ela é leve, ela é interessante. Ela é mais velha que eu. E eu gosto muito dela.

Morro de saudades da minha amiga A. Minha amiga muito querida.

E eu ainda vou andar na Lagoa.

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