Meu Zen, Meu Bem, Meu ‘Mau’

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Outro dia eu conversava com uma amiga sobre casais, casamentos, relacionamentos, descasamentos, essas coisas.

No meio da conversa ela me disse que estava tudo certo com o relacionamento dela. Estava tudo bem, era bom, e por isso eles continuavam juntos. Mas se um dia não fosse mais assim, tudo bem também. Ela não veria problemas em se separar e tocar a vida. Tranquilo, cara, sabe?

Eu a ouvia falar e pensava com meus botões, ‘Poxa, que legal. Quanta leveza. Que desprendimento. Também quero ser assim.’

Mas então, quando essa empatia pela fala dela se apossou dos meus pensamentos, ouvi um delicado clique e a torrente de identificação foi-se embora descarga abaixo, ‘Espere aí, gente. Não. Para. Eu não sou assim. Eu… Não, não quero ser assim.’

E aí entendi que provavelmente nunca usarei uma fala como aquela.

Se um dia meu casamento tomar um caminho realmente sem volta e se acabar, sei que vou dar conta. Também vou tocar a vida.

Mas vou sentir tantas saudades…

É que eu gosto. Gosto de verdade. Dele.

Gosto de ficar juntinho, de fazer preguiça na cama de manhãzinha, de sentir o calor tão carinhoso do abraço que ele tem, de contar minhas coisas pra ele, de ganhar seus beijinhos, de andar de mãos dadas, de ver seu sorriso alegre e seu nariz de flechinha, de dormir de conchinha, de andar na garupa de sua moto, de encostar testa com testa nariz com nariz e olhar bem lá no fundo dos olhos, de dar beijo de bichinho.

E, acima de tudo, gosto do companheirismo que temos, da história que estamos escrevendo, dos caminhos que partilhamos, das memórias que construímos.

Gosto. De corpo, alma e coração. Dele.

Eu não teria aquela leveza da minha amiga. Não diria que agora está tudo bem, mas quando não estiver, vou tirar de letra.

Mas aí, logo em seguida, um pensamento mais irônico me ocorreu, ‘Humm, será que o que eu gosto de verdade não é o desafio de me superar a cada dia e conseguir permanecer junto, casada, ainda que seja complicado e haja desentendimentos, muitas diferenças (somos seres completa e totalmente opostos) e discussões? Será que eu não estou aqui, me achando, toda orgulhosa porque me sinto uma guerreira vitoriosa de uma causa atualmente tão perdida e isso melhora minha autoestima?’

Não, gente. Não é isso, embora tudo isso seja verdade. Casamento não deixa de ser uma maravilhosa experiência de autossuperação, um desafio diário de me lapidar, melhorar a todo instante, de exercer o olhar, o ouvir e o silenciar, de saber o que, quando e como falar. Entregar-me sem me entregar. Possuir sem ter. Compartilhar ao invés de dividir. Escolher nâo desistir. Permanecer, sem ficar no mesmo lugar.

Mas mesmo que eu tirasse todas essas vantagens do meu casamento, ainda assim, lá no fundo do coração, ia sobrar o meu gostar muito dele. Um gostar gostoso de sentir, que me preenche e me aquece e me faz, sim, querer superar todas as dificuldades pra ficar juntinho.

Por isso, minha fala seria um pouco diferente daquela da minha amiga:

Agora está tudo certo, está tudo bem, é bom e por isso estamos juntos. Já não esteve. E quando não estiver novamente, vou escolher lapidar até voltar a brilhar. Porque eu gosto. Dele.

 

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2 comentários sobre “Meu Zen, Meu Bem, Meu ‘Mau’

  1. É assim que penso também! 🙂
    Talvez a diferença de reacção das duas esteja na força do amor que sentem pela pessoa que têm do vosso lado! Porque, quando se ama de verdade e se quer essa pessoa (apesar de tudo menos bom), as palavras não são tão fáceis assim, não saem com essa leveza!

    Beijinhos*

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