Meus Filhos Não São Meus Filhos
Crédito da Foto: Tina Zani

 

 

Como dizia o poeta:

 

‘Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.’ Khalil Gibran

Eu sou apenas o ponto de partida. A referencia. O arco.

Eles, o voo, o futuro. A ânsia da vida por si mesma, materializada. A flecha projetada a partir de mim, do meu corpo, do meu amor.

Vão se desenvolver e crescer, longe de mim e de meu olhar cuidadoso, na mansão do amanhã. Terão experiências que eu não conhecerei. Sonhos que nunca sonhei e gostos que não são os meus. Viverão seu próprio estilo de vida e farão as escolhas que só poderiam ser feitas por eles mesmos.

E eu?

Eu vou ser feliz.

Vou confiar na sementinha que plantei em seus corações enquanto eles ainda se aninhavam sob minhas asas mornas e protetoras. Vou admitir, pra mim mesma, que não sou perfeita e que a perfeição é desumana. Vou me ocupar apenas com problemas reais, quando e se eles aparecerem.

Vou ter boas amigas com quem conversar em caso de emergência e não vou fazer questão de saber de tudo.

Não quero ter o controle de suas vidas. Isso cabe a eles.

Vou compreender que a minha felicidade não tem nada a ver com ter filhos ótimos, família linda, casa boa, dinheiro sobrando, trabalho.

Vou conhecer minha essência sem me preocupar com a imagem.

Identificar meus medos e aprender a lidar com eles.

Saber quem eu sou e quem eu não sou.

Parar de controlar. Parar de apertar a boca.

Vou aprender a ser descontrolada.

Sem controle. Sem controlar.

Ser. Simplesmente, ser.

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6 comentários sobre “Meus Filhos Não São Meus Filhos

  1. Olá Tina.
    É engraçado como estamos sintonizadas. Este poema é um dos poemas da minha vida. Li-o tinha eu 16 anos (na idade das grandes reflexões interiores, do querer mudar o mundo) e apesar de eu já ter 43 acho-o tão atual. Tenho regido a minha relação com a minha filha graças aos seus ensinamentos. Até já pintei um quadro (pode ver no meu blog, chama-se “Ma vie”). Este poema inspirou-me e quando o leio tenho sempre uma campainha na cabeça a recordar-me que o respeito é a base do amor.Como eu gostava que os meus pais me tivessem deixado morar na mansão do amanhã…

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    1. Oi Adelaide,
      Este poema também me acompanha e sempre que me sinto prestes a querer controlar a vida de meus filhos, eu o procuro. Ele tem o poder de me colocar no meu lugar e me faz entender que há escolhas que não cabem a mim fazer. Só posso olhar e me maravilhar com a sabedoria da vida. É claro que isso não seignifica que vou me omitir, mas que, ao contrário, vou participar sabendo respeitar.
      Procurei no seu site o ‘Ma Vie’ e não encontrei. Você pode me mandar o link?
      Estou super curiosa pra ver.

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    1. hahahahahah adorei! Talvez você tenha razão, Antonio. Mas, como já disseram por aí, ‘de médico e louco todo mundo tem um pouco’. Não sei se somos loucos por termos filhos ou se ficamos loucos por causa deles rsrsrsrs

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  2. Tenho este poema desde sempre na parede da minha casa e tem me servido de consolo muitas vezes,quando as coisas não correm como eu gostaria.O pedaço que mais gosto é”Podes abrigar seus corpos mas não suas almas,pois suas almas moram na mansão do amanhã que nõ podes visitar nem mesmo em sonhos….”É demais…Sei decor.

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    1. E, continuando,’…Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
      Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.’ Essas palavras e as que você escreveu são as partes que mais me tocam também, tia. Porque, realmente, a vida tem que andar pra frente e nós, ainda que mães, não somos donas da vida de nenhum deles ❤

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