A Casa Alheia

A casa alheia.
Crédito da Foto: Leandro Zani

 

Adoro conhecer a casa dos outros.

Falo da casa que não foi arrumada com antecedência e intencionalmente.

A casa mesmo, do dia-a-dia.

Sabe quando você vai visitar alguém por acaso e, com uma descontraída xícara de café na mão, a pessoa te proporciona um delicioso passeio minucioso pelo seu espaço, te apresentando todos os ambientes, cada quarto, cada cômodo, todos os móveis, relicários, apetrechos, as bagunças, as roupas pelo chão, os brinquedos esparramados, a cama que não foi arrumada, a cozinha pequena, os banheiros com paninho de chão embolados, as ferramentas, até os varais improvisados. Adoro.

É como se, a cada cômodo, uma camada de proteção se derretesse no chão e a pessoa vai, pouco a pouco, se desnudando e se mostrando na essência. Vamos lhe conhecendo de verdade, cada pedacinho.

E quando a casa é compartilhada com outras pessoas é ainda mais fascinante, pois ao nos levar pelo passeio, a cada apresentação se sucedem comentários e fatos a respeito das particularidades dos outros moradores.

Quando tenho o privilégio de ser presenteada com a casa de alguém fico em deleite. Sorvo cada detalhe, respiro cada espaço vazio, preencho-me com cada pedacinho de bagunça, tatuo em mim todas as cores, aromas, sabores, impressões.

Quanto menos perfeição encontro, mais fascínio me causo.

Conhecer a casa dos outros é quase um processo de autoconhecimento.

Paradoxo? Sim e não. Enquanto me atenho despreocupada e maravilhada aos detalhes da casa alheia, inevitavelmente penso na minha própria e concluo que, de perto, somos todos humanos.

Somos todos hu-ma-nos.

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5 comentários sobre “A Casa Alheia

  1. Engraçado como as pessoas são diferentes. Gosto de visitar e que me visitem e gosto de estar com as pessoas mas não dou muita importância à casa (a não ser que seja uma casa muito especial). Muitas vezes até me passa ao lado a decoração e não faço questão que me façam visitar os quartos, as casas de banho, a sala de visita, e sei lá que mais. Acho que é entrar na privacidade da pessoa e por isso sou até um pouco contra essa rotina. Por isso talvez não tenha o hábito (mas tenho vindo a mudar) de fazer visitar a minha casa. Não vejo interesse nenhum dar uma vista de olhos ao meu quarto e muito menos dentro dos meus armários. Isso é impensável.
    Penso que isso não faz de mim uma pessoa antipática mas simplesmente reservada. Talvez seja também uma questão de educação, sei lá! Os portugueses são mais fechados do que os brasileiros, não é por mal, é cultural.

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    1. Na verdade, não acho que seja uma diferença entre portugueses e brasileiros, mas muito mais uma diferença entre indivíduos. A situação que descrevi nesse texto aconteceu comigo e me fez realmente pensar em quanta preocupação sem sentido tenho na minha vida. Me fez considerar o fato de poder ser menos ocupada com detalhes sem importância e mais dedicada ao que tem valor verdadeiro. O que mais me tocou ao visitar aquela casa foi o desprendimento e a espontaneidade me jogando na cara que ser imperfeito é perfeitamente normal 😀

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    1. Hahaha Será? Essa porta fica em Paris, próxima ao Hôtel de Ville. Não tenho muita certeza se é mesmo uma casa, uma moradia. Achamos tão bela e diferente que valia uma foto. E meus filhos se encarregaram da encenação pra contextualizar nosso interesse por ela 🙂

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