Não Sei Se Caso Ou Se Compro Uma Bicicleta – 6 Dicas Para Lidar Com Seus Maiores Medos + Podcast

Numa sexta-feira há duas semanas atrás, um amigo pra quem eu contei um dos meus maiores sonhos nessa vida compartilhou comigo uma oportunidade super interessante de fazer o sonho se tornar realidade.

Trata-se de um edital pra financiar projetos culturais.

Conversei com ele de manhã e quando cheguei em casa fui correndo procurar o site e me informar dos detalhes.

Estava super empolgada! Já estava com aquele friozinho na barriga que a gente sente quando está prestes a realizar algo grandioso – correr uma maratona, dar o primeiro beijo, prestar o vestibular, dirigir na estrada pela primeira vez, essas coisas que são divisores de água na nossa existência. Já estava me imaginando com o sonho realizado!

Mas conforme ia lendo o edital, meus sentimentos e emoções foram se derretendo. Pouco a pouco, passei da empolgação pra dúvida, depois para o medo e a insegurança, em seguida pra tristeza até chegar à frustração e a uma sensação péssima de incapacidade. Terminei de ler com a certeza de que eu não tenho condições de participar. Não estou pronta. Faltam-me experiência e informação, um currículo mais atraente e sério, um discurso mais profissional, um olhar mais racional e o entendimento mais preciso desse tipo de oportunidade.

Deixei-me ficar por algumas horas com esse sentimento ruim, sem saber se isso me fazia gostar mais ou menos de mim mesma.

No final do dia, cheguei a uma conclusão. Realmente não estou pronta, não tenho a experiência necessária, não é o momento certo e não vou participar. Vou voltar a focar nas coisas que já estavam em andamento e deixar esse desafio pra uma próxima oportunidade.

Pronto. Ahhh, que alívio. Tudo resolvido. A vida voltou ao ritmo em que estava, meus sentimentos se aquietaram e me senti segura novamente.

Passei o final de semana tranquila e sossegada.

Na segunda-feira pela manhã encontrei aquele amigo de novo e contei pra ele sobre a minha decisão e as questões que a motivaram.

E, enquanto conversávamos, uma flor de empolgação e encantamento foi brotando de novo no meu estomago. Senti outra vez o friozinho na barriga e uma vontade enorme de aproveitar a oportunidade e ver o sonho realizado.

Fiquei com aquilo na cabeça o dia todo. Hora decidia que queria… Hora decidia que não queria… Na hora seguinte tinha certeza que devia e, na outra hora, que não devia.

No final, resolvi tentar e, pra minha surpresa e com a ajuda do meu amigo, consegui preencher um esqueleto de todo o formulário de inscrição em uma sentada.

Estava exultante! De novo aquela sensação gostosa de poder fazer, de agarrar uma oportunidade, de abrir uma porta, de mover montanhas.

Daí, conversei com uma amiga que também está participando pela primeira vez e todas as minhas emoções deliciosas foram se quebrando, uma a uma, em cacos pelo chão. Tive, de novo, a percepção do quão inexperiente eu sou, de como me falta um discurso mais profissional, uma visão mais racional, um currículo mais impressionante, um networking mais envolvido no assunto.

Voltei pra casa como se volta de um enterro. Silenciosa, profunda, cabisbaixa e ensimesmada, como diria meu pai.

Dormi, acordei e, consciente de todas as minhas limitações, mas também das minhas valiosas capacidades, decidi ir em frente.

Não Desisti, E Eu Vou Te Explicar Porque.

Enquanto eu caminhava na Lagoa hoje de manhã algumas coisas me ocorreram:

  • Eu nunca vou achar que estou totalmente pronta pra dar conta desse desafio de forma perfeita e fenomenal;
  • Pra um dia eu conseguir chegar perto da perfeição nesse assunto, preciso começar de algum jeito;
  • Eu tenho que dar o meu melhor, sem me apegar desesperadamente aos resultados que vou atingir;
  • Ficar insegura é natural e pode acontecer mais de uma vez durante todo o processo, especialmente se me comparar com a performance e o desempenho de outras pessoas;
  • Me bloquear por causa de todas as minhas dúvidas, medos e inseguranças não vai me levar a lugar nenhum. Vou ficar aqui, bela e confortável, onde eu já estou.

Lembra que caminhar de manhã cedinho é o meu jeito particular de pensar na vida, ter insights, combater baixo astral? Pois é, dessa vez eu fui caminhar e levei meu iPod, que tem um gravador. Ouça o áudio original dos meus pensamentos enquanto caminhava. Está ali embaixo, no final do texto.

Não deixe de ouvi-lo, é imperdível! Quase uma comédia. Totalmente amador – afinal, eu sou amadora mesmo – mas com um conteúdo emocional e intuitivo que vale a pena, nem que seja pra dar umas boas risadas. E é o meu primeiro podcast 🙂

Dá pra ouvir o som dos carros passando ao fundo, cachorros latindo, passarinhos, os meus passos, minha respiração, rsrsrs. É quase um reality show!

Bom, voltando ao assunto, então quero compartilhar com você algumas dicas que desenhei pra me ajudar a lidar com essa questão específica e que servem pra qualquer grande dúvida que temos na vida.

E sabe por que essas dicas servem pra todas as grandes questões? Porque as maiores dúvidas que temos, aquelas que são realmente importantes e grandiosas, todas elas, têm um ponto em comum: o medo de não ser capaz – a insegurança.

Entender essa característica comum é o primeiro passo pra conseguir enfrentar os desafios com mais valentia, coragem e determinação. Afinal,

Coragem é a resistência ao medo, domínio do medo, e não a ausência do medo. ~ Mark Twain

Dica #1: O ‘Mesmo Assim’ É Fundamental.

A verdade é que raras vezes vamos nos sentir realmente bem preparados para as grandes coisas da vida. Normalmente, se tivermos tempo pra pensar e decidir, vamos achar que nos falta algo.

É o caso das pessoas que nunca estão prontas pra se casar. Uma hora é porque ainda estão fazendo a poupança pra comprar o terreno, depois é porque estão construindo, depois é porque ainda não têm mobília, depois falta o carro e assim por diante.

Ou aquelas que adiam infinitamente a chegada de um filho porque o apartamento que moram é muito pequeno. Depois, porque querem decorar o quarto do bebê antes. Depois, têm que arrumar um emprego melhor, um carro maior, um país melhor pra viver etc.

É claro que, se conseguirmos satisfazer todas as condições que nós mesmos impusemos, muito melhor. Mas o fato é que depois que satisfazemos as primeiras condições, outras aparecem. E assim sucessivamente, até o infinito ida e volta mil vezes.

Então, temos que encarar o desafio mesmo assim! Mesmo que não esteja tudo perfeitinho, porque a perfeição não existe.

Acho que não sou bom o suficiente… Mas vou em frente, mesmo assim.

Parece que não tenho muita experiência… Mas vou encarar, mesmo assim.

Estou com medo… Mas vou tentar, mesmo assim.

Deixar pra depois nos faz perder grandes oportunidades na vida. Por que? Porque não tentamos. Perdemos oportunidades de crescimento e de descobrir que somos, sim, capazes.

Temos que fazer do ‘mesmo assim’ um mantra que nos acompanha o tempo todo, a cada minuto, a cada segundo.

Dica #2: Faça O Seu Melhor

Assim que decidir encarar o desafio, assuma o compromisso de verdade. Entre de cabeça e faça o seu melhor, ainda que não fique perfeito.

Lembre-se, a perfeição não existe.

Seja o melhor ser humano imperfeito que você puder ser.

Trabalhe com foco. Faça pesquisas, procure ajuda, converse com quem entende do assunto, ponha sua cabeça pra funcionar.

O resultado não é o mais importante. Desapegue-se dele.

O que importa é dar o primeiro passo, encarar as dificuldades e dar o seu melhor, até o fim.

E isso serve pra tudo nessa vida, desde relacionamentos até profissões.

Dica #3: Não Se Compare

A comparação é uma armadilha que te aprisiona num calabouço escuro e cheio de ratos, que roem as pontas dos seus dedos e do seu nariz enquanto você dorme.

Não se compare. Não faça isso. Nunca se compare com outra pessoa.

É claro que o outro tem qualidades que você não tem. É óbvio que sim. Não somos todos diferentes? Pois então. Se somos diferentes, não somos iguais. Logo, temos qualidades e defeitos que o outro não tem e vice-versa.

Comparar-se com os outros não vai te ajudar a se sentir melhor. Pare com isso.

Dica #4: Encare A Primeira Vez Como Ela Realmente É – Uma Primeira Vez

Nós, adultos, tendemos a querer que todas as nossas tentativas sejam felizes sempre.

Esquecemos que o natural é ir melhorando e aperfeiçoando as habilidades com o tempo e a experiência.

A vida nos ensina isso, mas parece que nossos olhos estão embaçados e não conseguimos enxergar.

Quantas vezes caímos antes de conseguir andar, pra depois aprender a correr?

Quantas palavras erradas falamos pra depois conseguir nos comunicar com esmero?

Quantos exercícios tivemos que fazer pra aprender a ler e escrever com desenvoltura?

Quantas barbeiragens fizemos até nos tornarmos bons motoristas?

Temos muita pressa. Queremos tudo pra ontem. Tentamos chegar ao fim sem passar pelo meio e o começo. Esquecemos que já tivemos muitas outras primeiras vezes.

A primeira vez é o que ela é, só e simplesmente a primeira vez, tal qual um rascunho é apenas um rascunho (ouça o podcast pra entender melhor).

O maior desafio da primeira vez não é ter um resultado perfeito, é encarar o medo do desconhecido e dar o primeiro passo.

Foque nesse objetivo, o primeiro passo, e você estará lidando com a verdadeira dificuldade dessa etapa.

Dica #5: Faça Um Planejamento Racional

É certo que, durante todo o processo de enfrentar um grande desafio, você terá altos e baixos. Ou seja, haverá momentos em que você vai se achar muito bom mesmo, e outros em que se sentirá pior que o mosquito do cocô do cavalo do bandido.

Por isso, é uma excelente ideia traduzir o seu desafio em um objetivo totalmente racional e desprovido de qualquer emoção e sentimento, quebra-lo em metas, esmiuçá-lo em submetas e, depois, registrar essas informações em papel ou em um arquivo e distribuir tudo isso em seus dias e semanas.

Mas por que tirar a emoção é importante nesse momento?

Porque, naquelas horas em que você estiver pra baixo, cheio de dúvidas e medos, vai pegar esse registro e se dedicar a resolver cada uma das etapas que anotou. Vai focar em uma de cada vez, resolvê-la e colocar um ok ao lado daquele item. Um por um. Racionalmente.

Apenas siga o planejado, sem se deixar inundar por sentimentos de desprezo por si mesmo.

Fazendo isso você vai perceber que, pouco a pouco, conforme as etapas vão sendo cumpridas e os oks vão se somando, sua insegurança vai se desmanchando e a empolgação começa a aumentar de novo.

Dica #6: Use A Primeira Experiência Como Um Degrau

Como falei acima, a primeira experiência é só isso mesmo, uma primeira experiência.

A partir dela, no entanto, acumulamos conhecimento e aprendizado para as próximas oportunidades.

Por isso, aproveite muito bem a sua primeira vez:

  • Aprenda com seus erros e falhas para evita-los nas próximas vezes;
  • Identifique suas limitações e trabalhe firme para ampliar suas fronteiras;
  • Descubra suas competências, valorize-as e faça bom uso delas; e, acima de tudo,
  • Lembre-se de como foi importante ter dado o primeiro passo.

Com o primeiro passo você se posicionou no caminho, começou a andar, se colocou em movimento pra finalizar a sua primeira experiência.

E, com a primeira experiência concluída, acumulou conhecimento, descobriu seus limites e falhas, identificou suas competências e gerou um bom material em que se basear para evoluir numa próxima oportunidade semelhante. Não é bom isso?

No podcast que eu compartilho ao final do post há uma outra boa ideia que não coloquei no texto. Não deixe de ouvi-lo até o fim e me contar o que achou.

Não espere nada profissional! Na verdade, enquanto eu caminhava me vieram todos esses pensamentos e, pra não perde-los, gravei tudo pra depois digitar. Mas ao ouvi-lo mais tarde, achei que seria legal compartilha-lo, pois gravei-o enquanto falava com o coração.

Clique AQUI para ouvir o podcast no Google Drive ou AQUI para ouvir no Soundcloud.

Agora me conte sobre você.

Como você faz pra resolver os dilemas realmente significantes da sua vida?

Tem alguma dica que eu não citei aqui?

Já passou por uma situação parecida com a minha?

Como foi?

O que achou do meu primeiro podcast despretensioso e amador?

Deixe seus comentários, quero muito saber sua opinião. Vou ficar super feliz!!

Se você gostou do texto e do conteúdo ou se consegui te ajudar e te inspirar com minha história e minhas dicas, compartilhe com seus amigos. Quem sabe tem alguém precisando de um empurrãozinho.

Um beijo,

Tina Zani

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