O Que Você Adora Fazer De Bom E Que Contribui Com A Vida De Mais Alguém?

o que você gosta de fazer
arquivo pessoal

 

E então, o que é?

Quando me fizeram essa pergunta meu cérebro teve um chilique e tudo sumiu. Sobrou só o branco.

Era como se eu não tivesse nada, nadinha, nadica de nada pra responder… à segunda parte da pergunta. É, porque a primeira parte da resposta está toda na ponta da língua: adoro comer chocolate, dormir, tomar sol, cantar, conversar, balançar na rede, viajar, ir ao cinema, namorar, ouvir as cigarras, espreguiçar, meditar, fazer exercícios, ir pra cama tarde da noite, ler, praticar Yôga, ir à praia, ouvir o silêncio, caminhar na areia, assistir ao por do sol, apreciar um bom vinho tinto etc, etc, etc. A lista é bem grande, graças à Deus.

Mas e o que é que eu gosto de fazer e que ajuda outras pessoas?

Confesso que demorei um pouquinho pra clarear meus pensamentos a esse respeito e te digo uma coisa, o branco veio especialmente porque não somos incentivados a admitir, nem pra nós mesmos, os benefícios que causamos a outras pessoas. Ao contrário, na maioria das situações em que alguém nos agradece sinceramente por alguma colaboração em qualquer área da vida, rejeitamos o agradecimento com frases do tipo ‘imagine, não fiz nada demais’ ou ‘que é isso, era minha função’ ou ainda ‘de jeito nenhum, não fiz mais que a obrigação’.

Mas, depois de algum tempo mergulhada no branco mental mais branco, algumas cores começaram a surgir.

Não vou considerar aqui o fato de ser mãe e esposa e todos os papéis que desempenho nessas funções que colaboram com a felicidade, a saúde e o bem estar de minhas crias e meu marido.

Vou considerar outros temas.

Eu adoro ajudar as pessoas a terem inspirações e insights sobre suas próprias vidas, sobre suas próprias capacidades. Adoro quando ajudo alguém a se conhecer melhor, a se aceitar melhor, a ser mais feliz. Amo de paixão quando percebo que consegui mostrar um lado mais leve dos acontecimentos, uma alternativa mais positiva para situações negativas, colocar as pessoas em contato com o sublime, o essencial, de volta ao que importa realmente.

Já fiz isso através do Yôga, que adoro praticar e ensinar, e agora o faço através da arte. A arte de escrever, a arte de desenhar, a arte de ouvir, de olhar e ver, a arte de ser, a arte de fluir.

Todos nós temos algo para ensinar a alguém. Podemos ensinar através de habilidades que desenvolvemos por obrigação ou necessidade, mas também por talentos inatos que deveríamos – e adoraríamos – desenvolver plenamente.

Muita gente espera a vida toda para valorizar seus dons naturais. Muita gente passa o tempo ocupada com as obrigações. Muita gente guarda seus talentos no fundo do baú pra usar mais tarde. E muita gente parte desta para melhor sem ter tempo de abrir o baú.

Pessoas morrem antes de florescer. E suas competência e aptidões são enterradas sem que ninguém possa conhece-las e admirá-las e usufrui-las e elogiá-las e aproveitá-las e agradece-las.

As coisas não precisam ser assim.

Podemos apostar em nossos atributos e capacidades naturais em vida. De preferência em vida. Ainda que em vida. Mesmo que a vida esteja ocupada, cheia de obrigações, compromissos profissionais, afazeres domésticos, preocupações. Mesmo que estejamos na lida.

Porque é o que nasce de nossas virtudes que nos faz sentir vivos, humanos e autênticos. É o que vem de nossos talentos que nos faz nos reconhecer como nós mesmos.

Passamos muito tempo sem saber se o que fizemos de nós é o que realmente somos. Aconteceu comigo.

Nos misturamos, nos embolamos, nos perdemos nas expectativas que criam sobre nós e vamos aos poucos esquecendo a nossa identidade. Esquecemos o que temos de especial, o que nos diferencia de todos os outros, a parte que nos cabe para fazer a diferença no mundo de mais alguém.

A gente se perde tanto no caminho… É preciso voltar a ser quem você é.

Tô mega empolgada com meus novos velhos objetivos retomados‘, me contou uma amiga querida na semana passada.

É por aí mesmo que temos que ir.

Jean-Paul Sartre, o companheiro da Simone de Beauvoir, tem uma frase famosa que ilustra essa situação.

 

O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós. ~ Jean-Paul Sartre

 

Ainda que haja expectativas sobre nós, que tenhamos que desempenhar funções que não gostamos, que a vida esteja o caos,  mesmo que não tenhamos tempo pra nada, que o stress esteja nos massacrando, que os compromissos estejam gritando, ainda assim, o importante é o que vamos fazer com tudo isso.

Cada um tem o seu próprio jeito de compreender e olhar o mundo. Cada um tem um jeito que é só seu de existir. Esse é o nosso talento. O que vamos fazer com ele?

Eu sei: compartilhar. Antes que seja tarde.

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