Dia Internacional da Mulher

Que me perdoem as feministas e os machistas radicais, mas hoje também serei ousada na defesa dos meus intrépidos pensamentos.

Defendo a luta por direitos iguais.

Lutemos pelo direito de sermos quem somos, respeitadas e valorizadas por isso. E bem pagas também. Lutemos pelo direito de não termos que lembrar sozinhas de pendurar a roupa que está embolorando na máquina, pelo direito de não assumirmos sozinhas a responsabilidade de decidir o que vai ter no almoço ou no jantar, pelo direito de igualdade de salários e condições de trabalho. Lutemos pelo direito de sairmos de casa de manhã e voltarmos só à noite sem nos sentirmos culpadas, de usarmos ou não maquiagem, de não termos que sair da cama já produzidas e penteadas e de envelhecermos como bem entendermos. Lutemos pelo direito de não sermos perfeitas nem querermos tentar ser. Lutemos pelo direito à participação do pai nas decisões pertinentes à educação formal e não formal dos filhos, pelo direito de igualdade de importância dentro do lar e de sermos lembradas com carinho por aqueles de quem cuidamos. Lutemos pelo direito de sermos sensíveis sem que ninguém nos taxe como fracas, de sermos emotivas sem que alguém nos considere frágeis, de engravidarmos sem sermos tratadas como incapazes. Lutemos pelo direito de exercermos nossa feminilidade em toda sua força e exuberância sem que ninguém nos chame de biscates, fúteis, objetos. Lutemos pelo direito de não sermos iguais e, por isso mesmo, sermos muito importantes. Lutemos pelo direito de sermos doces, delicadas, indecisas, fortes, independentes, decididas, confusas, bem-sucedidas, espontâneas, tudo isso ao mesmo tempo. Mulheres reais e, por isso, amadas, desejadas, admiradas, respeitadas. Lutemos pelo direito de sermos bem tratadas. Tratadas com gentilezas sim, com atenção também, com carinho sempre, com amor.

Mas não nos esqueçamos da nossa contraparte em tudo isso. De tratar bem o outro, seja ele quem for. De sermos gentis e reconhecermos a gentileza que vem de alguém antes de, preconceituosamente, taxarmos de machismo. De sermos atenciosas e aceitarmos a atenção que chega até nós. De sermos carinhosas e receber, de bem, o carinho em suas diferentes formas.

Lembremos de respeitar as opiniões diversas das nossas e as preferências que não concordam com as que temos. O mundo precisa de mais civilidade e gentileza, e não de menos. E essas qualidades devem vir de todos os lados.

Nossa luta deve ser por igualdade do direito de também sermos cavalheiras, corteses, gentis, atenciosas, carinhosas, humanas. E pelos outros aceitarem tais atitudes nossas com satisfação, como um ato de pessoas iguais, de valorização mútua.

Hostilizar o cavalheirismo é burrice. É nivelar por baixo. É como dizer que todos temos que perder para podermos ser iguais.

No dicionário, entre outros significados, cavalheirismo é definido como civilidade, cortesia, distinção, nobreza e gentileza, qualidades que deveriam ser cultivadas em todo ser humano, independentemente de raça, gênero, classe ou qualquer outra palavra separatista.

O caminho da igualdade é o caminho do ganha-ganha. Ganhamos quando espalhamos gentilezas por aí. Para todos.

Sejamos pela igualdade de direitos e esquerdos entre homens e mulheres, entre pais e mães, entre meninos e meninas, entre o feminino e o masculino e todos os gêneros, dentro e fora de casa sempre. Igualdade de direitos. Sejam eles legais, sociais ou de costumes, isto é, em todas as esferas, para todos os seres humanos.

Mas que nessa luta toda, não nos esqueçamos de preservar o que pertence ao feminino e só a ele, o nosso espaço sagrado, aquele que, dentre todas as igualdades de direitos e de esquerdos, nos faz sermos mulheres dignas e plenas. Diferentes, sim, dos homens nos aspectos mais singulares e sublimes.

Temos esse poder em nós mesmas, nascemos com ele, não precisamos ser empoderadas. O que nos falta é não o sabotar. É perceber a importância que ele tem e não permitir que seja ameaçado pela necessidade descabida de não aceitar as diferenças, não enxergar a diversidade e rejeitar as singularidades.

Lutemos pela igualdade de direitos e pelo direito às diferenças, com muito orgulho.

Anúncios

Deixe aqui o seu comentário :)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s