Os 10 Passos Para a Prosperidade e Porque Você Deve Praticá-los Diariamente

Os 10 Passos Para a Prosperidade
Crédito da Foto: Sabrina Zani

 

 

Quando a alma está feliz, a prosperidade cresce, a saúde melhora, as amizades aumentam, o mundo fica de bem com você. O mundo exterior reflete o universo interior. – Mahatma Gandhi

 

É muito comum relacionarmos a prosperidade com a quantidade de dinheiro disponível que temos. Achamos que ser próspero se resume a ter dinheiro sobrando pra satisfazer nossos desejos materiais e proporcionar abundância de bens. Confundimos a prosperidade com o sucesso financeiro e o acúmulo de coisas.

Por causa disso, trabalhamos incansavelmente, damos duro, ralamos e contamos nosso dinheirinho suado fazendo malabarismos pra pagar as contas e ainda sobrar um trocado pra chamar de seu. Passamos os dias a contar as horas para o dia acabar. Acordamos na segunda-feira em contagem regressiva pra sexta chegar. Os meses passam enquanto esperamos as férias chegarem. E a vida escorrega entre os dedos enquanto sonhamos com o momento em que nos aposentaremos e… viveremos, enfim.

No entanto, a essência da prosperidade é muito mais ampla – e simples – do que a pura coleção de bens materiais.

Prosperidade refere-se muito mais à qualidade do que à quantidade. Ela é, na verdade, a consequência de nos sentirmos felizes, cheios de contentamento e afortunados. Sim, é isso mesmo. A prosperidade relaciona-se com o nosso sentir, sentir na alma que o mundo tem um lugar para nós.

É claro que ter sucesso financeiro e viver a vida com conforto fazem parte de ser próspero, mas isso representa apenas um único setor dos 8 que devem estar em equilíbrio pra que a prosperidade realmente aconteça. Por exemplo, pra que serve uma casa legal e cheia de riqueza se nossas emoções andam descontroladas e, no lugar de atrair amigos sinceros, eles fogem de nós e  nossa vida social vira um fiasco? Não adianta ter dinheiro se nossa saúde é cheia de problemas ou se o trabalho é um tédio e morremos um pouco a cada dia para realizá-lo. Ou, ainda, se nossa família é complicada e cheia de rancores, a afetividade está a zero e nossas virtudes ficaram esquecidas.

Pra atrair dinheiro, ter uma saúde de ferro, trabalhar em algo que nos dê prazer genuíno, manter nossas emoções em equilíbrio, ver nossas virtudes exacerbadas, ter bons amigos, um relacionamento afetivo delicioso e uma família feliz precisamos estar conscientes e trabalhar incansavelmente nos…

10 Passos Para a Prosperidade

Eles são a base, a estrutura sobre a qual nosso crescimento, nosso progresso e nosso sucesso são alicerçados. Se a base é frágil, vai ceder ao primeiro sinal de pressão. Mas se é forte e sólida, vai oferecer de volta o empuxo que nos levará pra cima, sempre evoluindo na direção da felicidade e, consequentemente, da prosperidade em todos os níveis.

Então, vamos a eles:

#1: Conheça-se bem.

O autoconhecimento é a chave que abre os melhores caminhos. Podemos seguir na vida sem essa chave mas, certamente, faremos escolhas superficiais que dificilmente nos levarão aonde queremos chegar simplesmente porque, justamente, sem ela não saberemos nem mesmo aonde queremos ir.

O caminho do autoconhecimento é saboroso e nos coloca em contato com a nossa essência, com o que temos de único e, por isso mesmo, de mais valioso. Nenhuma outra pessoa no mundo tem a combinação de defeitos e qualidades que existe em nós.

Para ajudar a se conhecer melhor, comece respondendo a duas perguntas Quem eu sou? & Quem eu não sou? 

Se estiver muito complicado definir exatamente quem você é, defina quem você não é. Observe-se durante alguns dias nas mais variadas situações – agradáveis e desagradáveis – e procure identificar as emoções por trás das suas reações e atitudes. Se a emoção identificada for positiva, encare-a como um bom indício de quem você é e, se for negativa, de quem você não é. Pense em termos de qualidades e defeitos e lembre-se: o que é da essência sempre nos faz feliz.

#2: Conheça o outro também.

Nossos relacionamentos com outros seres humanos envolvem o que é conhecido como projeção de personalidade.

Atraímos pessoas opostas a nós quando o oposto tem algo em sua personalidade que nós não temos na nossa, mas gostaríamos de ter. Da mesma forma, atraímos alguém semelhante a nós porque admiramos no outro tudo o que mais amamos em nós mesmos. Ou seja, todos os relacionamentos que temos com os outros são, na verdade, sobre nós mesmos.

Por isso é tão importante conhecer o outro.

Criticamos as pessoas de nosso convívio e seus comportamentos ou porque elas são parecidas conosco – têm os mesmos defeitos – ou porque são nosso oposto completo.

No primeiro caso, quando a pessoa em questão tem qualidades e defeitos semelhantes aos nossos, o  conflito existe porque a essência é a mesma, mas o grau de elaboração é diferente.

Um defeito é algo que ainda não foi feito, é a matéria prima antes de ser elaborada. Todos os defeitos são virtudes em potencial, ou seja, a virtude nasce de um defeito bem trabalhado.

O conhecimento do outro nos dá ferramentas para perceber como o mundo nos reflete, pois nossa energia gera uma tendência de comportamento das outras pessoas para conosco: a simpatia nasce da atração, a antipatia nasce da repulsa e a empatia nasce da simples identificação, sem atração ou repulsa.

#3: Reprograme suas emoções e corte os laços com o passado.

Nascemos pra nós mesmos e ninguém mais. Talvez escolhamos ter família e filhos, mas em nenhum momento podemos permitir que isso anule nossa missão de vida e substitua nossa condição de ser.

Não somos nossa família, não somos cônjuges, não somos pais. Essas são todas condições passageiras que adquirimos por opção e que vêm contribuir com nosso desenvolvimento e crescimento pessoais, mas não são o motivo pelo qual estamos vivos.

Nossa felicidade não tem nada a ver com ter filhos perfeitos, família linda, casa boa e dinheiro no banco e sim com nós mesmos.

Somos mais felizes quando conseguimos perdoar os outros por não terem sido perfeitos conosco e a nós mesmos por nossos erros do passado. Afinal, tudo isso contribuiu para sermos quem somos hoje.

O perdão e o auto perdão nos dão a possibilidade de recomeçar. Quando eles acontecem, desfazemos as amarras emocionais com o passado. O resultado disso? Uma profunda sensação de liberdade!

#4: Pare de gastar energia com o que já passou.

Sabe aquelas situações e pessoas com as quais queremos romper o fluxo de energia?

Quando há um desconforto ou incômodo em relação a alguém ou situação de um passado distante ou imediato, há uma ponte de energia fluindo a partir de nós que sustenta essa ligação perniciosa.

Quanto mais energia dedicarmos a isso, mais larga a ponte se torna e mais energia vai nos roubar pra sustentá-la em pé.

Pra acabar com isso é preciso reinventar nosso relacionamento com a pessoa ou situação em questão. E isso se consegue através de nosso próprio comportamento.

Algumas boas ideias são:

  • parar de contar demais sobre nossas vidas (incluindo as mídias sociais);
  • limitar nossa convivência com pessoas difíceis ao tempo que conseguimos nos manter bem e em equilíbrio;
  • escolher os assuntos sobre os quais não queremos conversar e sobre os quais queremos falar e nos atermos só a esses últimose
  • quando necessário, simplesmente partir pra outra e jogar a bola pra frente, sem pensar mais no que passou.

#5: Tenha um objetivo de vida e metas claras.

Um objetivo de vida é um sonho, um prazer, uma vontade que trazemos dentro do peito. Quando o definimos, ele funciona como um ponto de atração da prosperidade.

Temos dificuldade em identificar nossos objetivos – ou missão – de vida quando estamos aprisionados às nossas funções diárias. As funções diárias escoam nossa energia ralo abaixo porque fazemos delas o nosso motivo de viver. Colocamo-as em primeiro plano. Gastamos tanta energia com as coisas que têm que ser feitas, as coisas urgentes, que não sobra nada pras que são importantes.

Nossa energia deve estar sempre focada no presente.

A pegadinha se encontra exatamente quando decidimos que queremos fazer algo diferente. Diferente de que? Ora, diferente do que sempre fizemos no passado! E lá vai de novo a energia passado abaixo, nos conectando com o que já se foi.

Perdoem-me os mais recatados, mas que se dane tudo o que fizemos e quisemos antes pois isso não tem grande importância agora.

Agora, vamos fazer o que amamos e amar o que fazemos. Nossos sonhos não têm limite, nem prazo.

#6: Use sua criatividade pra visualizar e sonhar com o que te faz feliz.

Quando nos motivamos com um sonho, objetivo, plano ou missão, a energia que geramos muda nossa vibração e as coisas começam a acontecer.

Portanto, pergunte-se:

  • o que eu faço por mim?
  • o que a minha alma quer?
  • qual é o meu sonho mais autêntico?
  • eu tenho um trabalho que amo?
  • eu tenho um relacionamento amoroso feliz?
  • o que eu quero fazer das minhas virtudes?

É natural querer direcionar nossa energia pra criar e conquistar novas experiências. O que não é natural é viver pensando em não perder coisas.

A visualização criativa está relacionada com o que é conhecido como lei do merecimento, ou seja, com o que eu sinto que mereço. Ao visualizar nossos sonhos, devemos deixar fluir em nosso corpo a sensação real da conquista. Todos nós, em nossa trajetória de vida, certamente já vivenciamos um momento de superação e de vitória sobre algo que queríamos muito. É esse sentimento que invadiu nosso coração naquela hora – uma mistura de prazer, felicidade e expansão – que temos que trazer pra nossa visualização criativa.

E, super importante: sempre que fizermos a visualização, devemos estar prontos pra receber tudo agora mesmo e não em um momento futuro, pois as mudanças só acontecem no momento presente. Toda mudança adiada é colocada pra nunca.

O tempo é uma coisa criada. Dizer ‘Eu não tenho tempo’, é o mesmo que dizer, ‘Eu não quero’. – Lao Tsé

Isso nos leva ao próximo passo:

#7: Ponha energia e foco em sua visualização.

Toda visualização criativa evapora energias, que são formas-pensamento. Essas formas-pensamento se condensam formando nuvens brancas que vão se tornando mais densas até se cristalizarem e voltarem pra nós na forma de realizações.

Quanto mais concentrarmos nossos pensamentos, desejos, sentimentos e emoções em nosso sonho ou objetivo através da visualização criativa, mais rápido eles se cristalizarão e se tornarão reais.

Ao visualizar, deixe a certeza tomar conta de si. Não tenha nenhuma dúvida de que vai dar certo, porque vai! Sinta que já é verdade, que já está acontecendo, mesmo que ainda esteja em processo. Enxergue a árvore que a sementinha já carrega em si. Busque a calma e a serenidade de quem já tem, de quem compreende o processo. Quando ficamos em dúvida sobre qualquer coisa, emanamos uma sensação de medo, preocupação, tensão, angústia e ansiedade que dão a impressão de que queremos algo que não acreditamos merecer. E…

Quer você acredite que pode, quer você acredite que não pode, você estará certo. – Henry Ford

Estamos sempre certos.

A canalização de energia vai potencializar nosso desejo.

#8: Tome uma atitude.

A ação é o que nos aproxima de nossos sonhos.

Criar um link entre a nuvem e o mundo físico é necessário pra que o desejo se cristalize em realidade.

O sonho vem primeiro. Ele não tem limites, precisa de encanto. É nele que colocamos as coisas da alma, mesmo que pareçam impossíveis de acontecer. Tudo bem, é um sonho! Ao sonhar, permita-se entrar em uma dimensão paralela e não tenha medo de parecer louco.

A partir do sonho, criamos os movimentos que nos levarão mais perto de concretizá-lo. Tomamos atitudes, agimos no mundo físico. É aqui que vamos fazer as coisas acontecerem.

É hora de arregaçar as mangas e colocar mãos à obra!

#9: Entregue, descontraia e distraia-se.

Esse é o momento em que a maioria de nós se atrapalha.

Tendemos a achar que temos que estar o tempo todo nos certificando de que as coisas estão acontecendo. Temos um senso de imediatismo que acaba matando e enterrando todo o trabalho feito até aqui.

A entrega consiste em confiar. Confiar que vai dar certo. Confiar na vida e em suas leis. Permitir que o universo trabalhe a nosso favor.

Afinal, se pusemos em prática os 8 passos anteriores pra chegar até aqui, então a sementinha já está plantada em terra boa. O que fazemos agora? Cuidamos, regamos, protegemos das pragas, adubamos se necessário e aguardamos a natureza desempenhar o seu papel.

Se cutucamos o solo pra ver por que o brotinho não apareceu no dia seguinte, corremos o risco de matá-lo enquanto se desenvolve dentro da terra.

Então, respire e relaxe. Deixe a ansiedade ir embora com a água do banho.

#10: Seja grato.

Praticar a gratidão é entrar no estado de graça, é sentir que tudo na vida pode vir até nós de graça.

Não precisamos nos sentir devedores e nem sofrer pra conseguir as coisas que queremos. Podemos, mas não precisamos. Isso é uma invenção da sociedade.

A primeira coisa que recebemos nessa vida é o corpo que temos. E ele vem pra nós de graça, não pagamos nada por ele.

Observe uma mãezinha grávida. Pense no bebê que ela carrega em seu barrigão. Ele ganhou um corpo só pra ele, também um útero que o protege e alimento pra nutri-lo. Por quanto? Por nada.

Ele nasce e sua mãe lhe oferece amor e cuidados, lhe amamenta, lhe alimenta, lhe veste… Por quanto? Por nada.

Daí, um dia, ele cresce e lhe dizem que na vida nada é de graça. Que ele tem que rachar de estudar, que dinheiro não dá em árvore, que ele tem que trabalhar como um camelo e dar duro pra ser alguém.

Pra ser alguém? E o que ele era antes?

Ou entramos no fluxo da graça, em que as coisas chegam até nós porque já são nossas mesmo antes de nascermos, ou vamos sempre pagar caro pela vida. Trata-se de uma escolha e a escolha é nossa.

Quando estamos no nível humano, vivemos a energia das coisas esgotáveis, que nos ilude e nos manipula. Mas a energia do Universo não é essa.

Conecte sua mente com a energia do Universo, que é abundante, graciosa e inesgotável.

O que é melhor, vivenciar a culpa, a dívida e o esforço ou a abundância, a fartura e a graça da vida?

Enfim…

Aplique os 10 passos e veja os resultados aparecerem. Inclusive financeiros!

Saiba quem você é e quem você não é, conheça as qualidades e defeitos das pessoas que você atrai, reprograme as suas emoções e pare de se culpar pelas coisas que fez ou que não fez.

Eleve pessoas e situações desagradáveis pra outro nível de relacionamento, defina seus objetivos, escolha sua missão de vida, visualize a conquista de seus sonhos, concentre sua atenção no que você quer pra si, tome as atitudes necessárias, confie e espere.

O bom da vida é de graça.

 

 

Dias Bons

Dias bons.
Crédito da Foto: Tina Zani

Hoje vou fazer uma coisa diferente por aqui.

Quero compartilhar com vocês um texto que não é meu.

Foi publicado há algumas semanas no às nove no meu blog e me fez ter aquela vontade gostosa de ser assim todos os dias, cada momento, todo minutinho da minha vida.

Confesso que ainda estou engatinhando nessa arte. Estou na fase de praticar todos os dias, de tentar criar esse hábito, de fazê-lo se tornar minha rotina mais que gostosa.

Como bem disse a autora, é preciso treino e persistência constantes.

E vários lembretes esparramados pela casa e pela vida.

 

Há uns anos decidi que só me ia focar nos dias bons. Mantenho a mesma decisão até hoje: esteja ou não tudo bem, eu vou ser feliz. Esteja ou não tudo no lugar certo, eu vou ver sempre o lado bom do que e de quem me acontece na vida. Esteja ou não mais perto dos meus sonhos, eu sei que um dia chego lá. Porque quero. Porque me esforço. Porque mereço.
Dito assim, até parece simples manter este compromisso comigo. Dito assim, até parece fácil persistir nesta busca incessante pelo que me faz bem e decidir ser feliz «apesar dos apesares». E não é. Não é simples para mim, não é simples para ninguém. É preciso praticar todos os dias, como uma rotina. Escrever na agenda, na parede, na pele. Até que de uma forma de estar passe a uma forma de ser. A ser vivido como uma rotina, com a mesma naturalidade com que tomamos o banho que nos desperta, o alimento que nos nutre, o caminho que nos leva onde queremos ir, os abraços que nos esperam e regeneram no final de cada dia. Passar a não conseguir respirar sem este compromisso de não nos esquecermos de nós, de mandar calar os ais, os ses, os mas e os talvez, de afastar as nuvens cinzentas, as pessoas assim-assim, o menos mal e o vai-se andando. Passar a manter sempre por perto a alegria do que e de quem nos faz bem. Porque é assim, e só assim, que aprendemos a dar sempre valor às pessoas e às coisas certas que nos acontecem.

E com você, como é? Você é feliz apesar dos pesares? Consegue manter seu foco sempre nas coisas boas?

A Roda da Vida

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Final de semana passado aprendi uma coisa nova: um novo olhar para a rotina.

Costumamos achar que a rotina é chata, cansativa e massante e vivemos procurando maneiras de fugir dela para deixar a vida mais interessante, cheia de diversão, aventuras e novidades.

Tiramos férias, marcamos viagens, abrimos um vinho em uma segunda à noite, pegamos um cineminha em horário comercial,  encontramos os amigos pra comer bacalhau no almoço de sexta, dormimos até mais tarde na quinta de manhã… tudo pra escapar da rotina.

Fazer as mesmas coisas todos os dia pode ser mesmo bem cansativo… se as coisas que fazemos não nos dão prazer.

A palavra rotina se refere a tudo o que precisa acontecer em ciclos repetitivos.

A natureza é assim. Na natureza, o sol se levanta e se põe todos os dias; a lua muda de cheia pra minguante pra nova pra crescente pra cheia de novo a cada sete dias; as estações se repetem a cada ano, assim como as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos.

Nosso corpo é assim também. Cada orgão, cada célula tem sua rotina específica e perfeita: o coração só é saudável quando bate dentro de um ritmo rotineiro; qualquer coisa diferente vira arritmia, taquicardia, bradicardia.

A cada minuto, um certo número de batimentos cardíacos; a cada 7 anos, todas as células renovadas por completo; a cada mês, uma nova menstruação; a cada refeição, um processo digestivo.

A rotina é a roda que move a vida. É essencial para nos sentirmos bem, ainda que ela seja de constantes mudanças.

A questão é que ela deve ser prazerosa.

As atividades que se repetem no nosso dia a dia, quando nos trazem satisfação, bem estar e prazer, não nos deixam entediados e não nos levam a procurar fugas e escapes. Elas simplesmente nos completam.

Uma rotina chata e desmotivante é um sinal de que algo precisa mudar para que a roda não empaque e a vida continue seu movimento macio e sinuoso em direção ao infinito.

 

Amanhã Eu Faço Isso

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Ando deixando tudo pra depois.

Depois eu escrevo aquele post que acabei de pensar… Daqui a pouco eu termino aquela aquarela… Mais tarde eu sento pra desenvolver a ideia super legal que tive… Amanhã eu começo a rever e treinar francês… Já já eu passo a me dedicar mais ao meu treinamento de corrida…

Procrastinar. Eu tenho essa mania. Especialmente com as coisas que mais gosto e que me fazem tão bem, que me alimentam e me fazem ser uma pessoa melhor. Como se essas coisas não fossem assim tão importantes.

Sabe qual o jeito que mais gosto de usar pra procrastinar? Me ocupar com as coisas do lar: recolher a roupa suja dos banheiros, colocar na máquina, pendurar no varal, recolher do varal, arrumar a pia da cozinha, varrer a varanda, limpar a liteira dos gatinhos, limpar a mesa de jantar e os jogos americanos. Essas tarefas – e só essas – são as minhas favoritas em casa. Das outras não gosto (mas faço também).

Então, quando penso em pegar meu computador pra escrever, no meio do caminho até ele me dá um clique e, de repente, estou na área de serviço cuidando da roupa da família. Na minha cabeça penso que ‘vou fazer isso aqui rapidinho e depois…’ (completo a frase com o que quer que seja que vai ficar pra depois de depois de depois de depois… daquilo lá)Quando a noite chega, hu! Adivinhe… não deu tempo.

Ficou tudo pra depois que eu acordar no dia seguinte.

E no dia seguinte? A história se repete.

Procrastinar, a arte de deixar algo pra depois por motivos repreensíveis.

Mas eu não gosto disso. Não quero isso. E, pior, me cobro por isso. Isso precisa mudar.

Conheço gente que faz milagre com as 24 horas de um dia. Dão conta de si, de tudo, de todos e de mais um pouco.

Eu não quero fazer milagre, quero apenas dar conta de mim em todas as minhas facetas nas 24 horas do meu dia.

Parece que fiz a maior confusão. Sinto que inverti totalmente as coisas e o que deveria ser prioridade virou enrolação.

Fiquei esperançosa quando li um texto sobre isso hoje de manhã.

O texto traz umas dicas de como parar de procrastinar – o que achei muito legal e útil – mas o que mais tocou meu coração foi perceber que esse não é um problema só meu. Há mais alguém no mundo que também procrastina. E também não gosta. E quer mudar. Isso me deu uma sensação de pertencimento, de acolhimento. Me trouxe um sentimento de poder… poder mudar. Não estou sozinha nessa jornada.

Vou experimentar no meu dia a dia as dicas que encontrei lá.

Basicamente, o que tenho que fazer é quebrar o hábito de procrastinar através de pequenas sessões diárias de treinamento na atividade que quero realizar: começar com 5 a10 minutos por dia durante uma semana; depois, aumentar para 10 a 15 minutos por mais duas semanas e, na quarta semana, passar para 20 minutos.

Um pouquinho de cada vez, do jeito que eu gosto.

Pra me lembrar de realizar o treinamento, é uma boa ideia colocar um lembrete em algum lugar estratégico, tipo na tela do computador (no meu caso, o lugar ideal seria a máquina de lavar). E todas as vezes que der vontade de interromper a sessão pra fazer outra coisa, parar, prestar a atenção nessa vontade, deixá-la passar e retornar ao treinamento.

Se você quiser dar uma olhada no texto completo, vale a pena: How to Beat Procrastination with Daily Training

Sobre as Escolhas que Fazemos

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Ontem eu comi um peixe.

Depois de 6 anos de vegetarianismo, eu comi um peixe.

Um salmão.

Estava muito gostoso. Fui eu mesma que fiz, especialmente para essa ocasião.

Comi porque fiquei com vontade.

E sabe o que? Foi o máximo.

Eu me senti livre. Porque pude escolher comer um peixe quando me deu vontade.

A vida é cheia de escolhas. Todos os dias, começamos escolhendo nos levantar da cama; depois, escolhemos que bom ou mau humor vamos ter no início da manhã, para então escolher o que vamos comer no desjejum, que roupa vamos usar, se vamos sair no horário ou atrasados, que tipo de educação vamos ter no trânsito… Isso só pra falar de algumas escolhas básicas do dia-a-dia.

Mas a vida não é feita só de escolhas pequenas. Também temos que encarar as grandes, aquelas que envolvem mudanças significativas e importantes e, muitas vezes, arrastam outras vidas junto com a nossa.

É muito provável que todos nós já tenhamos feito uma dessas escolhas em algum momento da nossa curta existência nesse belo planeta. E nos colamos a ela porque naquele momento, naquele pingo de tempo, era isso que era pra ser. Era o que queríamos, como nos sentíamos ou, simplesmente, era o que era necessário. E essa escolha, veja só, passa a se confundir com quem somos. Sem que possamos perceber, ela se impregna em nós, nos nossos poros, nos nossos pelos e cabelos, se mistura na nossa saliva, reflete-se em nossos olhos, nutre a nossa pele, e nós pensamos que não podemos mais viver sem ela. Nunca mais.

Mas nunca é um lugar que não existe, e nós nos esquecemos disso.

Esquecemos que podemos escolher de novo.

Podemos, até, escolher o contrário do que já tínhamos escolhido antes! Isso não é maravilhoso?

Não estamos eternamente presos às escolhas que fizemos no passado. Nós podemos mudar. Porque somos livres.

Mesmo que muitas vezes acreditemos, com todos os argumentos, que não. E temos muitos bons argumentos. Eu os conheço muito bem.

Mas é preciso treinar. Porque nos habituamos tanto a ficar grudados e apegados às escolhas do passado, que mudar parece tão difícil…

Já imaginou que legal seria se todo mundo começasse a brincar de ser diferente do que era antes?

A pessoa levanta de mau humor, solta uma primeira patada, cai na real e, de repente, sem avisar ninguém, muda a chavinha pra um bom humor contagiante e surpreende todo mundo; ou então, no trânsito, vira com cara de enfesado pro coleguinha no carro ao lado, levanta a mão mas, no lugar de um gesto obceno, abre um sorriso bonito e manda um tchauzinho carinhoso.

Nossas escolhas antigas moldaram nossas vidas pelo tempo que fizeram sentido. Se hoje elas não nos servem mais, que façamos escolhas novas, fresquinhas em folha, sem a teia de aranha do tempo que passou.

Ontem eu fiz uma nova escolha. Escolhi olhar para mim e procurar com todas as forças quem sou eu e o que eu quero agora. Hoje. Nesse momento.

Eu gostei.