Lao-Tsé

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

O tempo é uma coisa criada. Dizer ‘Eu não tenho tempo’, é o mesmo que dizer, ‘Eu não quero’.

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O Passo

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Hoje estou naqueles dias em que nos perguntamos por que não somos e fazemos tudo o que queremos ser e fazer.

É como um tapa na cara, que nos faz abrir bem os olhos, arregalar, e olhar nossas escolhas de verdade.

Nesses dias, somos capazes de perceber o que nos falta com tanta nitidez que chega a embaçar os olhos. E, se não tivermos cuidado, deixamo-nos invadir por um sentimento de culpa e de fracasso que é arrasador.

Tem tanta coisa que quero fazer há tanto tempo e ainda não fiz. Tem tanta coisa que quero mudar em minha personalidade e ainda não consegui.

E o que falta pra eu ser e fazer o quero na minha vida? Por que ainda não fiz? Por que não mudei o que me incomoda?

Passei o dia me perguntando isso.

Acho que me falta um tanto de atitude, um pouco mais de autoconfiança, um bocadinho extra de autoestima e um montão de coragem.

Mas no fundo, no fundo, o que falta mesmo é tampar o nariz e mergulhar. Falta dar o primeiro passo e continuar andando, não importa quantos tropeços eu leve.

É isso o que falta. O passo.

Estou na linha de largada. A um passo de dar o passo. Sei que é isso que falta.

Será que consigo? Ah…

 

A Casa Alheia

A casa alheia.
Crédito da Foto: Leandro Zani

 

Adoro conhecer a casa dos outros.

Falo da casa que não foi arrumada com antecedência e intencionalmente.

A casa mesmo, do dia-a-dia.

Sabe quando você vai visitar alguém por acaso e, com uma descontraída xícara de café na mão, a pessoa te proporciona um delicioso passeio minucioso pelo seu espaço, te apresentando todos os ambientes, cada quarto, cada cômodo, todos os móveis, relicários, apetrechos, as bagunças, as roupas pelo chão, os brinquedos esparramados, a cama que não foi arrumada, a cozinha pequena, os banheiros com paninho de chão embolados, as ferramentas, até os varais improvisados. Adoro.

É como se, a cada cômodo, uma camada de proteção se derretesse no chão e a pessoa vai, pouco a pouco, se desnudando e se mostrando na essência. Vamos lhe conhecendo de verdade, cada pedacinho.

E quando a casa é compartilhada com outras pessoas é ainda mais fascinante, pois ao nos levar pelo passeio, a cada apresentação se sucedem comentários e fatos a respeito das particularidades dos outros moradores.

Quando tenho o privilégio de ser presenteada com a casa de alguém fico em deleite. Sorvo cada detalhe, respiro cada espaço vazio, preencho-me com cada pedacinho de bagunça, tatuo em mim todas as cores, aromas, sabores, impressões.

Quanto menos perfeição encontro, mais fascínio me causo.

Conhecer a casa dos outros é quase um processo de autoconhecimento.

Paradoxo? Sim e não. Enquanto me atenho despreocupada e maravilhada aos detalhes da casa alheia, inevitavelmente penso na minha própria e concluo que, de perto, somos todos humanos.

Somos todos hu-ma-nos.

A Vítima Não Sou Eu

A vítima não sou eu.
Crédito da Foto: Tina Zani

 

Aqui está a linha: ___________________________

Acima da linha está a leoa, rugindo com firmeza o som rouco que vem das entranhas.

Poderosa, ela exerce o domínio sobre sua própria vida, aceita e assume a responsabilidade por seus sucessos e seus fracassos. Caça, abre caminhos, corre, protege, enfrenta, rola, se enrola, procura, defende, faz as coisas acontecerem e assume as consequências de seus atos ou omissões.

Abaixo da linha está a vítima, indefesa, choramingando e reclamando da vida.

Coitadinha, acha que a culpa de sua infelicidade e de seus problemas é sempre dos outros, encontra desculpas esfarrapadas para suas falhas e fracassos e nunca assume as rédeas de sua própria vida.

A vítima está sempre entregue.

Sempre fraquinha. Sempre amassada, pisada, mordida.

Posso escolher ser a leoa ou a vítima.

Agora, a pergunta que não quer calar… Neste momento, onde eu estou, acima ou abaixo da linha?

A Incrível Arte de Escolher Bem

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

 

Tem coisas que acho tão difíceis de decidir…

São coisas boas pra mim ao mesmo tempo que não são. Sabe?

Situações de possível crescimento pessoal, profissional e econômico, mas que chegam em uma hora em que não pedimos, não quisemos, não esperamos mais.

Simplesmente aparecem assim, do nada, na nossa frente, e nos obrigam a escolher.

Normalmente, são relacionadas a assuntos nos quais não estamos mais focadas. Já partimos pra outro, por opção ou decepção, e deixamos aquele para trás. E, de repente, ele volta e nos tenta. Nos atormenta com promessas interessantes que teriam sido muito mais bem vindas no tempo em que aquele sonho parecia belo e possível.

Fico pensando se isso acontece pra testar nosso foco, nossa capacidade de dizer não e seguir em frente, de cabeça e coração totalmente apaixonados pelo novo caminho, ou se é pra agregar e colaborar financeiramente enquanto o tal novo caminho ainda não dá os frutos esperados.

Fico dividida.

Ao mesmo tempo que penso em dizer não, quero o dinheiro que ele pode me proporcionar. E quando considero dizer sim, me sinto vendida e desviada de mim mesma.

E, se por acaso tomo uma posição e escolho levar adiante, com unhas e dentes, o novo caminho que escolhi, me falta a coragem para negar a tentadora oportunidade.

Ahhh… Que impasse.