Sobre Confiar e Entregar – Uma Fábula

Sobre confiar
Crédito da Foto: Tina Zani

 

O sonho é a semente.

Toda semente contém, em si, todos os códigos pra gerar seus frutos.

Se quero ter maracujás, morangos, jabuticabas, tomates e laranjas em meu quintal, planto as sementes certas em terra fértil e sei que elas vão germinar.

A Natureza é sábia.

Não adianta ficar ansiosa, querendo colher as laranjas, maracujás, jabuticabas, morangos e tomates no dia seguinte.

Também não adianta cutucar o solo uma semana depois porque nenhuma planta apareceu, matando, sem querer e por afobação, o brotinho que estava escondido e se desenvolvendo embaixo da terra.

Na verdade, o que me cabe é escolher muito bem as sementes, preparar a terra e plantar.

Depois, regar quando a terra estiver seca, dar banhos de sol, tirar as ervas daninhas, combater as pragas.

Cercar e proteger o terreno, se perceber que este está sendo invadido.

Dar carinho e atenção e também alguma conversinha.

Mas não cabe a mim fazer o fruto nascer. Isso cabe à Natureza.

O fruto é a consequência natural de uma semente de boa qualidade, plantada em um solo fértil, com água e sol na medida e tempo suficiente para se desenvolver.

O fruto é o sonho realizado.

A mim, resta confiar e entregar.

 

 

Com Cheirinho de Hortelã

Reinventar com Cheirinho de Hortelã.
Crédito da Foto: Tina Zani

 

Há quanto tempo você não começa a se relacionar com um grupo novo de pessoas, todas de uma vez?

Pra mim, fazia muuuuito tempo. Tanto, que eu já tinha me esquecido o quanto isso é gostoso, renovador e estimulante.

É uma maravilhosa oportunidade de exercer e desenvolver o carisma e a capacidade de fazer novas amizades.

Aconteceu comigo recentemente.

Em uma situação assim, onde ninguém te conhece ainda, é possível ser qualquer coisa que almejamos, de qualquer jeito que queremos, sem necessariamente causar qualquer estranhamento.

Podemos fazer mudanças positivas, significativas e prazerosas em nosso comportamento sem que o outro tenha qualquer expectativa, já que não sabe quem somos.

Se sempre fomos tímidos, podemos ousar ser espontâneos; se normalmente somos quietos, podemos passar a ser tagarelas; se estamos acostumados a passar despercebidos, podemos começar a chamar a atenção; se nos achamos sérios demais, podemos praticar ser mais divertidos, descontraídos, alegres, sorridentes, cativantes. Podemos ser criativos e nos reinventar.

Fazer parte de um novo grupo torna as mudanças mais fáceis. É como começar do zero.

Uma hora, as novas atitudes estarão tão dentro de nós que começarão a aparecer, inclusive, nos nossos antigos círculos sociais também. Nesse ponto, quando isso acontecer, seremos uma pessoa completamente renovada, potencialmente melhor do que antes, exalando frescor e cheirando a hortelã.

Pra mim, isso é delicioso. Experimente!

Simples Assim

Foto Tina Zani
Foto Tina Zani

 

Tentar viver na perfeição é desumano.

Somos perfeitamente imperfeitos. A imperfeição é uma característica humana.

O perfeccionismo anda de mãos dadas com a vaidade, com a preocupação com a imagem de nós mesmos que criamos para os outros.

As posturas perfeccionistas são competitivas. Elas nos aprisionam e nos torturam.

Atitudes cheias de simplicidade são recheadas de coragem.

Quem não é simples, é complexado. Cheio de complexos.

Sonho Semente E Semente de Sonho

Foto Tina Zani
Foto Tina Zani

 

Uso muita couve em casa.

Todas as manhãs, faço um suco de coisas boas misturadas com prána e coloco 2 folhas de couve para bater junto. Já compartilhei por aqui a receita.

Vão de 2 a 3 maços por semana. É bastante.

Então, resolvi plantar para ter sempre, sem precisar depender da compra semanal no varejão.

Comprei um saquinho de sementes, arrumei uma floreira, preparei a terra, fiz os buraquinhos e plantei várias sementinhas. Reguei e dei banhos de sol conforme as instruções do pacote. Dei carinho e atenção também e alguma conversinha.

Tirei a erva daninha que começou a povoar a terra.

Depois de várias semanas, um brotinho, pequeno e frágil, começou a despontar. Verdinho, verdinho.

Só um. Unzinho.

De todas as sementes que plantei, das várias que cuidei, reguei, incentivei e esperei, só uma vingou.

Nasceu assim, como quem não quer nada e foi aparecendo e abrindo os braços para o sol, cada vez maior, mais verde, mais robusto, mais forte.

Acho que os sonhos são assim também.

Precisamos ter muitos deles enfeitando nossas cabeças, nossos corações e nossas vidas.

Eles devem ser regados, alimentados, nutridos, iluminados pelo sol. Precisam ficar arejados e temos que conversar com eles todos os dias. Pensar neles. Vê-los com nossos olhos de dentro. Fazê-los sentir-se abraçados, desejados, cuidados.

Temos que afastar deles as palavras daninhas, os palpites de olhos gordos, para que não sufoquem e tenham espaço para crescer, se desenvolver e criar raízes fortes.

Temos que trabalhar neles e por eles.

Todos os dias. Todas as manhãs. Todas as noites. Sempre. Continuamente.

Um dia, um deles, unzinho, vai começar a sair do sonho pra virar vida de verdade.

O sonho é a semente.

Meu Zen, Meu Bem, Meu ‘Mau’

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Outro dia eu conversava com uma amiga sobre casais, casamentos, relacionamentos, descasamentos, essas coisas.

No meio da conversa ela me disse que estava tudo certo com o relacionamento dela. Estava tudo bem, era bom, e por isso eles continuavam juntos. Mas se um dia não fosse mais assim, tudo bem também. Ela não veria problemas em se separar e tocar a vida. Tranquilo, cara, sabe?

Eu a ouvia falar e pensava com meus botões, ‘Poxa, que legal. Quanta leveza. Que desprendimento. Também quero ser assim.’

Mas então, quando essa empatia pela fala dela se apossou dos meus pensamentos, ouvi um delicado clique e a torrente de identificação foi-se embora descarga abaixo, ‘Espere aí, gente. Não. Para. Eu não sou assim. Eu… Não, não quero ser assim.’

E aí entendi que provavelmente nunca usarei uma fala como aquela.

Se um dia meu casamento tomar um caminho realmente sem volta e se acabar, sei que vou dar conta. Também vou tocar a vida.

Mas vou sentir tantas saudades…

É que eu gosto. Gosto de verdade. Dele.

Gosto de ficar juntinho, de fazer preguiça na cama de manhãzinha, de sentir o calor tão carinhoso do abraço que ele tem, de contar minhas coisas pra ele, de ganhar seus beijinhos, de andar de mãos dadas, de ver seu sorriso alegre e seu nariz de flechinha, de dormir de conchinha, de andar na garupa de sua moto, de encostar testa com testa nariz com nariz e olhar bem lá no fundo dos olhos, de dar beijo de bichinho.

E, acima de tudo, gosto do companheirismo que temos, da história que estamos escrevendo, dos caminhos que partilhamos, das memórias que construímos.

Gosto. De corpo, alma e coração. Dele.

Eu não teria aquela leveza da minha amiga. Não diria que agora está tudo bem, mas quando não estiver, vou tirar de letra.

Mas aí, logo em seguida, um pensamento mais irônico me ocorreu, ‘Humm, será que o que eu gosto de verdade não é o desafio de me superar a cada dia e conseguir permanecer junto, casada, ainda que seja complicado e haja desentendimentos, muitas diferenças (somos seres completa e totalmente opostos) e discussões? Será que eu não estou aqui, me achando, toda orgulhosa porque me sinto uma guerreira vitoriosa de uma causa atualmente tão perdida e isso melhora minha autoestima?’

Não, gente. Não é isso, embora tudo isso seja verdade. Casamento não deixa de ser uma maravilhosa experiência de autossuperação, um desafio diário de me lapidar, melhorar a todo instante, de exercer o olhar, o ouvir e o silenciar, de saber o que, quando e como falar. Entregar-me sem me entregar. Possuir sem ter. Compartilhar ao invés de dividir. Escolher nâo desistir. Permanecer, sem ficar no mesmo lugar.

Mas mesmo que eu tirasse todas essas vantagens do meu casamento, ainda assim, lá no fundo do coração, ia sobrar o meu gostar muito dele. Um gostar gostoso de sentir, que me preenche e me aquece e me faz, sim, querer superar todas as dificuldades pra ficar juntinho.

Por isso, minha fala seria um pouco diferente daquela da minha amiga:

Agora está tudo certo, está tudo bem, é bom e por isso estamos juntos. Já não esteve. E quando não estiver novamente, vou escolher lapidar até voltar a brilhar. Porque eu gosto. Dele.