Nadar, Nadar e Morrer Na Praia… Às Vezes Acontece.

Às Vezes Acontece.
Crédito da Foto: Tina Zani

 

Às vezes acontece de não acordarmos em um bom dia. Nesses dias, passamos o tempo a resmungar, lamentar e reclamar, seja pra fora – em alto e bom tom, seja pra dentro – como um grilo a cricrilar em nossa cabeça e a ecoar em nosso coração.

Nesses dias, o melhor que temos a fazer é parar e começar de novo. Parar tudo, tudinho, sentar sozinho por alguns instantes, fechar os olhos e respirar profundo soltando o ar bem devagar pra que esse movimento, constante e suave, encha o corpo de vitalidade.

Às vezes acontece.

Mas quando estamos a reclamar da vida por dias, semanas, meses a fio… Bom, daí algo está realmente fora dos eixos.

Nesses casos, temos que nos perguntar pra onde queremos ir e pra onde, de fato, estamos indo.

Eu sei o que eu quero? Sei o que não quero?

E o que eu tenho feito pra mudar o que não gosto na minha vida?

As coisas não vão mudar e se resolver sozinhas só porque estamos insatisfeitos e reclamando. Se quero mudança, tenho que fazer as coisas de forma diferente. Fazer e pensar tudo sempre do mesmo jeito gera sempre os mesmos resultados.

Resultados diferentes pedem atitudes diferentes. Consigo, com os outros, com a vida.

Como disse Henry Ford, quer você acredite que pode, quer você acredite que não pode,
você estará certo. 

Estamos sempre certos.

 

 

 

 

Saúde!

Foto de Mauricio Zani
Foto de Mauricio Zani

Esse ano, a Páscoa não aconteceu como planejada.

A começar pela viagem que faríamos para a praia e que não rolou por causa de provas na escola.

Mas, ainda pior do que isso, peguei dengue!

Começou na quinta-feira, justamente na véspera do feriado. E veio com tudo: febre, dor insuportável, principalmente nas costas, gosto amargo na boca e, quando achei que já estava boa, uma coceira infernal.

Embora agora esteja me sentindo bem melhor – 11 dias depois – ainda não estou zerinho. E, segundo minha amiga Lu, que é médica, leva mais uns 10 dias para tudo voltar ao que era.

Eu, de minha parte, tenho que discordar: jamais voltarei ao que era.

Esses dias que passei prostrada, sem forças nem para bocejar, me puseram em contato com questões tão importantes e vitais que algo muito significativo mudou dentro de mim.

A começar pela nítida noção de que querer, sonhar, planejar e executar não têm o mínimo sentido se não houver saúde.

Saúde – do corpo, da mente, das emoções – é a base da vida. É o começo de tudo.

Sem saúde não tem bom humor, não tem disposição, não tem alegria. Não dá pra praticar esportes, ir ao cinema, almoçar fora, bater papo. Não dá pra trabalhar, pra viajar, pra levantar.

E, embora eu cuide muito bem da minha saúde, fui picada pelo bendito mosquitinho.

Passei meu feriado de cama. Não vi Páscoa, não vi coelho, não vi ovo de chocolate, não vi nada.

Minha vida nova está começando com uma semana de atraso, mas com um olhar realmente novo para mim e para as coisas da minha vida.

Então, saúde!

 

O Bom Humor & O Mau Humor

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Mau humor é cara feia.
Bom humor é um sorriso alegre.
Bom humor é a vida que se derrama.
Mau humor é um dolorido joanete.

Mau humor é feio.
É grosseria, desrespeito.
Bom humor é delicadeza.

É sonho e leveza.
Mau humor é um caminho reto.
Bom humor é uma escada em caracol.

O mau humor é ridículo.
O bom humor é uma brisa arrepiando os pelos da pele.

Mau humor é chatão.
Bom humor é atenção.
Mau humor é contagioso.
Bom humor é contagiante.
Mau humor é um barulho incômodo.
Bom humor é essencial.
Mau humor é azedo.
Bom humor é maracujá.

Mau humor é cego e surdo.
Bom humor tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.
Bom humor é bom…
Mau humor não é.

Mau humor é um grito estridente e desesperado.
Bom humor é o silêncio feliz.
Bom humor é perfume de jasmim.
Mau humor é cheiro de chulé.

Mau humor estraga o dia.
Bom humor conserta o mundo.
Bom humor é carinho, é amizade.
É alegria, é claridade.

Mau humor é um tédio.
Monotonia. Burrice.
É  bicudo e amargo.
Tem cheiro ruim, provoca brigas, cria desavenças.

Bom humor liberta e faz crescer.
Abre portas, provoca sorrisos.
Planta doçura, brilha os olhos.
E se enamora.

Mau humor é sapato apertado.
Bom humor é um chinelo de dedo.
Mau humor é um cisco nos olhos.
Bom humor é a menina dos olhos.
Mau humor dói que nem farpa no pé.
Bom humor é o beijo que cura.
Mau humor é som de despertador.
Bom humor é o Bolero de Ravel.

Mau humor afasta.
Bom humor aproxima.
Mau humor cala e desconcerta.
Bom humor chama pra conversar.

Mau humor estraga a viagem.
Bom humor salva.
Solta as amarras, derrete o coração, alarga os sentimentos.
Descontrai os punhos, acalenta os ouvidos, conforta e aninha.

Ah, o bom humor…
Sejamos todos por ele.

 

De Chocolate, Por Favor.

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Meu sorvete favorito é o de chocolate – especialmente o de chocolate com pedaços da Sergel, que é bom, farto e barato e, para ocasiões especiais, os da Häagen-Dazs.

Eu não gosto de sorvete de creme.

Mas tenho que admitir que sou uma das únicas pessoas que conheço que não gosta desse sabor. O consenso, a maioria, é pelo creme.

Sobremesa para um jantarzinho com amigos em casa? Sorvete de creme. Petit gateau? Sorvete de creme. Bolo com sorvete? É de creme. Para a criançada no churrasco? Sorvete de creme.

Para mim o sorvete de creme é sem graça. É apenas creme. Sem emoções, seguro, conhecido, confortável.

E é por esses mesmos motivos que ele agrada a maioria. É suave. É conhecido. É confortável. Não demanda grandes emoções. É seguro. Não há risco.

Embora defenda com unhas, dentes e colher na mão o meu legítimo direito de preferir sorvete de chocolate, às vezes não tenho a mesma bravura e ousadia quando se trata de me apropriar dos meus sonhos, minhas opiniões sobre um assunto, meus pensamentos compartilhados com a vida afora.

Tenho a péssima tendência de querer agradar a todos e, aos poucos, ao longo do tempo, sem perceber, acabo tornando minha vida um sorvete de creme. Sem graça. Conhecida. Confortável. Segura. Sem grandes emoções.

Vou adaptando os sonhos, reescrevendo os planos, aparando as arestas e procurando me encaixar.

Por isso, outro dia compartilhei aqui meu profundo desejo de assumir minhas desigualdades. Minha ‘uniquez’ – ou diferencial, se você é da turma da baunilha.

É muito fácil ser apanhada na armadilha do sorvete de creme.

Ela aparece quando compartilho com alguém um pensamento não unânime, um sonho descabelado ou um objetivo que arranha tudo o que é seguro e confortável na cabeça e no coração do outro.

E quanto mais desligada das minhas imperfeições e das coisas que me fazem única nesse mundo, mais eu tento agradar… a todos. E a armadilha do sorvete de creme me lambuza dos pés a cabeça.

Não. Não quero sorvete de creme para mim, nem para servir aos outros.

É impossível agradar a todos.

Quero sorvete de chocolate. Com pedaços. Com macadâmia. Com cookie. Com menta…

Para não errar ou para agradar, vá de creme.

Mas para ser feliz, tem que mergulhar no sabor predileto, apropriar-se dele e oferecê-lo à vida, de cabeça erguida. Com bravura. Com certeza.

Não queremos pessoas iguais. Queremos a gente, como a gente é. Única e desigual.

Nem todo mundo vai concordar com nossos pensamentos ou acreditar em nossos sonhos. Tudo bem. Isso não faz deles melhores ou piores, apenas diferentes.

 

Meu Corpo, Minha História

A pessoa chega pra você, nunca te viu antes, acabou de te conhecer e já despeja suposições baseadas em sua aparência. Você tem X filhos? Ah, certeza que puxa ferro e faz muita academia! ou O que você fez pra ficar com o corpo assim, hein? ou ainda Nossa, Fulana, o tempo não passa pra você? e fica esperando a resposta. Mas, como é que se responde a essas perguntas?

O corpo e a cara, contam uma história, a sua história.

Quem você é, o que você pensa, o que você sente, o que você viveu, como lida com suas emoções, com seus relacionamentos, com seus problemas, com sua vida. Está tudo ali, minha gente. Ou não?

Ele traz as suas marcas. Tem cicatrizes – das cezáreas que sofreu pra dar à luz seu primogênito e sua caçulinha e das episiotomias de quando pariu seus outros dois filhos -, tem linhas de expressão ao redor dos olhos sugerindo todos os momentos felizes e tristes que viveu, alguns cabelos brancos, unhas não tão fortes, um colesterol que às vezes insiste em subir mesmo com sua alimentação vegetariana e as corridas que faz.

Seu corpo é seu e não é mais igual ao corpo que você tinha há 15 anos atrás. Ele mudou. A vida o fez mudar, se transformar. É um corpo maduro, mas que você gosta, pois aprendeu a gostar. Cuida dele com carinho, com atenção, mas sem neuras.

Não tem ganas de ser imortal e ter cara de jovem com corpo de menina eternamente. Essa corrida desvairada contra o envelhecimento e pela perfeição, em qualquer campo da vida e acima de tudo, é muito dolorosa. A perfeição não existe e o envelhecimento está muito mais dentro da cabeça do que no corpo. Se o corpo está velho é porque a cabeça ficou velha primeiro; se o corpo está largado é porque algo ficou largado na cabeça primeiro; se o corpo está doente, algo adoeceu dentro da cabeça antes disso. E quando se quer cuidar do corpo, há que se cuidar da cabeça e aceitar que a única coisa constante nessa vida é a mudança: dos segundos, das horas, dos dias, dos meses, das estações, da lua, dos anos, das marés. Tudo muda.

O corpo de hoje é a consequência do que vivemos, pensamos, sentimos e fizemos até aqui, e isso é lindo!

O corpo que teremos nesse mesmo dia do ano que vem vai mostrar tudo o que vivermos, pensarmos, sentirmos e fizermos até lá, de uma forma única, especial e diferente de qualquer outra pessoa na face da Terra. E assim será,  até o final dos tempos.

Olhar no espelho e apreciar o que vemos com carinho é compreender que somos únicos, que ninguém mais pode viver o que vivemos, que a história é nossa e somos nós mesmos que a escrevemos todos os dias.

E podemos escrevê-la sentados no sofá encontrando todas as desculpas possíveis pra não sair do lugar, ou enfrentando nossos medos, inseguranças e a famigerada preguiça pra redigir uma linha diferente a cada dia. O resultado, certamente, vai ser outro.

Todo mundo tem milhares de situações que serviriam de excelentes desculpas pra ficar sentada, enfiada dentro de casa, se lamentando, sem se mexer. Mas, as recheadas de sonhos, planos, desejos e disposição escolhem dar a cara pra bater, sair e ver o mundo, driblar seus limites e protagonizar sua história com propriedade. Nem sempre é fácil. Nem sempre conseguem.

Mas tudo bem, porque a vida é isso mesmo, um constante cair e levantar. E a queda de ontem nos faz mais fortes pra encarar os desafios de amanhã, com boa vontade e criatividade.

Há algum tempo atrás, por exemplo, tive muitas tentativas fracassadas de recriar o hábito de correr e não consegui. Então, arrumei um caderninho e, toda vez que saio para correr, trago comigo uma folha ou flor que apanho pelo chão pra colar em uma das páginas. O fato é que eu colo a flor, ou folha, só quando corro.

A sedução de ver o caderno repleto com a minha colheita passou a ser tentadora. É uma delícia folheá-lo e ver com meus próprios olhos o registro dos dias que driblei a preguiça e dei o primeiro passo. A corrida acabou virando uma diversão e meu comprometimento passou a se refletir no meu corpo que, por sua vez, continua contando a minha história.

Experimente fazer algo assim pra ajudar a concretizar seus objetivos. Pense em algo que te dê prazer. Pode ser tão simples quanto colecionar folhas de árvores a cada vez que conseguir cumprir com seu combinado. Em pouco tempo, você vai gostar tanto do que está construindo que não vai querer parar.

Mas, voltando à minha pergunta do início do texto, quero saber como é que você responde?