Dentro do Coração

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Adoro reencontrar amigos.

Esse fim de semana que passou fui a um casamento em BH, de um amigo querido que vejo muito pouco.

A noiva estava linda, a festa foi super divertida, o noivo estava emocionado, mas o melhor de tudo foram os reencontros que aconteceram.

Gente que mora aqui, na mesma cidade que eu, e que fui rever em Minas Gerais.

Amigos com quem ri, chorei, viajei, compartilhei e convivi de perto, anos a fio no passado, e que o tempo e a vida levaram para outros caminhos.

Pessoas que guardo no peito, junto com todas as lembranças boas.

Mas nem o tempo, nem a distância, são suficientes pra apagar os laços que criamos e, uma vez reunidos, a intensidade dos sentimentos e a sintonia da amizade brilha de novo nos olhos, nos lábios e nos poros.

O coração fica contente e a vontade é de que o tempo pare.

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A Pedra dos Amigos

Foto de Maria Fernanda
Foto de Maria Fernanda

 

Tenho um amigo que tem um sítio. Fica na sinuosa serra de Taubaté.

Um lugar onde se chega ao céu antes de morrer – palavras da mãe dele, que é uma pessoa muito especial.

De dia o céu é um azul profundo. De noite, é escuro como breu, com todas as estrelas do universo nos espiando feito pipoca derramada. Tem brisa, tem bruma, ter ar de verdade.

No sítio passa um rio e no meio do rio há uma pedra. A Pedra dos Amigos.

Nesse último final de semana, tive o privilégio de passar três dias lá e arrastar meus filhos comigo. Eles não queriam ir, mas eu fiz questão que fossem. Acabaram indo arrastados mesmo.

Conheceram São Luis do Paraitinga e a igreja que foi destruída pela força das águas, se reuniram em volta da lareira que teimava em não se acender, fizeram trilha na mata atlântica, tomaram banho de cachoeira, nadaram no rio e se encontraram na Pedra dos Amigos – carinhosamente denominada Ilha dos Caras pelos que os precederam. Sem energia elétrica. Sem ipad, ipod, iphone. Sem internet nem telefone.

Um final de semana bem diferente dos outros.

Eles adoraram!

É muito comum fazermos sempre as mesmas coisas, com as mesmas pessoas, do mesmo jeito.

Acreditar que ter uma vida social próspera significa sair todas as noites e almoçar fora todo final de semana é um pensamento muito medíocre.

Uma vida social digna de um ser humano feliz envolve desafios. Fazer coisas diferentes com pessoas diferentes ou coisas diferentes com as pessoas de sempre ou, até,  coisas de sempre, mas com pessoas diferentes.

Quando nos abrimos para o novo, exercitamos a nossa juventude.

Ficamos velhos quando insistimos em repetir o que já sabemos de cor. O mesmo comportamento empoeirado, a mesma ladainha desgastada de tanto uso, o mesmo pensamento embolorado.

A vida é um movimento contínuo e belo, no qual nada permanece igual. Quando estamos vivos, abrimos as janelas e deixamos o sol entrar. Arejamos.

Quem está parado já morreu.