A Surpresa que Chegou pelo Correio

Foto de Michelle Sun
Foto de Michelle Sun

 

«Não sei o que certas coisas querem dizer, mas sei que são sagradas, e, por isso mesmo, guardo-as como tal. Falo de coisas simples, como o olhar limpo, a verdade pura, o riso claro, a intimidade reta, e respeito fundo. Falo da substância do amor.» Laurinda Alves

 

Hoje de manhã encontrei uma gota de carinho entre as minhas correspondencias.

Um envelope branco, escrito a mão com tinta preta, que veio de longe, lá de além mar, do coração de outrem para encher o meu de ternura e deixá-lo molinho feito gelatina de cereja. Uma surpresa.

Uma foto.

Não uma foto digital, falo de uma foto de verdade. Esta foi batida no dia 9 de março deste ano, revelada, impressa em papel fotográfico de qualidade, acondicionada carinhosamente em um envelope, endereçada e remetida por avião lá da França para a minha casa aqui no Brasil. E com dedicatória.

E o ser humano que desenhou esse girassol no meu peito só esteve comigo uma fração de hora em um único dia frio de março. Nunca havia me visto. Somos quase estranhas uma para a outra, mas ela tirou a foto e, pasme… revelou e enviou.

Quem ainda faz essas coisas hoje em dia? Revelar uma foto em papel… Enviar para alguém via carta…

Ao segurar o envelope, com as pontas dos meus dedos quase toco o cuidado e a atenção que viajaram junto com ele. Esse envelope veio cheio de humanidade e derramou pétalas de vida por todos os meus cantos.

Tantas pessoas passam por nossas vidas sem que notemos… Por tantas vidas passamos sem sermos notados.

Sempre podemos escolher fazer a diferença.

Todos os dias, podemos escolher tornar a vida de alguém ainda mais especial.

Alguém que conhecemos, alguém que não conhecemos, alguém que apenas passou por aqui, ou alguém que sorriu pra foto.

Certas coisas são sagradas. Certas coisas são humanas. Essas coisas, guardo no meu coração.

 

 

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Sobre Somar e Dividir

4 irmãos
Nós 4.

 

Esse domingo que passou foi o último dia das ‘férias dos primos’, que começaram em 13/12/2014, com a chegada da minha irmã e família vindas dos States.

Meus pais receberam meus três irmãos com o genro e as noras, nove dos onze netos (só faltaram meus dois mais velhos) e mais três amiguinhas das minhas sobrinhas. Há praticamente 40 dias que meus filhos mais novos se mudaram para a casa deles para se juntar à folia que rolou por lá durante esse último mês.

A casa ficou cheia e alegre e a criançada se divertiu a beça. Todos os quartos estavam lotados e houve noites que meus pais dormiram na sala para acomodar melhor hóspedes tão bem-vindos, queridos e especiais.

E domingo foi o dia da despedida. Despedida nunca é legal, mesmo quando não vai durar muito ou quando quem parte está indo ser feliz. A separação é que é dolorosa. E nesse caso em especial, depois de 40 dias com a casa lotada e barulhenta, o silêncio e o espaço ficam mais evidentes para todos, quem vai e quem fica.

No domingo a noite, um pouco antes das despedidas, meu pai resolveu promover um sorteio entre todas as crianças que passaram por sua casa durante as férias – inclusive as que já não estavam mais por lá – e também meus irmãos e eu. Juntou seus trocados e colocou em envelopes com dizeres carinhosos. Cada envelope tinha um valor um pouco diferente do anterior e o prêmio ía aumentando gradualmente. Todas as crianças terminaram a brincadeira com um dinheirinho.

Então chegou a hora dos últimos 4 prêmios, que tinham sido reservados para mim e meus irmãos.

Tenho 2 irmãos e 1 irmã.

A história de hoje é sobre meus dois irmãos homens.

Nessa noite de domingo, apenas um deles ainda estava em Campinas conosco e foi com ele que participei do sorteio.

Como estava dizendo, tinham sobrado 4 prêmios e 4 papéis com nossos 4 nomes. Cada envelope, segundo a brincadeira, tinha uma quantia um pouco maior do que a anterior, ou seja, o 1º prêmio era maior que o 2º, que era maior que o 3º, que era maior que o 4º.

E eu, preocupada só comigo mesma, cheguei na sala achando uma maravilha ganhar um dinheirinho extra e torcendo para ficar com o primeiro e maior prêmio, totalmente absorvida pela vontade de ser a escolhida, a favorecida pela sorte.

Mas acontece que, enquanto eu estava mergulhada nesses pensamentos mesquinhos, meu irmão sorteou o primeiro nome e, antes de abrir o papel, me fez uma proposta que me trouxe de volta lá do mundo dos egoístas e gananciosos: ‘E aí, Ti, a gente soma e divide, han?’

_Ok! Claro! (e, caramba, como foi que eu não pensei nisso também???)

Pois o nome que estava escrito naquele papelzinho era justamente o meu. Recebi o 4º prêmio. Meu irmão ficou com o 2º. E sabe o que fizemos? Somamos e dividimos… só que não, porque os valores que estavam dentro dos dois envelopes eram iguais! (Como acho que também eram os dos outros 2 envelopes. Pegadinha do Paulão.)

E essa situação me fez lembrar um Natal, há vários anos atrás, em que meu outro irmão nos surpreendeu dividindo com nós três um dinheirinho extra que ele havia ganhado. Assim. Por nada. Porque sim. Ele já era casado. E já tinha seus dois filhinhos. E dividiu com a gente também.

Olhando lá para trás na vida de nós quatro, consigo encontrar as raízes desses nobres comportamentos dos quais fui testemunha. Aprendemos a dividir dentro de casa, na convivência com nossos pais, através de seus exemplos. O ‘somar e dividir’ já acontecia quando éramos crianças e ganhávamos presentes ou dinheiro de terceiros. Crescemos praticando o compartilhar, o olhar para o outro, o preferir o ganha-ganha.

Gentileza gera gentileza, já dizia o poeta.

Dessa vez foi meu irmão que tirou o maior prêmio (embora tenha sido igual ao meu). Da próxima vez posso ser eu. E nós vamos somar e dividir de novo.

A sementinha que foi plantada lá atrás cresceu e floresceu. E nós, que somos pais, temos que nos lembrar de plantar essas sementes nos corações dos nosso filhos também. Um dia, lá na frente, vamos ter os olhos cheios de mar ao vermos as flores que nasceram das sementes que plantamos.

Obrigada, irmãos, por me lembrarem ❤

E você, que sementes germinaram em seu coração e deram flores que você é capaz de oferecer?

Flor que Brota no Coração

flor2

Amizade é flor que brota no coração.

Tem perfume, tem cor,

Tem textura macia e suave,

Tem raízes profundas na terra úmida e envolvente.

Amizade é flor que desabrocha à luz da vida,

Que cresce ao embalo da brisa…

Se molha de chuva, se aquece ao sol,

Fica mais bonita ao entardecer

E radiante à luz da lua.

Amizade é flor de várias pétalas e caule comprido,

Cheia de graça.

Cresce sempre para cima, para o céu,

Porque se agarra firme ao solo.

É forte,

Porque nasce pequena, semente…

Desenvolve-se em broto,

Amadurece em botão

E abre-se em flor.

Amizade é flor que conhece seu caminho.

Alimenta-se de fogo, água,

Terra, ar e eter.

Amizade se alimenta da vida.