Para Ser Quem Eu Sou

foto de Tina Zani
foto de Tina Zani

 

Hoje li o seguinte parágrafo em um livro*:

 

Não tema que o mundo veja quem você realmente é. Quando se permite ser fiel a si mesmo você também dá permissão aos outros para agir assim. Sem a preocupação das aparências, a vida se torna muito mais simples e satisfatória.

 

Isso me levou a pensar o quanto estamos treinados a nos vender em nome da imagem que o outro fará de nós.

Muitas vezes, deixamos de ser verdadeiros e autênticos para nos tornarmos a massa, uma produção em série de seres superficiais, controlados, complexos e complicados. Sem perceber, acabamos dificultando nosso relacionamento com os outros por medo de não sermos aceitos.

Ser natural, espontâneo e livre, na verdade, atrai amor. Pense nas pessoas que você conhece e que são assim. Que sensação elas geram nos que as rodeiam?

Aceitação, leveza, sinceridade, atração e, especialmente, espaço para você também ser quem é de verdade.

Tudo o que atrai é amor. O amor gera a atração – entre mim e mais alguém, entre mim e alguma coisa, entre mim e uma situação.

Ser fiel a mim mesma significa submeter meu ego humano a meus sentimentos mais puros, à minha essência, livre do peso do julgamento alheio.

E quando agimos com amor a nós mesmos, abrimos o peito para aceitar e amar os outros também.

Agir por aparência, para conquistar admiração, é egoísmo. Agir de acordo com nossa essência, mesmo que seja por nós e para nós mesmos, não é.

É respeito, autoconhecimento, leveza, liberdade, amor.

 

 

*Organize-se, Donna Smallin

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Meus Filhos Não São Meus Filhos

Meus Filhos Não São Meus Filhos
Crédito da Foto: Tina Zani

 

 

Como dizia o poeta:

 

‘Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.’ Khalil Gibran

Eu sou apenas o ponto de partida. A referencia. O arco.

Eles, o voo, o futuro. A ânsia da vida por si mesma, materializada. A flecha projetada a partir de mim, do meu corpo, do meu amor.

Vão se desenvolver e crescer, longe de mim e de meu olhar cuidadoso, na mansão do amanhã. Terão experiências que eu não conhecerei. Sonhos que nunca sonhei e gostos que não são os meus. Viverão seu próprio estilo de vida e farão as escolhas que só poderiam ser feitas por eles mesmos.

E eu?

Eu vou ser feliz.

Vou confiar na sementinha que plantei em seus corações enquanto eles ainda se aninhavam sob minhas asas mornas e protetoras. Vou admitir, pra mim mesma, que não sou perfeita e que a perfeição é desumana. Vou me ocupar apenas com problemas reais, quando e se eles aparecerem.

Vou ter boas amigas com quem conversar em caso de emergência e não vou fazer questão de saber de tudo.

Não quero ter o controle de suas vidas. Isso cabe a eles.

Vou compreender que a minha felicidade não tem nada a ver com ter filhos ótimos, família linda, casa boa, dinheiro sobrando, trabalho.

Vou conhecer minha essência sem me preocupar com a imagem.

Identificar meus medos e aprender a lidar com eles.

Saber quem eu sou e quem eu não sou.

Parar de controlar. Parar de apertar a boca.

Vou aprender a ser descontrolada.

Sem controle. Sem controlar.

Ser. Simplesmente, ser.

Coração de Mãe de Filho Longe

Foto Tina Zani
Foto Tina Zani

 

Essa semana o Mau esteve fora.

Saí de casa apressada quase todos os dias, sempre vendo a caixinha de correios abarrotada e sem ter tempo pra pegar a correspondência.

Na quinta deu tempo… E sabe o que tinha lá, no meio de um monte de contas a pagar e outras coisitchas más? Três cartões postais do Lelê.

Meu coração ficou tão surpreso que transbordou pelos olhos.

Explico: o Lê está há um ano morando fora, na França, estudando. Foi um sonho que ele realizou com seu próprio empenho. E acabou de conseguir transferir definitivamente seu curso de Música da Unicamp para a Sorbonne. Ou seja, vai ficar mais um ano e se formar lá. Recentemente ele saiu de viagem para fazer um mochilão no sul da França e Itália, e foi desses lugares que ele enviou os postais.

Adorei suas palavras e as aventuras que ele descreveu, mas mais que isso, adorei por ele pensar em nós, por ele existir, por ser assim, tão lindo, carinhoso e especial.

Torço para que Deus continue ao seu lado, guiando, iluminando e lhe ajudando a compartilhar com o mundo e com a vida tudo de belo que ele tem em si.

Bem Vindos

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

Minha mãe está viajando e meu pai está sozinho. Ele não gosta de ficar sozinho.

O pintor ainda está trabalhando em casa e hoje ele começou na cozinha, sala de jantar e sala de estar. Ou seja, vamos ficar uns 4 dias sem poder usar esses ambientes.

Então, resolvemos ‘nos mudar’ para a casa do meu pai enquanto isso.

Ontem a noite e hoje de manhã foi a maior trabalheira pra deixar a área toda protegida pro pintor trabalhar sem estragar nada. Arrastamos móveis, tiramos quadros, guardamos objetos, cobrimos tudo.

Depois, mais um tempo separando o que levaríamos na ‘mudança’: alimentos que poderiam estragar, roupas, laptop, carregadores de celular etc. Pusemos tudo no carro e partimos.

E ao chegar na casa do meu pai, uma surpresa gostosa… Encontramos uma calorosa recepção, com cartaz de boas vindas, sorriso feliz e um abraço carinhoso.

Vamos passar alguns dias juntos e já estou sonhando com o tanto que isso vai ser bom para todos nós!

Carta à Menina Que Fui Antes de Me Casar

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Você ainda não sabe, minha criança, mas um dia vai conhecer um moreno, alto, bonito e sensual.

Um cara legal, forte, divertido, inteligente, gostoso. Um atleta.

Ele vai te cativar com apenas um olhar e você vai se apaixonar.

Vocês vão se encontrar de manhã cedinho na Unicamp, vão sair juntos, rir, conversar, passear de moto.

Ele vai levar um pedaço de bolo de aniversário na sua casa, você vai lhe emprestar aquela blusa de lã PP que ele usa G, ele vai te trazer rosas roubadas, te pedir em namoro – e você não vai aceitar.

Vocês vão dar uns amassos à noite na casa dele, vão se encontrar toda segunda no Luz Del Fuego, vão bater papo ao cair da tarde no malhômetro. Você vai pendurar bombons com bilhetinhos de amor no portão dele, vai lhe contar piadinhas sem graça sobre elefantes – e ele vai rir mesmo assim.

A mãe dele vai achar que você é muito ‘saidinha’. O seu pai vai querer saber o que é que está rolando.

Vocês vão ficar grávidos. E vocês vão se casar.

E, por isso, minha menina, hoje eu te escrevo para te contar um segredo com toda a certeza de quem já viveu tudo o que você ainda vai viver: o casamento é uma escolha.

Não me refiro àquela escolha que fazemos uma vez… aquela, de casar com alguém no auge da nossa paixão juvenil.

Não. Falo da escolha que fazemos todos os dias, desde o famoso ‘sim, meu amor, eu quero, estou louca para ir morar com você’.

Casamento, minha flor, é a escolha diária de permanecer junto. Junto do outro, ainda que chova um dilúvio. Ou que não chova uma gota sequer. Ou, ainda, que tudo seja sempre tão igual que enjoe.

Não é possível permanecer casada se a escolha não acontecer todos os dias.

No dia em que você acordar e não estiver disposta a ficar junto, nada vai funcionar. Você vai querer escolher largar tudo e se mandar. E, se fizer isso, vai ficar com a impressão de que não deu certo, de que a vida é assim, que as pessoas se separam mesmo, que é isso, pronto e acabou. Literalmente.

Mas não, minha querida, não é isso. É preciso realmente querer que dê certo. Lá no fundo, dentro do peito, nas entranhas. Tem que estar impregnado na sua pele, nos seus pelos, nas suas unhas.

Porque a escolha será difícil. Difícil, de verdade. E não tem a ver com amor, que amor é outra coisa.

Tem a ver com escolha mesmo, pura e simples. E sincera.

Mas quando a escolha é assim, o amor acontece. Amor por você, pelo outro, pela história que construíram juntos, pelos frutos que geraram, pelas dificuldades que passaram, pelas alegrias e tristezas do caminho. E quanto mais você for capaz de escolher ficar, mais história vai construir, mais amor vai sentir, e mais vai querer continuar…

Sim, meu bem, podemos escolher partir, terminar, ir embora. Somos livres. Mas eu lhe peço, experimente escolher ficar. A cada manhã, todas as tardes e à noite também, dia após dia.

Escolha compreender as fraquezas do outro e as suas também. Escolha respeitar e valorizar a opinião que não é a sua, as preferências que não são as mesmas, a alimentação que não é igual, os desejos diferentes, os pequenos caprichos que todos temos.

E, principalmente, o mais difícil: escolha não fazer aquilo que incomoda, machuca ou magoa o outro, mesmo que para você não seja nada demais.

Porque, se seu amorzinho lhe pede para não fazer comentários sarcásticos em tom de brincadeira ou para não colocar as mãos molhadas na roupa dele, mas você continua repetindo o sarcasmo e a mão molhada e ignora seus pedidos pois acha que é tudo muito bobo, está, na verdade, dizendo a ele que não dá a mínima para o que lhe é importante. E isso dói. E, com o tempo, vai minando a vontade de ficar. E a escolha vai se tornando cada vez mais difícil.

Mas, quando escolhemos respeitar as manhas do outro, por mais infantis que pareçam, declaramos o nosso amor. Essa atitude vale mais do que mil palavras e infinitos ‘eu te amo’, pois, nesse caso, palavras são vento.

Você vai precisar aprender a fechar os olhos e abrir seu coração. Mas acredite em mim, meu amor, você é capaz.

E, embora haverá dias em que você e ele fraquejarão, a força das escolhas que já foram feitas vai carregá-los abraçadinhos e envolvê-los com tanta ternura que seus corpos, pensamentos e dúvidas se derreterão. E só o que vai ficar é a escolha de permanecer junto do seu amor.