A Casa Alheia

A casa alheia.
Crédito da Foto: Leandro Zani

 

Adoro conhecer a casa dos outros.

Falo da casa que não foi arrumada com antecedência e intencionalmente.

A casa mesmo, do dia-a-dia.

Sabe quando você vai visitar alguém por acaso e, com uma descontraída xícara de café na mão, a pessoa te proporciona um delicioso passeio minucioso pelo seu espaço, te apresentando todos os ambientes, cada quarto, cada cômodo, todos os móveis, relicários, apetrechos, as bagunças, as roupas pelo chão, os brinquedos esparramados, a cama que não foi arrumada, a cozinha pequena, os banheiros com paninho de chão embolados, as ferramentas, até os varais improvisados. Adoro.

É como se, a cada cômodo, uma camada de proteção se derretesse no chão e a pessoa vai, pouco a pouco, se desnudando e se mostrando na essência. Vamos lhe conhecendo de verdade, cada pedacinho.

E quando a casa é compartilhada com outras pessoas é ainda mais fascinante, pois ao nos levar pelo passeio, a cada apresentação se sucedem comentários e fatos a respeito das particularidades dos outros moradores.

Quando tenho o privilégio de ser presenteada com a casa de alguém fico em deleite. Sorvo cada detalhe, respiro cada espaço vazio, preencho-me com cada pedacinho de bagunça, tatuo em mim todas as cores, aromas, sabores, impressões.

Quanto menos perfeição encontro, mais fascínio me causo.

Conhecer a casa dos outros é quase um processo de autoconhecimento.

Paradoxo? Sim e não. Enquanto me atenho despreocupada e maravilhada aos detalhes da casa alheia, inevitavelmente penso na minha própria e concluo que, de perto, somos todos humanos.

Somos todos hu-ma-nos.

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Fala sério…

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Estou pintando a minha casa por dentro.

O pintor é muito bonzinho, mas totalmente sem noção.

Ele começou o serviço na segunda-feira de manhã. Eu estava em São Paulo, meu marido o recebeu.

Ele resolveu começar reparando e pintando o teto da casa toda!!!! Conclusão: ficamos com todos os cômodos da casa sujos e de pernas para o ar.

Quando cheguei toda feliz para preparar o almoço às 11h30, encontrei uma cozinha imunda, cheia de pózinho branco e respingos de massa corrida. Sujou toda a minha louça lavada que estava no escorredor em cima da pia, bem como todos os meus eletrodomésticos e fogão, que ficaram pintadinhos de bolinhas brancas. E, ainda por cima, subiu na bancada da pia pra alcançar o teto e deixou suas pegadas bem marcadas lá. Na pia. Onde lavo louça e preparo a comida!

Sem noção.

Fui encontrá-lo em um dos quartos da casa, descascando e lixando uma parede. Toda a sujeira caindo em cima da cama, que ele não tinha protegido.

Sem noção total.

Hoje veio a faxineira. É o único dia que ela pode vir.

Eu já sabia que não daria pra ela fazer tudo com o pintor em plena atividade por aqui, por isso deixei um bilhete com orientações pregado bem na porta de entrada para ela poder ver, já que eu não estaria em casa quando ela chegasse.

Quando voltei, às 11h da manhã, ela só tinha limpado um quarto.

Saí para uma consulta médica e ao retornar, depois das 14h, ela ainda não tinha terminado o segundo quarto! Como pode isso?

Tá, confesso: estou de TPM e sei que nesse período tudo parece muito pior do que realmente é. Sei que faço tempestade em copo d’água quando estou assim. Mas, fala sério…

Coisa de louco.

Na Casa Onde Moro…

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Foto de Tina Zani

Aqui tem jaca,

Tem morango,

Tem caqui que parece manga,

Tem planta que dá em coco…

Tem couve,

Cebolinha,

Hortelã…

Que gostoso de manhã!

Tem a sombra da mangueira,

Tem parreira, bananeira,

E até jabuticabeira…

Tem uma caixinha diferente

E um gatinho preguiçoso em frente.

Os cogumelos prateados

Estão por todos os lados.

As crianças passeando por aqui…

Cada cantinho gostoso para descobrir.

Flores, cheiros,

Terra que suja os sapatos.

Espaço, céu, sol,

Som de passarinho.

Insetos, joaninhas,

Quantas cores nesse mundinho.