Dias Bons

Dias bons.
Crédito da Foto: Tina Zani

Hoje vou fazer uma coisa diferente por aqui.

Quero compartilhar com vocês um texto que não é meu.

Foi publicado há algumas semanas no às nove no meu blog e me fez ter aquela vontade gostosa de ser assim todos os dias, cada momento, todo minutinho da minha vida.

Confesso que ainda estou engatinhando nessa arte. Estou na fase de praticar todos os dias, de tentar criar esse hábito, de fazê-lo se tornar minha rotina mais que gostosa.

Como bem disse a autora, é preciso treino e persistência constantes.

E vários lembretes esparramados pela casa e pela vida.

 

Há uns anos decidi que só me ia focar nos dias bons. Mantenho a mesma decisão até hoje: esteja ou não tudo bem, eu vou ser feliz. Esteja ou não tudo no lugar certo, eu vou ver sempre o lado bom do que e de quem me acontece na vida. Esteja ou não mais perto dos meus sonhos, eu sei que um dia chego lá. Porque quero. Porque me esforço. Porque mereço.
Dito assim, até parece simples manter este compromisso comigo. Dito assim, até parece fácil persistir nesta busca incessante pelo que me faz bem e decidir ser feliz «apesar dos apesares». E não é. Não é simples para mim, não é simples para ninguém. É preciso praticar todos os dias, como uma rotina. Escrever na agenda, na parede, na pele. Até que de uma forma de estar passe a uma forma de ser. A ser vivido como uma rotina, com a mesma naturalidade com que tomamos o banho que nos desperta, o alimento que nos nutre, o caminho que nos leva onde queremos ir, os abraços que nos esperam e regeneram no final de cada dia. Passar a não conseguir respirar sem este compromisso de não nos esquecermos de nós, de mandar calar os ais, os ses, os mas e os talvez, de afastar as nuvens cinzentas, as pessoas assim-assim, o menos mal e o vai-se andando. Passar a manter sempre por perto a alegria do que e de quem nos faz bem. Porque é assim, e só assim, que aprendemos a dar sempre valor às pessoas e às coisas certas que nos acontecem.

E com você, como é? Você é feliz apesar dos pesares? Consegue manter seu foco sempre nas coisas boas?

Derramando Pelos Meus Poros

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Então, eu disse não.

Disse não à oportunidade  que se apresentou a mim há alguns dias atrás, embora eu tenha ficado na dúvida, balançada entre o sim e o não.

E ao optar pelo não, entendi a mais importante lei do Universo: ele conspira a nosso favor e tem o poder de mover montanhas para que realizemos nossos sonhos e objetivos.

Entendi, também, que essas oportunidades aparecem pra nos testar, testar nosso foco, nossa sinceridade, nossa verdade e prioridade, nossa capacidade de dizer não e seguir em frente, de cabeça e coração totalmente apaixonados pelo caminho que nos levará à concretização de nosso sonho.

Mas, para isso acontecer, temos que ter muito claro dentro de nós o que realmente queremos.

Temos que almejar, ou seja, desejar com a alma. Senão, ficamos confusos. E o Universo também.

Como é possível mover montanhas por alguém que hora quer uma coisa, hora quer outra? Empurra a montanha pra um lado, depois tem que trazê-la de volta e empurrar pro outro, depois de volta pro primeiro entusiasmo ou, pior ainda, pra um terceiro, quarto, quinto… Não há santo – nem Universo – que aguente.

Demorei pra perceber isso e fiz muitas escolhas contraditórias até aqui, mas acho que aprendi.

Então, quero compartilhar minha descoberta. Quem sabe você é mais esperto que eu e pula algumas etapas de incerteza, dúvida e confusão na sua vida.

Minha dica é a seguinte: descubra o que você realmente quer na vida, aquilo que te realiza plenamente, que te faz sentir um calor gostoso subindo pela espinha e os olhos brilharem e dedique-se a isso completamente; diga não a qualquer outra coisa que não esteja alinhada com esse objetivo. Não diversifique, não divida a sua atenção, não confunda. Seja claro e confie nas leis universais. Não ceda às tentações, por mais atrativas que sejam.

Você vai se surpreender com os resultados. Eles são rápidos e certos.

 

Forma de Nuvem

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

Imagine se você pudesse se transformar em qualquer coisa nesse mundo. Algo do tipo ‘Super Gêmeos, ativar! Forma de…’ No que você se transformaria?

Eu me transformaria em alguma coisa leve que soubesse voar.

Uma nuvem, um passarinho, um dente de leão, uma brisa, um balão.

E aí eu ficaria lá alto no céu, meio olhando a vida com perspectiva, meio voando e só. No ar. Ao vento, ao relento, ao luar. E meu coração humano iria derreter e pingar gotas de deleite sobre outros corações humanos na Terra lá embaixo. E eu me entregaria cintilante ao horizonte cor de maravilha.

Mas como me transformar em qualquer coisa leve que saiba voar, já que não sou um dos Super Gêmeos?

Escrever me dá essa sensação. Quando escrevo sinto como se o Universo se derramasse em cada célula do meu corpo e fluisse pelos meus dedos, transformando pensamentos em palavras e sentimentos em poesia. Todo o resto do meu dia fica mais alegre e leve e eu sei que fiz algo que queria fazer de verdade, de mãos  dadas com meus propósitos mais verdadeiros. Eu me sinto como uma coisa leve que sabe voar e pareço uma nuvem lá no céu.

Uma amiga, outro dia, me dizia que ainda não havia descoberto sua missão de vida.

E como fazemos para descobri-la? E se demorarmos muito para encontrá-la? E se o tempo passar e não soubermos a que viemos? E como sabemos se o que estamos fazendo é o que deveríamos estar?

Para mim, a resposta a essas perguntas é uma euforia barulhenta que sinto trovejando no meu peito. Essa festa em meu coração depois de algo que fiz me diz que estou no caminho certo.

Minha missão de vida não está escondida e não tenho que encontrá-la. Ela está na minha grande vontade de realizar as coisas que me fazem sentido, me importam, me deixam feliz e com a sensação de sublimação. Por minha livre e espontânea e-s-c-o-l-h-a, com todas a letras. E a livre escolha é na mesma proporção dádiva e perdição, pois que escolher implica me responsabilizar.

Não faz muito tempo que entendi esses segredos e aprendi que a mágica para escolher certo é saber ler os sinais que a vida me mostra.

Sempre que estou próxima de fazer uma boa escolha, quando estou no caminho de realizar um belo propósito, meu corpo todo se sente vivo, um entusiasmo enorme aparece, minha mente fica clara e um banho de vitalidade indescritível se apodera de mim. Ou seja, crio uma conexão deliciosa entre minhas atitudes, meus movimentos, e a música que mantém acesa minha essência.

No sentido inverso, quando não me sinto ótima em relação a alguma opção que fiz ou estou prestes a fazer, sei que desafinei e a música, ao invés de soar como um acalanto, acaba virando lamúria, ladainha, lamentação.

Isso se reflete nos meus relacionamentos com os outros e com o mundo. Se escolhi certo, me sinto bem e tudo parece bem. Se não, não.

Foi assim que, nesses últimos 365 dias, fiz muito boas escolhas. Aprendi a me ouvir, a me sentir, a me olhar, a me farejar, a me apreciar. Aprendi a virar nuvem.

Se você pudesse se transformar em qualquer coisa nesse mundo, no que você se transformaria?

 

 

 

Carta à Menina Que Fui Antes de Me Casar

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Você ainda não sabe, minha criança, mas um dia vai conhecer um moreno, alto, bonito e sensual.

Um cara legal, forte, divertido, inteligente, gostoso. Um atleta.

Ele vai te cativar com apenas um olhar e você vai se apaixonar.

Vocês vão se encontrar de manhã cedinho na Unicamp, vão sair juntos, rir, conversar, passear de moto.

Ele vai levar um pedaço de bolo de aniversário na sua casa, você vai lhe emprestar aquela blusa de lã PP que ele usa G, ele vai te trazer rosas roubadas, te pedir em namoro – e você não vai aceitar.

Vocês vão dar uns amassos à noite na casa dele, vão se encontrar toda segunda no Luz Del Fuego, vão bater papo ao cair da tarde no malhômetro. Você vai pendurar bombons com bilhetinhos de amor no portão dele, vai lhe contar piadinhas sem graça sobre elefantes – e ele vai rir mesmo assim.

A mãe dele vai achar que você é muito ‘saidinha’. O seu pai vai querer saber o que é que está rolando.

Vocês vão ficar grávidos. E vocês vão se casar.

E, por isso, minha menina, hoje eu te escrevo para te contar um segredo com toda a certeza de quem já viveu tudo o que você ainda vai viver: o casamento é uma escolha.

Não me refiro àquela escolha que fazemos uma vez… aquela, de casar com alguém no auge da nossa paixão juvenil.

Não. Falo da escolha que fazemos todos os dias, desde o famoso ‘sim, meu amor, eu quero, estou louca para ir morar com você’.

Casamento, minha flor, é a escolha diária de permanecer junto. Junto do outro, ainda que chova um dilúvio. Ou que não chova uma gota sequer. Ou, ainda, que tudo seja sempre tão igual que enjoe.

Não é possível permanecer casada se a escolha não acontecer todos os dias.

No dia em que você acordar e não estiver disposta a ficar junto, nada vai funcionar. Você vai querer escolher largar tudo e se mandar. E, se fizer isso, vai ficar com a impressão de que não deu certo, de que a vida é assim, que as pessoas se separam mesmo, que é isso, pronto e acabou. Literalmente.

Mas não, minha querida, não é isso. É preciso realmente querer que dê certo. Lá no fundo, dentro do peito, nas entranhas. Tem que estar impregnado na sua pele, nos seus pelos, nas suas unhas.

Porque a escolha será difícil. Difícil, de verdade. E não tem a ver com amor, que amor é outra coisa.

Tem a ver com escolha mesmo, pura e simples. E sincera.

Mas quando a escolha é assim, o amor acontece. Amor por você, pelo outro, pela história que construíram juntos, pelos frutos que geraram, pelas dificuldades que passaram, pelas alegrias e tristezas do caminho. E quanto mais você for capaz de escolher ficar, mais história vai construir, mais amor vai sentir, e mais vai querer continuar…

Sim, meu bem, podemos escolher partir, terminar, ir embora. Somos livres. Mas eu lhe peço, experimente escolher ficar. A cada manhã, todas as tardes e à noite também, dia após dia.

Escolha compreender as fraquezas do outro e as suas também. Escolha respeitar e valorizar a opinião que não é a sua, as preferências que não são as mesmas, a alimentação que não é igual, os desejos diferentes, os pequenos caprichos que todos temos.

E, principalmente, o mais difícil: escolha não fazer aquilo que incomoda, machuca ou magoa o outro, mesmo que para você não seja nada demais.

Porque, se seu amorzinho lhe pede para não fazer comentários sarcásticos em tom de brincadeira ou para não colocar as mãos molhadas na roupa dele, mas você continua repetindo o sarcasmo e a mão molhada e ignora seus pedidos pois acha que é tudo muito bobo, está, na verdade, dizendo a ele que não dá a mínima para o que lhe é importante. E isso dói. E, com o tempo, vai minando a vontade de ficar. E a escolha vai se tornando cada vez mais difícil.

Mas, quando escolhemos respeitar as manhas do outro, por mais infantis que pareçam, declaramos o nosso amor. Essa atitude vale mais do que mil palavras e infinitos ‘eu te amo’, pois, nesse caso, palavras são vento.

Você vai precisar aprender a fechar os olhos e abrir seu coração. Mas acredite em mim, meu amor, você é capaz.

E, embora haverá dias em que você e ele fraquejarão, a força das escolhas que já foram feitas vai carregá-los abraçadinhos e envolvê-los com tanta ternura que seus corpos, pensamentos e dúvidas se derreterão. E só o que vai ficar é a escolha de permanecer junto do seu amor.