A Casa Alheia

A casa alheia.
Crédito da Foto: Leandro Zani

 

Adoro conhecer a casa dos outros.

Falo da casa que não foi arrumada com antecedência e intencionalmente.

A casa mesmo, do dia-a-dia.

Sabe quando você vai visitar alguém por acaso e, com uma descontraída xícara de café na mão, a pessoa te proporciona um delicioso passeio minucioso pelo seu espaço, te apresentando todos os ambientes, cada quarto, cada cômodo, todos os móveis, relicários, apetrechos, as bagunças, as roupas pelo chão, os brinquedos esparramados, a cama que não foi arrumada, a cozinha pequena, os banheiros com paninho de chão embolados, as ferramentas, até os varais improvisados. Adoro.

É como se, a cada cômodo, uma camada de proteção se derretesse no chão e a pessoa vai, pouco a pouco, se desnudando e se mostrando na essência. Vamos lhe conhecendo de verdade, cada pedacinho.

E quando a casa é compartilhada com outras pessoas é ainda mais fascinante, pois ao nos levar pelo passeio, a cada apresentação se sucedem comentários e fatos a respeito das particularidades dos outros moradores.

Quando tenho o privilégio de ser presenteada com a casa de alguém fico em deleite. Sorvo cada detalhe, respiro cada espaço vazio, preencho-me com cada pedacinho de bagunça, tatuo em mim todas as cores, aromas, sabores, impressões.

Quanto menos perfeição encontro, mais fascínio me causo.

Conhecer a casa dos outros é quase um processo de autoconhecimento.

Paradoxo? Sim e não. Enquanto me atenho despreocupada e maravilhada aos detalhes da casa alheia, inevitavelmente penso na minha própria e concluo que, de perto, somos todos humanos.

Somos todos hu-ma-nos.

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Para Ser Quem Eu Sou

foto de Tina Zani
foto de Tina Zani

 

Hoje li o seguinte parágrafo em um livro*:

 

Não tema que o mundo veja quem você realmente é. Quando se permite ser fiel a si mesmo você também dá permissão aos outros para agir assim. Sem a preocupação das aparências, a vida se torna muito mais simples e satisfatória.

 

Isso me levou a pensar o quanto estamos treinados a nos vender em nome da imagem que o outro fará de nós.

Muitas vezes, deixamos de ser verdadeiros e autênticos para nos tornarmos a massa, uma produção em série de seres superficiais, controlados, complexos e complicados. Sem perceber, acabamos dificultando nosso relacionamento com os outros por medo de não sermos aceitos.

Ser natural, espontâneo e livre, na verdade, atrai amor. Pense nas pessoas que você conhece e que são assim. Que sensação elas geram nos que as rodeiam?

Aceitação, leveza, sinceridade, atração e, especialmente, espaço para você também ser quem é de verdade.

Tudo o que atrai é amor. O amor gera a atração – entre mim e mais alguém, entre mim e alguma coisa, entre mim e uma situação.

Ser fiel a mim mesma significa submeter meu ego humano a meus sentimentos mais puros, à minha essência, livre do peso do julgamento alheio.

E quando agimos com amor a nós mesmos, abrimos o peito para aceitar e amar os outros também.

Agir por aparência, para conquistar admiração, é egoísmo. Agir de acordo com nossa essência, mesmo que seja por nós e para nós mesmos, não é.

É respeito, autoconhecimento, leveza, liberdade, amor.

 

 

*Organize-se, Donna Smallin