Bem Vindos

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

Minha mãe está viajando e meu pai está sozinho. Ele não gosta de ficar sozinho.

O pintor ainda está trabalhando em casa e hoje ele começou na cozinha, sala de jantar e sala de estar. Ou seja, vamos ficar uns 4 dias sem poder usar esses ambientes.

Então, resolvemos ‘nos mudar’ para a casa do meu pai enquanto isso.

Ontem a noite e hoje de manhã foi a maior trabalheira pra deixar a área toda protegida pro pintor trabalhar sem estragar nada. Arrastamos móveis, tiramos quadros, guardamos objetos, cobrimos tudo.

Depois, mais um tempo separando o que levaríamos na ‘mudança’: alimentos que poderiam estragar, roupas, laptop, carregadores de celular etc. Pusemos tudo no carro e partimos.

E ao chegar na casa do meu pai, uma surpresa gostosa… Encontramos uma calorosa recepção, com cartaz de boas vindas, sorriso feliz e um abraço carinhoso.

Vamos passar alguns dias juntos e já estou sonhando com o tanto que isso vai ser bom para todos nós!

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Fly Away

Arte de Sabrina Zani: a família completa.
Arte de Sabrina Zani: a família completa.

 

Hoje é domingo, pé de cachimbo.

Dia das mães aqui na minha casa e no meu coração. Nesse Brasil varonil e nesse mundão de Deus.

De manhã, café na cama com flor roubada, púrpura, colada com durex na caneca de cerâmica.

Uma preguiça gostosa até às 10h, dormindo de conchinha agarrados um no outro, quentes, aconchegados.

Bate-papo sussurrado, beijos no pescoço te contando a história do sonho que tive, cafuné boca com boca, carinho, calor, amor…

Presentinho.

Banho juntos, café da manhã em casa, sem pressa. Suco, fruta com mel, pão do Frango Assado com manteiga, café com meu favorito Coffe-Mate.

Dança de rosto colado no meio da cozinha ao som de Skyline Pigeon tocando no rádio da sala.

Almoço comprado em uma cantina.

Tudo de bom.

Podia ser diferente, mas foi assim.

Com você, comigo, com uma parte dos meus filhos queridos perto de mim e a outra parte dentro do meu coração.

Com a vida. Com amor.

Feliz dia das mães!

Sobre Somar e Dividir

4 irmãos
Nós 4.

 

Esse domingo que passou foi o último dia das ‘férias dos primos’, que começaram em 13/12/2014, com a chegada da minha irmã e família vindas dos States.

Meus pais receberam meus três irmãos com o genro e as noras, nove dos onze netos (só faltaram meus dois mais velhos) e mais três amiguinhas das minhas sobrinhas. Há praticamente 40 dias que meus filhos mais novos se mudaram para a casa deles para se juntar à folia que rolou por lá durante esse último mês.

A casa ficou cheia e alegre e a criançada se divertiu a beça. Todos os quartos estavam lotados e houve noites que meus pais dormiram na sala para acomodar melhor hóspedes tão bem-vindos, queridos e especiais.

E domingo foi o dia da despedida. Despedida nunca é legal, mesmo quando não vai durar muito ou quando quem parte está indo ser feliz. A separação é que é dolorosa. E nesse caso em especial, depois de 40 dias com a casa lotada e barulhenta, o silêncio e o espaço ficam mais evidentes para todos, quem vai e quem fica.

No domingo a noite, um pouco antes das despedidas, meu pai resolveu promover um sorteio entre todas as crianças que passaram por sua casa durante as férias – inclusive as que já não estavam mais por lá – e também meus irmãos e eu. Juntou seus trocados e colocou em envelopes com dizeres carinhosos. Cada envelope tinha um valor um pouco diferente do anterior e o prêmio ía aumentando gradualmente. Todas as crianças terminaram a brincadeira com um dinheirinho.

Então chegou a hora dos últimos 4 prêmios, que tinham sido reservados para mim e meus irmãos.

Tenho 2 irmãos e 1 irmã.

A história de hoje é sobre meus dois irmãos homens.

Nessa noite de domingo, apenas um deles ainda estava em Campinas conosco e foi com ele que participei do sorteio.

Como estava dizendo, tinham sobrado 4 prêmios e 4 papéis com nossos 4 nomes. Cada envelope, segundo a brincadeira, tinha uma quantia um pouco maior do que a anterior, ou seja, o 1º prêmio era maior que o 2º, que era maior que o 3º, que era maior que o 4º.

E eu, preocupada só comigo mesma, cheguei na sala achando uma maravilha ganhar um dinheirinho extra e torcendo para ficar com o primeiro e maior prêmio, totalmente absorvida pela vontade de ser a escolhida, a favorecida pela sorte.

Mas acontece que, enquanto eu estava mergulhada nesses pensamentos mesquinhos, meu irmão sorteou o primeiro nome e, antes de abrir o papel, me fez uma proposta que me trouxe de volta lá do mundo dos egoístas e gananciosos: ‘E aí, Ti, a gente soma e divide, han?’

_Ok! Claro! (e, caramba, como foi que eu não pensei nisso também???)

Pois o nome que estava escrito naquele papelzinho era justamente o meu. Recebi o 4º prêmio. Meu irmão ficou com o 2º. E sabe o que fizemos? Somamos e dividimos… só que não, porque os valores que estavam dentro dos dois envelopes eram iguais! (Como acho que também eram os dos outros 2 envelopes. Pegadinha do Paulão.)

E essa situação me fez lembrar um Natal, há vários anos atrás, em que meu outro irmão nos surpreendeu dividindo com nós três um dinheirinho extra que ele havia ganhado. Assim. Por nada. Porque sim. Ele já era casado. E já tinha seus dois filhinhos. E dividiu com a gente também.

Olhando lá para trás na vida de nós quatro, consigo encontrar as raízes desses nobres comportamentos dos quais fui testemunha. Aprendemos a dividir dentro de casa, na convivência com nossos pais, através de seus exemplos. O ‘somar e dividir’ já acontecia quando éramos crianças e ganhávamos presentes ou dinheiro de terceiros. Crescemos praticando o compartilhar, o olhar para o outro, o preferir o ganha-ganha.

Gentileza gera gentileza, já dizia o poeta.

Dessa vez foi meu irmão que tirou o maior prêmio (embora tenha sido igual ao meu). Da próxima vez posso ser eu. E nós vamos somar e dividir de novo.

A sementinha que foi plantada lá atrás cresceu e floresceu. E nós, que somos pais, temos que nos lembrar de plantar essas sementes nos corações dos nosso filhos também. Um dia, lá na frente, vamos ter os olhos cheios de mar ao vermos as flores que nasceram das sementes que plantamos.

Obrigada, irmãos, por me lembrarem ❤

E você, que sementes germinaram em seu coração e deram flores que você é capaz de oferecer?

Sobre o Amor e a Paciência

Reunir a família para um evento simples qualquer tem se tornado algo realmente raro ultimamente, conforme meus filhos crescem. Imagine, então, se o evento demandar um pouco mais de disponibilidade e organização.

Por isso, quando planejamos nossa última viagem em família, respirei fundo e me abasteci de muita paciência e amor pra lidar com a rebeldia que poderia surgir.

São quatro filhos, em idades que variam de 14 a 22 anos, e o destino era a Ilhabela (onde ‘não tem nada para fazer’, segundo eles).

A dificuldade já começa na organização do deslocamento até lá: embora o carro acomode 7 pessoas, é preciso levar uma bagagem reduzida e, como somos em 6, alguém tem que concordar em ir meio apertadinho na poltrona da terceira fileira. Confesso que, para minimizar o stress e garantir o melhor bom humor de todos, até achei que eu, que sou a menor da família, é que teria que me submeter ao assento do fundão. Para a minha alegria, no entanto, fui salva pela candidatura de um deles, que escolheu ir atrás espontaneamente (ufa!).

Tudo combinado, destino escolhido, data marcada, reservas feitas, todos avisados. Véspera de viagem e… opa, um deles achou que não íamos mais (como assim?). Combinou de dormir fora exatamente na noite que antecedia a nossa saída e fez outros planos para o dia seguinte.

Por que não iríamos mais? Respirei fundo e mantive a calma; mantive, também, o combinado: a viagem continuava de pé, com a participação de todos.

Ficou acertado que sim, ele dormiria fora, mas voltaria antes do almoço do dia seguinte para fazer malas e etc.

Dia seguinte, horário do almoço: nada. Nenhuma mensagem, nenhum aviso, nenhum sinal de fumaça.

Mandei um torpedo e…

_Tenho mesmo que ir?

_Sim.

E assim, nesse jogo torturante, as horas foram passando e o dia também; minha paciência, minha boa vontade e minha convicção de que a presença de todos era importante foi testada a cada hora, a cada minuto, a cada mensagem trocada, desde o domingo à noite até o momento em que efetivamente saímos, na segunda-feira às 18h30.

Ele tentava me convencer pelo cansaço e eu tentava me convencer a vencer o cansaço.

Mas… posso dizer uma coisa: cada segundo de dúvida e tortura valeu os 5 dias que passamos em família. Quando me lembro que quase me rendi e abri mão de um de nós, sorrio e agradeço a determinação que me fez continuar até o fim.

A viagem foi maravilhosa em todos os sentidos. Momentos impagáveis que palavra alguma conseguiria traduzir.

É claro que, se você perguntar o que eles acharam, provavelmente vai receber uma resposta atravessada, típica de quem não quer dar o braço a torcer. Afinal, viajar com pai, mãe e irmãos, de carro, para a praia não é para qualquer um, não é mesmo? Mas sou testemunha, pelos sorrisos que vi, pelas risadas que ouvi, pelo carinho mútuo que presenciei e pelas fotos que tenho, que, sim, valeu a pena para todo mundo e os laços que reforçamos naqueles dias juntos vão ficar para sempre em nossos corações.

Com essa minha experiência, e outras que tive ao longo de 22 anos de maternidade, reuni algumas dicas legais para o planejamento de viagens que envolvem levar filhos resistentes à mudança de ares:

Avise todos com antecedência:

Se você é como eu e mantém o costume de fazer ao menos 1 viagem em família por ano, só precisará combinar com antecipação a data e o destino; se você ainda não tem esse costume, recomendo enfaticamente que o inclua como prioridade. Esses momentos juntos servem para estreitar laços, aproximar irmãos, fortalecer relacionamentos, criar memórias, educar pelo exemplo e pela convivência. São momentos preciosos, inesquecíveis – ainda que imperfeitos. É uma boa ideia lembrá-los da data da viagem com frequência para evitar surpresas como a que eu tive.

Procure escolher um destino que interesse à maior parte dos filhos:

Nem sempre isso é possível. No meu caso, por exemplo, a Ilhabela era a nossa única opção (ai, que chato). No entanto, quanto mais legal for para eles, tanto mais gostoso será para todos. Como se trata de uma viagem em família, vale a pena abrir mão da sua preferência em nome da deles (só dessa vez).

Prepare-se para possíveis manifestações de rebeldia:

Sim, elas vão acontecer, mesmo que o evento, a data e o destino tenham sido acordados por todos antecipadamente. Resista. Respire. Prepare-se bem. Ocupe-se, enquanto rola o atraso proposital de um deles; responda às mesmas perguntas mil vezes como se estivessem sendo perguntadas pela primeira vez; mantenha a calma e o controle, ainda que seja extremamente difícil. Lembre-se: o resultado será favorável a quem tiver mais determinação.

Não espalhe a má notícia:

Quanto menos gente estiver envolvida no stress, mais rápido ele se resolverá. Resista à vontade de torná-lo público, contando ao cônjuge, a outros filhos ou outros membros da família expandida. Você até pode fazer isso depois que a situação já tiver sido resolvida. De preferência, depois que a viagem tiver sido um sucesso; mas jamais durante o incêndio, pois só colocaria mais lenha na fogueira.

E, o mais importante, siga a sua intuição e resista até o fim. 

O prêmio lhe será entregue na forma dos mais sinceros e calorosos sorrisos e lembranças.

Essas poucas e simples dicas podem te levar ao paraíso, mas também ao inferno se o rebelde em questão resolver estender a rebeldia e o mal humor para os dias que passarão juntos. Conhecer bem cada membro da sua família é muito importante e uma ótima maneira de se conseguir isso é através da convivência frequente, gostosa e pacífica. É preciso saber ouvir, saber estar junto, saber abraçar e respeitar as individualidades, desde o começo.

Construa para você uma família que tenha espaço para todos e os botões florescerão ao menor raio de sol.