O Que Você Vai Ser Quando Você Crescer*

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

E no último domingo, minha caçula adolescente, minha única menina depois de 3 rapazes, ao me questionar sobre certas coisas da vida confirmou o que eu já sabia: que sou apenas uma criança, como ela.

Com um pouquinho mais de experiência e conhecimento das coisas Terrenas, mas ainda uma criança em um corpo de adulto.

O que eu sei? Nada de mais, só o que já vi e vivi.

Não sei se estou certa ou se estou errada.

Poderia ser de outro jeito? Talvez, mas estou fazendo o melhor que posso considerando toda minha imperfeição.

Ainda sou uma criança descobrindo o mundo e me descobrindo junto.

Mesmo que eu esteja na posição de decidir algumas coisas em relação à vidinha dela, não o faço sem antes ouvi-la e com a consciência de que pode ser que eu não esteja correta.

E talvez tenha sido por isso que, em nossa conversa, ela chorou o tempo todo e eu chorei a noite toda depois.

Não por dúvida ou arrependimento ou tristeza, mas pela nítida compreensão do quão pequena sou diante da grandeza da vida.

Como poetisou muito bem nosso querido Renato Russo, sou apenas uma gota d’água, apenas um grão de areia tentando encontrar meu lugar ao sol e minha porção de água salgada.

É claro que eu a entendo. Já fui como ela. Já tive sua idade. Já tive suas dúvidas…

Ainda as tenho, muitas, quase todas. Mas hoje já aprendi a trepar na árvore para olhar o horizonte e poder enchergar mais longe.

E quando seu coraçãozinho adolescente me aponta o dedo de unha comprida e pintada pra me dizer que a culpa é minha e que eu não a entendo, acredite, nessa hora eu também quero o colo da minha mãezinha. Que é uma criança como eu, que sou uma criança como ela.

E esta é, justamente, a maior beleza da vida. Somos todos crianças aprendendo, crescendo e evoluindo juntos.

 

 

*Pais e Filhos – Legião Urbana

 

 

 

Meus Filhos Não São Meus Filhos

Meus Filhos Não São Meus Filhos
Crédito da Foto: Tina Zani

 

 

Como dizia o poeta:

 

‘Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.’ Khalil Gibran

Eu sou apenas o ponto de partida. A referencia. O arco.

Eles, o voo, o futuro. A ânsia da vida por si mesma, materializada. A flecha projetada a partir de mim, do meu corpo, do meu amor.

Vão se desenvolver e crescer, longe de mim e de meu olhar cuidadoso, na mansão do amanhã. Terão experiências que eu não conhecerei. Sonhos que nunca sonhei e gostos que não são os meus. Viverão seu próprio estilo de vida e farão as escolhas que só poderiam ser feitas por eles mesmos.

E eu?

Eu vou ser feliz.

Vou confiar na sementinha que plantei em seus corações enquanto eles ainda se aninhavam sob minhas asas mornas e protetoras. Vou admitir, pra mim mesma, que não sou perfeita e que a perfeição é desumana. Vou me ocupar apenas com problemas reais, quando e se eles aparecerem.

Vou ter boas amigas com quem conversar em caso de emergência e não vou fazer questão de saber de tudo.

Não quero ter o controle de suas vidas. Isso cabe a eles.

Vou compreender que a minha felicidade não tem nada a ver com ter filhos ótimos, família linda, casa boa, dinheiro sobrando, trabalho.

Vou conhecer minha essência sem me preocupar com a imagem.

Identificar meus medos e aprender a lidar com eles.

Saber quem eu sou e quem eu não sou.

Parar de controlar. Parar de apertar a boca.

Vou aprender a ser descontrolada.

Sem controle. Sem controlar.

Ser. Simplesmente, ser.

Coração de Mãe de Filho Longe

Foto Tina Zani
Foto Tina Zani

 

Essa semana o Mau esteve fora.

Saí de casa apressada quase todos os dias, sempre vendo a caixinha de correios abarrotada e sem ter tempo pra pegar a correspondência.

Na quinta deu tempo… E sabe o que tinha lá, no meio de um monte de contas a pagar e outras coisitchas más? Três cartões postais do Lelê.

Meu coração ficou tão surpreso que transbordou pelos olhos.

Explico: o Lê está há um ano morando fora, na França, estudando. Foi um sonho que ele realizou com seu próprio empenho. E acabou de conseguir transferir definitivamente seu curso de Música da Unicamp para a Sorbonne. Ou seja, vai ficar mais um ano e se formar lá. Recentemente ele saiu de viagem para fazer um mochilão no sul da França e Itália, e foi desses lugares que ele enviou os postais.

Adorei suas palavras e as aventuras que ele descreveu, mas mais que isso, adorei por ele pensar em nós, por ele existir, por ser assim, tão lindo, carinhoso e especial.

Torço para que Deus continue ao seu lado, guiando, iluminando e lhe ajudando a compartilhar com o mundo e com a vida tudo de belo que ele tem em si.

A Vida Pede Passagem

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Às vezes penso que ainda vou ser mãezinha de criança pequena para sempre.

Deixar crescer. Deixar independer. Deixar ser. Deixar ter espaço. Deixar largar de mim. Deixar não me querer por perto. Deixar não me contar. Deixar não aparecer na foto. Deixar soltar a mão. Deixar não precisar dos meus beijos. Deixar não querer meus abraços quentes. Deixar não conversar comigo. Deixar não gostar da música que ouço. Deixar ficar. Deixar não me acompanhar. Deixar rejeitar meus conselhos. Deixar não ser igual a mim. Deixar fugir do meu consolo. Deixar não querer meu colo. Deixar escapar dos meus olhos. Deixar não precisar dos meus cuidados. Deixar se desfazer do meu já obsoleto e demodê amor de mãe de criancinha pequena ainda.

Ah…

É a vida me empurrando para o lado e rasgando espaço para poder passar.

Saber esperar.

Oooops! Imprevisto…

Foto de Sabrina Zani
Foto de Sabrina Zani

 

Como contei em outro post, passamos as férias inteiras em Campinas. Meu filhos mais novos com os primos na casa dos meus pais e eu e o Maurício em casa.

Ontem saímos de viagem de carro com destino a Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Porque a viagem é longa, planejamos uma pernoite em Penedo na ida e outra em Niterói na volta. Em Niterói, aproveitaremos para juntar o útil ao agradável e traremos meu filho mais velho de volta até Campinas, para mais alguns dias conosco.

Arrumamos as malas no domingo a noite para sair na manhã do dia seguinte, sem pressa nem correria, já aproveitando o clima gostoso de viagem de férias.

Viajamos na boa, almoçamos na Dutra e chegamos a Penedo por volta das 16h.

A pousada que escolhemos é gostosa e, assim que nos instalamos, começamos a descarregar o carro.

Foi aí que descobri o tal do imprevisto.

Meu filho, com aquele jeito todo engraçado de falar que só ele tem, veio me contar.

_Cris, (ele gosta de me chamar assim) sabe o que é… é que eu acho que temos um pequeno probleminha. É que eu esqueci a minha mala.

_Han? Hahahahaha como assim filho?

_Minha mala, ficou lá em Campinas.

_Hahahahaha cê tá brincando! Hahahahaha sério? Hahahaha como assim? Hahahahahaha cadê sua mala? Hahahaha

Tá, vocês podem não concordar comigo, mas eu morri de rir. Chorei de rir. Me escangalhei de tanto rir. Achei mega blaster engraçado. De verdade. Fazia tempo que eu não chorava de tanto rir. Foi muito divertido. Eu nem conseguia falar, só rir. Foi o máximo.

Imagine só a situação. Você sai de viagem para ficar fora uma semana inteira e só leva a roupa do corpo + um agasalho na mochila, que está cheia de gadgets e carregadores.

E… esquece a mala com todo o resto.

Eu ri. E ri. E ri mais ainda. E achei que as férias tinham começado muito bem. Primeiro dia, primeira parada, e já divertida.

Eu não gosto de imprevistos. Lembram-se? Eu sou aquela que está tentando não querer ser perfeita. Tentando. Abomino imprevisto e tudo o que sai do meu controle. Mas adorei essa situação e me escangalhei.

E amei ainda mais o meu filho.

Por ele não ser perfeito (graças a Deus). Por me contar de um jeito engraçado. Por me fazer rir tanto assim.

Que bom que ele está em minha vida.

P.S: Logo depois, saímos para dar um passeio e ele resolveu o problema. Comprou 2 cuecas, 1 sunga e uma camiseta. Com o dinheiro dele.