Para Não Dizer Que Não Falei Apenas de Calabar

 

folder-page-001 (2)
Cartaz elaborado por Nícholas e Luiz Gustavo

 

Então eu te digo, sinceramente, que não sabia quem foi Calabar. E, muito menos, que nossos grandes Chico Buarque e Ruy Guerra escreveram, em 1973, em plena ditadura militar brasileira, uma peça de teatro musicada – Calabar: O Elogio da Traição – sobre ele.

Mas o que mais me motivou a comentar sobre esse personagem da nossa não tão longínqua história foi justamente o criativo cartaz que ilustra esse post e que se encontra espalhado por inúmeros pontos de ônibus da cidade de Campinas, onde moro, confeccionado por um grupo de adolescentes, todos meninos e, entre eles, meu filho Nícholas, para divulgar um trabalho de escola.

Eu, que tenho acompanhado meus quatro filhos durante a fase escolar de suas vidas, adoro me maravilhar com a capacidade desses jovens humanos de se envolver, de criar e de compartilhar o conhecimento.

Afinal, é assim que tem que ser, não é mesmo? Há de se aprender a pensar ao invés de receber conhecimentos prontos; há de se saber o que fazer com o conhecimento adquirido e há de se conseguir passar o conhecimento para frente, para mais alguém.

Esses garotos estão há semanas envolvidos em conhecer a fundo esse período da história do Brasil, a digeri-lo, mastigá-lo inteirinho, pedaço por pedaço, para, então, criar. Criar um objeto de valor, produto do conhecimento que assimilaram.

Hoje, afinal, fui testemunha de olhares brilhantes e sorrisos de cantos de bocas, transbordando o prazer e o orgulho sincero e feliz que se sente ao constatar que o resultado da obra ficou a altura de toda a dedicação.

E, novamente, confirmo a escolha que fiz há anos atrás: escola é lugar de fecundar mentes e acolher corações. Conteúdo se consegue encontrar em qualquer lugar, mas pensamento…  só brota em mentes libertas.

Amanhã, visite a página https://www.facebook.com/calabarmito.

Meu Corpo, Minha História

A pessoa chega pra você, nunca te viu antes, acabou de te conhecer e já despeja suposições baseadas em sua aparência. Você tem X filhos? Ah, certeza que puxa ferro e faz muita academia! ou O que você fez pra ficar com o corpo assim, hein? ou ainda Nossa, Fulana, o tempo não passa pra você? e fica esperando a resposta. Mas, como é que se responde a essas perguntas?

O corpo e a cara, contam uma história, a sua história.

Quem você é, o que você pensa, o que você sente, o que você viveu, como lida com suas emoções, com seus relacionamentos, com seus problemas, com sua vida. Está tudo ali, minha gente. Ou não?

Ele traz as suas marcas. Tem cicatrizes – das cezáreas que sofreu pra dar à luz seu primogênito e sua caçulinha e das episiotomias de quando pariu seus outros dois filhos -, tem linhas de expressão ao redor dos olhos sugerindo todos os momentos felizes e tristes que viveu, alguns cabelos brancos, unhas não tão fortes, um colesterol que às vezes insiste em subir mesmo com sua alimentação vegetariana e as corridas que faz.

Seu corpo é seu e não é mais igual ao corpo que você tinha há 15 anos atrás. Ele mudou. A vida o fez mudar, se transformar. É um corpo maduro, mas que você gosta, pois aprendeu a gostar. Cuida dele com carinho, com atenção, mas sem neuras.

Não tem ganas de ser imortal e ter cara de jovem com corpo de menina eternamente. Essa corrida desvairada contra o envelhecimento e pela perfeição, em qualquer campo da vida e acima de tudo, é muito dolorosa. A perfeição não existe e o envelhecimento está muito mais dentro da cabeça do que no corpo. Se o corpo está velho é porque a cabeça ficou velha primeiro; se o corpo está largado é porque algo ficou largado na cabeça primeiro; se o corpo está doente, algo adoeceu dentro da cabeça antes disso. E quando se quer cuidar do corpo, há que se cuidar da cabeça e aceitar que a única coisa constante nessa vida é a mudança: dos segundos, das horas, dos dias, dos meses, das estações, da lua, dos anos, das marés. Tudo muda.

O corpo de hoje é a consequência do que vivemos, pensamos, sentimos e fizemos até aqui, e isso é lindo!

O corpo que teremos nesse mesmo dia do ano que vem vai mostrar tudo o que vivermos, pensarmos, sentirmos e fizermos até lá, de uma forma única, especial e diferente de qualquer outra pessoa na face da Terra. E assim será,  até o final dos tempos.

Olhar no espelho e apreciar o que vemos com carinho é compreender que somos únicos, que ninguém mais pode viver o que vivemos, que a história é nossa e somos nós mesmos que a escrevemos todos os dias.

E podemos escrevê-la sentados no sofá encontrando todas as desculpas possíveis pra não sair do lugar, ou enfrentando nossos medos, inseguranças e a famigerada preguiça pra redigir uma linha diferente a cada dia. O resultado, certamente, vai ser outro.

Todo mundo tem milhares de situações que serviriam de excelentes desculpas pra ficar sentada, enfiada dentro de casa, se lamentando, sem se mexer. Mas, as recheadas de sonhos, planos, desejos e disposição escolhem dar a cara pra bater, sair e ver o mundo, driblar seus limites e protagonizar sua história com propriedade. Nem sempre é fácil. Nem sempre conseguem.

Mas tudo bem, porque a vida é isso mesmo, um constante cair e levantar. E a queda de ontem nos faz mais fortes pra encarar os desafios de amanhã, com boa vontade e criatividade.

Há algum tempo atrás, por exemplo, tive muitas tentativas fracassadas de recriar o hábito de correr e não consegui. Então, arrumei um caderninho e, toda vez que saio para correr, trago comigo uma folha ou flor que apanho pelo chão pra colar em uma das páginas. O fato é que eu colo a flor, ou folha, só quando corro.

A sedução de ver o caderno repleto com a minha colheita passou a ser tentadora. É uma delícia folheá-lo e ver com meus próprios olhos o registro dos dias que driblei a preguiça e dei o primeiro passo. A corrida acabou virando uma diversão e meu comprometimento passou a se refletir no meu corpo que, por sua vez, continua contando a minha história.

Experimente fazer algo assim pra ajudar a concretizar seus objetivos. Pense em algo que te dê prazer. Pode ser tão simples quanto colecionar folhas de árvores a cada vez que conseguir cumprir com seu combinado. Em pouco tempo, você vai gostar tanto do que está construindo que não vai querer parar.

Mas, voltando à minha pergunta do início do texto, quero saber como é que você responde?