Oooops! Imprevisto…

Foto de Sabrina Zani
Foto de Sabrina Zani

 

Como contei em outro post, passamos as férias inteiras em Campinas. Meu filhos mais novos com os primos na casa dos meus pais e eu e o Maurício em casa.

Ontem saímos de viagem de carro com destino a Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Porque a viagem é longa, planejamos uma pernoite em Penedo na ida e outra em Niterói na volta. Em Niterói, aproveitaremos para juntar o útil ao agradável e traremos meu filho mais velho de volta até Campinas, para mais alguns dias conosco.

Arrumamos as malas no domingo a noite para sair na manhã do dia seguinte, sem pressa nem correria, já aproveitando o clima gostoso de viagem de férias.

Viajamos na boa, almoçamos na Dutra e chegamos a Penedo por volta das 16h.

A pousada que escolhemos é gostosa e, assim que nos instalamos, começamos a descarregar o carro.

Foi aí que descobri o tal do imprevisto.

Meu filho, com aquele jeito todo engraçado de falar que só ele tem, veio me contar.

_Cris, (ele gosta de me chamar assim) sabe o que é… é que eu acho que temos um pequeno probleminha. É que eu esqueci a minha mala.

_Han? Hahahahaha como assim filho?

_Minha mala, ficou lá em Campinas.

_Hahahahaha cê tá brincando! Hahahahaha sério? Hahahaha como assim? Hahahahahaha cadê sua mala? Hahahaha

Tá, vocês podem não concordar comigo, mas eu morri de rir. Chorei de rir. Me escangalhei de tanto rir. Achei mega blaster engraçado. De verdade. Fazia tempo que eu não chorava de tanto rir. Foi muito divertido. Eu nem conseguia falar, só rir. Foi o máximo.

Imagine só a situação. Você sai de viagem para ficar fora uma semana inteira e só leva a roupa do corpo + um agasalho na mochila, que está cheia de gadgets e carregadores.

E… esquece a mala com todo o resto.

Eu ri. E ri. E ri mais ainda. E achei que as férias tinham começado muito bem. Primeiro dia, primeira parada, e já divertida.

Eu não gosto de imprevistos. Lembram-se? Eu sou aquela que está tentando não querer ser perfeita. Tentando. Abomino imprevisto e tudo o que sai do meu controle. Mas adorei essa situação e me escangalhei.

E amei ainda mais o meu filho.

Por ele não ser perfeito (graças a Deus). Por me contar de um jeito engraçado. Por me fazer rir tanto assim.

Que bom que ele está em minha vida.

P.S: Logo depois, saímos para dar um passeio e ele resolveu o problema. Comprou 2 cuecas, 1 sunga e uma camiseta. Com o dinheiro dele.

 

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Em Busca da Imperfeição

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Procuro uma escola que me ensine a ser imperfeita.

Ou melhor, uma escola que me ensine a não ser perfeita. Alguém conhece?

Também pode ser um curso, uma imersão  ou, melhor ainda, um pequeno grupo de pessoas queridas que se encontram todas as semanas para conversar, compartilhar e praticar a imperfeição. Tô falando sério, estou mesmo interessada.

Não falo de imperfeição no sentido de defeito, de falha ou de erro. Imperfeição, nesse caso, se relaciona com a qualidade humana que nos acompanha desde o nascimento. Somos perfeitos em nossa imperfeição. E tentamos desesperadamente reformá-la.

Queremos ser perfeitos em tudo e sofremos quando não conseguimos. E não conseguimos. Então sofremos. Queremos ter o comportamento perfeito, ser o cônjuge perfeito, ter amizades perfeitas. Queremos criar nossos filhos de forma perfeita e queremos que eles sejam perfeitos em seus comportamentos e escolhas. Queremos ter um visual maravilhoso, a roupa perfeita, o cabelo certo, a pele de bebê, o corpo de modelo, a vida perfeita. Também queremos que a casa esteja sempre em ordem, a cozinha sempre organizada, os cachorros muito bem comportados e que os gatos não soltem pelos por aí. Queremos que o nosso carro esteja sempre lavado por fora e limpo por dentro e que seja novo. Queremos muitas outras coisas perfeitas, mas o pior de tudo é que queremos não ter imperfeições.

Não gostamos de admitir que costumamos esquecer os nomes das pessoas (que deselegante!) e, às vezes, esquecemos até as pessoas; que não somos bons em fazer contas de cabeça; que não sabemos as funções de todos os botões da televisão que está ligada na Net e acoplada ao Play Station e linkada ao Pop Corn Hour (que absurdo!). É difícil de assumir quando fazemos uma bobagem, falamos uma besteira descabida, não sabemos como se escreve uma palavra, não entendemos uma piada, levamos susto toda vez que alguém entra em silêncio na sala ou temos um dia de mau humor.

Quero treinar minha imperfeição. Aquela imperfeição que tem um certo toque de ingenuidade, uma pitada de maluquice, com cheiro de entrega, gosto de aceitação, cor de oceano. Que transgride convenções, frustra expectativas alheias, surpreende a família, mas é inofensiva e não agride o outro e nem a mim mesma. A imperfeição que é essencial para me fazer saber quem eu sou e  o quanto sou única. E quero rir dela e fazê-la a parte mais bela de mim. Aquela parte que as pessoas queridas sentem falta quando estão com saudade da gente. Porque é ela que nos diferencia de todos os outros.

Esse ano quero treinar a imperfeição consciente. Em uma escola que me ajude a perceber em mim tudo o que não é igual nem ideal e que, com carinho, me ensine a ver a graça e a beleza de ter esses tesouros, essas pedras raras.

Em que escola posso treinar ser diferente?

A Perfeição é Muito Chata.

Quem foi o louco que disse que temos que ser perfeitos?

Perseguir a perfeição é o mesmo que correr, correr, correr e morrer na praia. Na praia!! Bem na hora em que tocamos os pés na areia fofa e sentimos o aroma do imenso oceano a nos chamar para um refrescante abraço.

Por que alguém iria querer uma coisa dessas?

A perfeição aprisiona e tolhe. Mata a criatividade e afoga a espontaneidade. Em nome do perfeito ninguém aprecia o simples, o bom, o gostoso, o autêntico.

Em nome do perfeito, somos forçados e esforçados. Vivemos de aparências, sobrevivemos de desespero.

Ser perfeito acaba conosco.

O escritor, quando lança um trabalho perfeito, empaca com medo de não conseguir o mesmo sucesso no próximo livro. O artista se apega à perfeição e beleza de sua obra e trava, inseguro de sua capacidade de produzir outro trabalho à altura do anterior.

O perfeito diz respeito ao outro; o imperfeito diz respeito a nós mesmos. O perfeito satisfaz expectativas; o imperfeito surpreende e revoga as expectativas. O perfeito é sempre o esperado; o imperfeito é a surpresa, que delícia!

Eu já quis ser perfeita e nessa tentativa só encontrei chatice.

Por isso, decretei que vou ser imperfeita. Meu objetivo agora é destruir as grades que me aprisionam à perfeição e abrir as asas para voar… cansar, cair, perder umas penas, trombar com uma árvore florida, escolher o galho errado, cantar desafinado e ser feliz.

De hoje em diante eu sou Tina: errada, imperfeita e fora do lugar. Pronto.

Ahhh, vai ser tão bom!

Casamento perfeito, bumbum perfeito, filhos perfeitos, unhas perfeitas, vida perfeita, dia perfeito, amiga perfeita, pais perfeitos… Não. C’est fini pour moi.

O segredo é não esperar autoperfeição e sim autoconhecimento: conhecer e desenvolver nossas qualidades, reconhecer e diminuir nossas dificuldades, ampliar nossos limites, expandir nossos horizontes, fortalecer nossas capacidades.

Você também foi engolido pela busca frenética do ser perfeito? Então aqui fica meu convite: vamos juntos desaprender a perfeição?