Com Cheirinho de Hortelã

Reinventar com Cheirinho de Hortelã.
Crédito da Foto: Tina Zani

 

Há quanto tempo você não começa a se relacionar com um grupo novo de pessoas, todas de uma vez?

Pra mim, fazia muuuuito tempo. Tanto, que eu já tinha me esquecido o quanto isso é gostoso, renovador e estimulante.

É uma maravilhosa oportunidade de exercer e desenvolver o carisma e a capacidade de fazer novas amizades.

Aconteceu comigo recentemente.

Em uma situação assim, onde ninguém te conhece ainda, é possível ser qualquer coisa que almejamos, de qualquer jeito que queremos, sem necessariamente causar qualquer estranhamento.

Podemos fazer mudanças positivas, significativas e prazerosas em nosso comportamento sem que o outro tenha qualquer expectativa, já que não sabe quem somos.

Se sempre fomos tímidos, podemos ousar ser espontâneos; se normalmente somos quietos, podemos passar a ser tagarelas; se estamos acostumados a passar despercebidos, podemos começar a chamar a atenção; se nos achamos sérios demais, podemos praticar ser mais divertidos, descontraídos, alegres, sorridentes, cativantes. Podemos ser criativos e nos reinventar.

Fazer parte de um novo grupo torna as mudanças mais fáceis. É como começar do zero.

Uma hora, as novas atitudes estarão tão dentro de nós que começarão a aparecer, inclusive, nos nossos antigos círculos sociais também. Nesse ponto, quando isso acontecer, seremos uma pessoa completamente renovada, potencialmente melhor do que antes, exalando frescor e cheirando a hortelã.

Pra mim, isso é delicioso. Experimente!

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Fim De Férias

Foto de Sabrina Zani
Foto de Sabrina Zani

 

Essa semana acabam as férias escolares aqui em casa.

Na quinta todo mundo recomeça as aulas e, pela primeira vez em 14 anos, vou ter todos (isto é, os dois que ainda moram aqui em casa) estudando no mesmo horário, de manhã. Vai ser uma bela novidade.

Embora eu tenha sonhado com isso há bastante tempo, com certeza vamos levar alguns dias para nos adaptar e acostumar com a nova rotina.

Minha filha, que sempre estudou a tarde, vai ter que aprender a cair da cama às 6h da manhã e estar pronta até as 7h.

Eu adoro a ideia de acordar cedo. Adoro o ar e o silêncio da manhã bem cedinho. Adoro a sensação de aproveitar o dia que tenho quando me levanto junto com o sol. Tenho a impressão que tudo rende mais. Me sinto mais feliz e bem disposta. O dia fica longo e parece até que é infinito. Gostaria de acordar todos os dias 5 min antes do sol nascer. Fico super empolgada com todas as inúmeras possibilidades de se ter um dia compriiiiido.

Mas preciso te contar um segredo… Ai, ai, ai… Que difícil que é reacostumar a acordar cedo.

Hoje, por exemplo. Liguei meu alarme para as 6h15, assim teria tempo de me levantar sem pressa, tomar meu café da manhã tranquila, sair para correr, tomar banho e ficar pronta antes do meu compromisso às 10h. Não levantei.

O alarme tocou de novo às 6h30. Também não levantei.

Acabei saindo da cama às 8h15 e, lógico, não fui correr.

Chegamos de viagem no sábado, vindos de uma semana inteira de preguiça, preguiça, preguiça, praia, sombra e água fresca. Levantava depois das 8h todos os dias. Alguns dias mais, outros menos, mas todos depois das 8h. E achei que fosse conseguir ‘pegar no tranco’ logo que chegasse em casa.

Não consegui, não rolou. Mas, lá no fundo, já imaginava que não ia dar certo assim, de supetão. Esqueci de uma coisa muito importante.

Porque, apesar de amar a ideia de madrugar e todas as possibilidades de ter um dia mais longo e de me sentir bem melhor, não quero abrir mão de ficar mais um pouco na cama enquanto ainda posso. Então, acordar cedo fica parecendo um sacrifício, quando poderia ser uma delícia.

Preciso de muita força de vontade para realizar um sacrifício. E um sacrifício será sempre um sacrifício, nunca uma delícia.

Por isso prefiro as mudanças que acontecem lentamente, gradualmente, quase sem perceber, bem devagarinho. Devagar eu vou longe. E, quando me dou conta, já cheguei aonde queria e fui mais além.

Quando começo pequeno, com um passo de cada vez, não me sobrecarrego, não exijo demais de mim mesma e, normalmente, consigo cumprir o que me propus. Isso me dá uma deliciosa sensação de alegria e vontade de continuar, de me superar.

Indo assim, de pouquinho em pouquinho, nada parece difícil, mesmo que eu esteja caminhando para fora da minha zona de conforto – mas só um tico de cada vez. Com o tempo, o que era para ser uma grande transformação, acaba se incorporando ao meu dia-a-dia com pequenos passos em uma escada bem suave.

As mudanças que faço lenta e gradualmente vêm para ficar e passam a fazer parte da minha vida muito mais do que os grandes passos que quero dar de repente. Esses são fogo de palha. Queimam rápido e se apagam, porque parecem grandes demais e assustam, demandando um sacrifício enorme.

Um bom exemplo é o que aconteceu comigo hoje.

Se, ao invés de já, de cara, querer me levantar as 6h15 para correr e dar conta de todo o resto, eu tivesse me proposto a sair da cama 20 ou 30 minutos mais cedo do que ontem, certamente não teria sido tão difícil e eu teria conseguido. E, se seguisse assim, me levantando todos os dias 20 a 30 min mais cedo que o dia anterior, em 4 a 6 dias já conseguiria chegar no horário das 6h15, quase sem esforço.

Gosto de usar essa técnica para quase tudo na minha vida. Para correr, para criar novos hábitos, para formar novas rotinas, para guardar dinheiro, para incluir novos exercícios… Tudo o que faço assim tem um enorme potencial para dar certo. E sempre que dá certo, me sinto feliz e quero mais. Isso me mantém caminhando sempre para frente.

Mas… às vezes me esqueço e faço como hoje. Está tudo bem também.

As falhas fazem parte de qualquer processo de crescimento e aperfeiçoamento. É com elas que aprendo a lição mais importante: continuar. Adaptar e continuar. Mudar aqui, mudar ali e continuar. Rever o plano e continuar. Redirecionar e continuar. Continuar sempre.

Mudando e melhorando só um pouquinho de cada vez, sem parar, ao final de alguns meses terei colecionado algumas maravilhas.

Como você faz pequenas e grandes mudanças em sua vida? Já experimentou começar aos pouquinhos, como eu?

 

 

 

 

Mudar, Pra quê?

A vida é cheia de mudanças e eu tenho uma enorme facilidade de guinar e fazer coisas diferentes. Gosto do novo, gosto de mudar e de inventar moda. As coisas sempre iguais me incomodam.

Mudo tudo. Arrasto móveis, troco quadros, mudo de trabalho, invento uma profissão, escolho outro estilo, vario o corte de cabelo, paro o que estou fazendo. E, normalmente, sou radical na diversificação. Quando troco, troco pra valer, sem dó.

Sempre foi assim.

Até alguns anos atrás, no entanto, ficava muito incomodada com isso e me achava errada. Um peixe rosa em um aquário onde todos os peixes eram azuis. Ninguém mudava nada, só eu. Eu era a diferente.

Quando pequena, meu pai costumava dizer que eu começava as coisas e não terminava. Durante muitos anos acreditei que eu realmente fazia isso, o que me deixava imensamente chateada. Ele realmente tinha razão, mas…

Um dia, uma amiga me falou, com muito orgulho, sobre como ela própria gostava de jogar tudo pro alto a cada quatro anos. Mudar de vida, trocar de profissão, escolher outros interesses, que nem camaleoa. Conversando com ela, fui percebendo que não deixei nada pela metade em minha vida, fui até o fim de tudo o que comecei.

O fim de algo é aquele momento em que a coisa já não te serve mais, mesmo que o curso ainda não tenha acabado, que você ainda não tenha se aposentado, os quadros ainda não estejam amarelados, o sofá ainda dê pro gasto.

Mudar é legal, faz bem, mantém-nos alertas, afiados, fortes e flexíveis, exercita a nossa determinação e nos deixa jovens por mais tempo. Alimenta a felicidade.

Eu mudo. Você, não? Gosto de extrair ao máximo tudo o que uma atividade tem pra oferecer, chupar a laranja enquanto ela ainda tem um gostinho especial e, então, comer uma maçã.

Troque de fruta, mas não de raízes. Estas devem estar firmemente fincadas no solo. Não fique rolando que nem tatu-bola pra lá e pra cá, sem rumo. Tenha sempre um rumo – às vezes sul, às vezes norte, mas saiba pra onde está indo e transforme-se por ele todos os dias. Você vai colher doces frutos.

Algumas pessoas se movimenta em busca de novos horizontes, enquanto a maioria prefere ficar parada que nem poste, iluminando para sempre o mesmo lugar.

Tem gente que rema contra o rio e tem gente que flui com a correnteza. Eu sou um barquinho colorido na superfície das águas.