Pequena História Sobre As Mulheres Antigas Para As Mulheres De Hoje

Mulheres Antigas:
Crédito da Foto: Sabrina Zani

 

Essa é a história de algumas tantas mulheres que existiram de verdade, há muitos, muitos, muitos e muitos anos atrás, em um tempo em que o mundo era bebê e a humanidade cuidava de crescer em singeleza, singularidade, delicadeza, sensibilidade, força e graciosidade.

Elas tinham poderes especiais e conheciam muito bem todas as facetas de sua feminilidade, sua alma e sua origem.

Lá no âmago de cada uma delas, pulsava a essência da natureza, o instinto vibrante, vivo, cadente, latejante.

Essas mulheres antigas eram capazes de amar, chorar, guerrear e se entregar inteiras à vida que corria quente e úmida em suas veias. Elas se encantavam, se encontravam, sentiam, pulsavam, riam juntas e deixavam que o universo fluísse através de seus corpos nus e sem máscaras.

Sem máscaras.

Seus corações tinham uma percepção aguçada, suas almas eram espíritos brincalhões e livres, seus olhos eram curiosos e brilhantes, seus seios eram o alimento quente de abraço, amor e carinho, seus passos eram fortes, corajosos, resistentes, determinados.

Profundamente intuitivas, as mulheres antigas defendiam com coragem e firmeza os valores que acreditavam fundamentais pra que suas vidas chegassem ao ápice da realização e da felicidade. Qual leoa protegendo suas crias.

Não tinham medo de viver num mundo pleno de mutações e compreendiam que seus próprios corpos refletiam os ciclos da lua, as estações do ano, a cheia e a vazão das marés, o nascimento, a vida e a morte.

Menstruação, gravidez, lactação.

As mulheres antigas eram capazes de mimetizar com as forças da natureza e entendiam que havia um tempo pra correr e outro pra caminhar, um tempo pra criar e outro pra germinar, um tempo pra falar e outro pra silenciar, pra ir e pra ficar.

Mantinham aceso no peito seu fogo criador, a força de sua sexualidade, sua capacidade de expressão, sua sabedoria inata, sua espiritualidade e sua liberdade inerente e natural.

Fecundas. Mutáveis. Cíclicas. Plenas. Íntegras.

Sabiam cultivar os espaços, entendiam os mistérios da vida, liam nas entrelinhas as palavras que não foram ditas, decifravam símbolos, sinais, mensagens.

Corpos, olhares, sentimentos, emoções.

As mulheres antigas enxergavam no escuro.

E as mulheres do presente… As mulheres do presente têm uma mulher antiga adormecida em seus corações.

Eu, você, nossas avós, bisavós, nossas amigas e tias, todas temos uma mulher antiga domesticada pelo andar da sociedade.

Silenciada, dominada, mas viva e com enorme potencial pra abrir as asas e voar.

Podemos desabrochar feito flor, se sabemos que trazemos em nós todos esses poderes maravilhosos.

Somos nós que criamos o universo a nossa volta. Temos o poder da vida em nossos corpos.

Compreendemos as profundezas da alma humana e conhecemos segredos e mistérios que nenhum outro ser vivo conhece.  Temos o dom da intuição e estamos imersas nos ritmos cósmicos.

Esse é o momento de deixar florescer nossas qualidades guerreiras – a força e a capacidade de dar e manter a vida, de gerar e de renovar – próprias da fêmea.

Nossas, e só nossas.

Somos o lado iluminado da noite. Somos o desconhecido, os mistérios das emoções, o amor, o cuidado, o repouso e também o movimento, o pensar com o corpo, a receptividade, o guardar no coração.

Somos a intuição, o estar em contato com nossa essência mais verdadeira, o ouvir nossos corações, o compartilhar, o degustar a vida.

Somos diferentes. Então, vamos nos distinguir dos que nos cercam.

Assumir nossa criatividade, cultivar nosso talento, admitir nossa profundidade, nosso jeito de ser mulher. Sábias, intuitivas.

Alma. Sexo. Procura. Descanso. Movimento. Garra. Coragem.

A permissão pra ser quem somos vem de nós mesmas, basta despertar pra ela.

Sentimos falta destas qualidades tão básicas e estruturais da nossa feminilidade. Não precisamos viver domesticadas e privadas do nosso poder de ser mulher.

Podemos aceitar nosso ser feminino em todas as suas formas e fragilidades.

De onde a mulher tira tanta força, tanta esperança, tanta vida?

 

Vamos exercer nosso encanto e brilhar feito lua cheia pendurada num céu cravado de estrelas…

 

 

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