Amanhã Eu Faço Isso

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Ando deixando tudo pra depois.

Depois eu escrevo aquele post que acabei de pensar… Daqui a pouco eu termino aquela aquarela… Mais tarde eu sento pra desenvolver a ideia super legal que tive… Amanhã eu começo a rever e treinar francês… Já já eu passo a me dedicar mais ao meu treinamento de corrida…

Procrastinar. Eu tenho essa mania. Especialmente com as coisas que mais gosto e que me fazem tão bem, que me alimentam e me fazem ser uma pessoa melhor. Como se essas coisas não fossem assim tão importantes.

Sabe qual o jeito que mais gosto de usar pra procrastinar? Me ocupar com as coisas do lar: recolher a roupa suja dos banheiros, colocar na máquina, pendurar no varal, recolher do varal, arrumar a pia da cozinha, varrer a varanda, limpar a liteira dos gatinhos, limpar a mesa de jantar e os jogos americanos. Essas tarefas – e só essas – são as minhas favoritas em casa. Das outras não gosto (mas faço também).

Então, quando penso em pegar meu computador pra escrever, no meio do caminho até ele me dá um clique e, de repente, estou na área de serviço cuidando da roupa da família. Na minha cabeça penso que ‘vou fazer isso aqui rapidinho e depois…’ (completo a frase com o que quer que seja que vai ficar pra depois de depois de depois de depois… daquilo lá)Quando a noite chega, hu! Adivinhe… não deu tempo.

Ficou tudo pra depois que eu acordar no dia seguinte.

E no dia seguinte? A história se repete.

Procrastinar, a arte de deixar algo pra depois por motivos repreensíveis.

Mas eu não gosto disso. Não quero isso. E, pior, me cobro por isso. Isso precisa mudar.

Conheço gente que faz milagre com as 24 horas de um dia. Dão conta de si, de tudo, de todos e de mais um pouco.

Eu não quero fazer milagre, quero apenas dar conta de mim em todas as minhas facetas nas 24 horas do meu dia.

Parece que fiz a maior confusão. Sinto que inverti totalmente as coisas e o que deveria ser prioridade virou enrolação.

Fiquei esperançosa quando li um texto sobre isso hoje de manhã.

O texto traz umas dicas de como parar de procrastinar – o que achei muito legal e útil – mas o que mais tocou meu coração foi perceber que esse não é um problema só meu. Há mais alguém no mundo que também procrastina. E também não gosta. E quer mudar. Isso me deu uma sensação de pertencimento, de acolhimento. Me trouxe um sentimento de poder… poder mudar. Não estou sozinha nessa jornada.

Vou experimentar no meu dia a dia as dicas que encontrei lá.

Basicamente, o que tenho que fazer é quebrar o hábito de procrastinar através de pequenas sessões diárias de treinamento na atividade que quero realizar: começar com 5 a10 minutos por dia durante uma semana; depois, aumentar para 10 a 15 minutos por mais duas semanas e, na quarta semana, passar para 20 minutos.

Um pouquinho de cada vez, do jeito que eu gosto.

Pra me lembrar de realizar o treinamento, é uma boa ideia colocar um lembrete em algum lugar estratégico, tipo na tela do computador (no meu caso, o lugar ideal seria a máquina de lavar). E todas as vezes que der vontade de interromper a sessão pra fazer outra coisa, parar, prestar a atenção nessa vontade, deixá-la passar e retornar ao treinamento.

Se você quiser dar uma olhada no texto completo, vale a pena: How to Beat Procrastination with Daily Training

Anúncios

Fim De Férias

Foto de Sabrina Zani
Foto de Sabrina Zani

 

Essa semana acabam as férias escolares aqui em casa.

Na quinta todo mundo recomeça as aulas e, pela primeira vez em 14 anos, vou ter todos (isto é, os dois que ainda moram aqui em casa) estudando no mesmo horário, de manhã. Vai ser uma bela novidade.

Embora eu tenha sonhado com isso há bastante tempo, com certeza vamos levar alguns dias para nos adaptar e acostumar com a nova rotina.

Minha filha, que sempre estudou a tarde, vai ter que aprender a cair da cama às 6h da manhã e estar pronta até as 7h.

Eu adoro a ideia de acordar cedo. Adoro o ar e o silêncio da manhã bem cedinho. Adoro a sensação de aproveitar o dia que tenho quando me levanto junto com o sol. Tenho a impressão que tudo rende mais. Me sinto mais feliz e bem disposta. O dia fica longo e parece até que é infinito. Gostaria de acordar todos os dias 5 min antes do sol nascer. Fico super empolgada com todas as inúmeras possibilidades de se ter um dia compriiiiido.

Mas preciso te contar um segredo… Ai, ai, ai… Que difícil que é reacostumar a acordar cedo.

Hoje, por exemplo. Liguei meu alarme para as 6h15, assim teria tempo de me levantar sem pressa, tomar meu café da manhã tranquila, sair para correr, tomar banho e ficar pronta antes do meu compromisso às 10h. Não levantei.

O alarme tocou de novo às 6h30. Também não levantei.

Acabei saindo da cama às 8h15 e, lógico, não fui correr.

Chegamos de viagem no sábado, vindos de uma semana inteira de preguiça, preguiça, preguiça, praia, sombra e água fresca. Levantava depois das 8h todos os dias. Alguns dias mais, outros menos, mas todos depois das 8h. E achei que fosse conseguir ‘pegar no tranco’ logo que chegasse em casa.

Não consegui, não rolou. Mas, lá no fundo, já imaginava que não ia dar certo assim, de supetão. Esqueci de uma coisa muito importante.

Porque, apesar de amar a ideia de madrugar e todas as possibilidades de ter um dia mais longo e de me sentir bem melhor, não quero abrir mão de ficar mais um pouco na cama enquanto ainda posso. Então, acordar cedo fica parecendo um sacrifício, quando poderia ser uma delícia.

Preciso de muita força de vontade para realizar um sacrifício. E um sacrifício será sempre um sacrifício, nunca uma delícia.

Por isso prefiro as mudanças que acontecem lentamente, gradualmente, quase sem perceber, bem devagarinho. Devagar eu vou longe. E, quando me dou conta, já cheguei aonde queria e fui mais além.

Quando começo pequeno, com um passo de cada vez, não me sobrecarrego, não exijo demais de mim mesma e, normalmente, consigo cumprir o que me propus. Isso me dá uma deliciosa sensação de alegria e vontade de continuar, de me superar.

Indo assim, de pouquinho em pouquinho, nada parece difícil, mesmo que eu esteja caminhando para fora da minha zona de conforto – mas só um tico de cada vez. Com o tempo, o que era para ser uma grande transformação, acaba se incorporando ao meu dia-a-dia com pequenos passos em uma escada bem suave.

As mudanças que faço lenta e gradualmente vêm para ficar e passam a fazer parte da minha vida muito mais do que os grandes passos que quero dar de repente. Esses são fogo de palha. Queimam rápido e se apagam, porque parecem grandes demais e assustam, demandando um sacrifício enorme.

Um bom exemplo é o que aconteceu comigo hoje.

Se, ao invés de já, de cara, querer me levantar as 6h15 para correr e dar conta de todo o resto, eu tivesse me proposto a sair da cama 20 ou 30 minutos mais cedo do que ontem, certamente não teria sido tão difícil e eu teria conseguido. E, se seguisse assim, me levantando todos os dias 20 a 30 min mais cedo que o dia anterior, em 4 a 6 dias já conseguiria chegar no horário das 6h15, quase sem esforço.

Gosto de usar essa técnica para quase tudo na minha vida. Para correr, para criar novos hábitos, para formar novas rotinas, para guardar dinheiro, para incluir novos exercícios… Tudo o que faço assim tem um enorme potencial para dar certo. E sempre que dá certo, me sinto feliz e quero mais. Isso me mantém caminhando sempre para frente.

Mas… às vezes me esqueço e faço como hoje. Está tudo bem também.

As falhas fazem parte de qualquer processo de crescimento e aperfeiçoamento. É com elas que aprendo a lição mais importante: continuar. Adaptar e continuar. Mudar aqui, mudar ali e continuar. Rever o plano e continuar. Redirecionar e continuar. Continuar sempre.

Mudando e melhorando só um pouquinho de cada vez, sem parar, ao final de alguns meses terei colecionado algumas maravilhas.

Como você faz pequenas e grandes mudanças em sua vida? Já experimentou começar aos pouquinhos, como eu?

 

 

 

 

O Embrulho do Presente

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Conheço pessoas que simplesmente amam moda e adoram estar dentro de um modelito super mega blaster atual.

Eu, na contra-mão dessa tendência, prefiro me vestir com roupas que expressem o meu próprio estilo, imperfeito.

Simples. Confortáveis. Fáceis. Curtas. Alegres. Essas são as minhas prediletas.

Você já parou para pensar quanto tempo desperdiçamos tomando decisões e fazendo escolhas? Tempo precioso, que poderia estar sendo empregado em atitudes produtivas e criativas ou em lazer e diversão.

Muitas vezes me pego perdida e congelada tentando escolher o que vestir, ou decidir o que preparar para o almoço. E isso se repete a toda hora com situações diferentes em um dia comum. Cada vez que isso acontece, parte da minha energia mental se esvai, escorrendo como água para fora da bacia.

Se você é como eu, já deve ter se surpreendido procrastinando essas pequenas decisões e ocupando-se com atividades rotineiras e ‘seguras’, que não demandam tanta energia mental, como lavar a louça, pendurar a roupa da máquina, alimentar os gatos, arrumar a cama. Essas são minhas especialidades quando o assunto é procrastinar.

Esta semana vou dar uma geral no meu guarda-roupas. Minha intenção é tornar a minha vida mais fácil, meus dias mais produtivos e minhas decisões mais instantâneas, pelo menos no que diz respeito a o que vestir.

Só vai sobreviver o que já foi testado e aprovado.

Meu armário é pequeno, tem só duas portas, mas é incrível a minha capacidade de colocar coisas lá dentro: de roupas a objetos queridos, passando por Nutella e chocolate amargo (estes últimos estão escondidos lá para eu poder saborear sem precisar dividir com todos os outros moradores da casa).

Vira e mexe faço uma limpa e um esforço supremo para tirar tudo o que não costumo usar, mas algum tempo depois lá estou eu acumulando tudo de novo… de novo.

Dessa vez vou fazer algo diferente. O processo é o mesmo, mas o foco é outro: ficar apenas com minhas peças favoritas. De verdade. O que isso significa? Roupas nas quais me sinto bem, confortável, elegante e euzinha.

No ano passado, conversando com o Mau a respeito da minha dificuldade em decidir o que vestir para trabalhar, ele me deu uma sugestão muito legal que me economizou tempo e stress. Fiz uma lista de 12 looks completos – incluindo sapatos! –  e separei-os por dia de trabalho. Anotei tudo em uma folha de papel e grudei na porta do meu armário.

Na hora de me vestir era só consultar a lista. Foi bárbaro.

Quando desperdiço minha energia tentando decidir o que vestir e o que comer todos os dias, me torno menos eficiente em meu trabalho e tenho menos tempo para o que me interessa.

Esse ano vou fazer assim… ao invés de montar inúmeros looks diferentes, vou tornar as coisas ainda mais simples e escolher o meu ‘look da estação’. E me ater a ele.

Algumas pessoas realmente interessantes e altamente produtivas também trilharam um caminho parecido. É o caso de Steve Jobs, com sua camisa preta e jeans, ou Mark Zuckerberg de camiseta cinza, casaco preto com capuz e jeans. Não serei assim tãããão igual todos os dias, mas quem sabe consigo o sucesso que eles tiveram usando melhor o tempo que vai me sobrar 😀

Aqui está o que vou fazer para transformar meu guarda-roupas:

  • manter apenas minhas roupas prediletas, aquelas que gosto e uso de verdade.
  • ter peças curingas, que servem tanto para momentos casuais como ocasiões mais formais, e que combinam entre si formando uma variedade de possibilidades.
  • ao fazer compras, preferir peças que realmente gosto, independente do valor (ai…). Isso fará com que eu priorize a qualidade ao invés da quantidade e não amontoe coisas que não vou usar.
  • escolher acessórios como brincos, colares e cintos para incrementar meu visual.

E você, costuma acumular roupas que não usa? Preocupa-se com a moda? Que estratégias usa para escolher suas roupas com eficiência e rapidez?