Pedir, Querer, Poder

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Gosto muito do homeopata que visito de vez em quando, o Dr. Paulo de Tarso Seixas.

Além de excelente profissional, ele é também uma pessoa muito especial, de uma sensibilidade excepcional e que me ensina muito sobre a vida e os relacionamentos todas as vezes que vou lá.

Ele tem me acompanhado, e à minha família, há uns 20 anos.

Em uma de nossas últimas conversas, falávamos sobre a mania que nós, seres humanos, temos de assumir responsabilidades que não nos cabem, ou seja, a mania de ter tudo sob nosso controle. Por exemplo, quando nos metemos nos problemas alheios para tentar ajudar ou quando não conseguimos guardar nossos palpites só para nós ou, ainda, quando queremos corrigir os outros porque não são como nós.

Isso nos levou a falar, também, sobre a dificuldade que temos de dizer não e todas as consequências disso em nossa vida prática, em nossa saúde, nosso tempo livre, nosso bem estar.

Depois de muito bate papo, ele me escreveu um esquema que tenho colado no espelho do meu banheiro pra me lembrar do meu lugar na vida dos outros e do direito que tenho de fazer minhas próprias escolhas.

Quando uma situação se apresenta a nós, devemos nos fazer três perguntas:

  1. Alguém pediu?
  2. Eu quero?
  3. Eu posso?

Se as respostas às três perguntas forem sim, e só nesse caso, podemos tomar alguma atitude.

Se respondermos não a qualquer uma delas, mesmo que as outras duas respostas sejam sim, então temos que nos colocar em nosso lugar e não nos meter ou assumir o problema do outro.

Vamos analisar as situações.

Primeira pergunta: Alguém pediu? Se a resposta for não, ninguém pediu, respeito o direito do outro de tentar resolver seus problemas sozinho, ainda que isso seja difícil pra mim. O máximo que posso fazer, caso eu queira possa, é me mostrar disponível pra ajudar. E só.

As duas últimas perguntas dizem respeito ao meu direito de dizer não. Ou seja, quando alguém me pede um favor, antes de dar qualquer resposta, primeiro considero se quero ajudar para, em seguida, verificar se tenho disponibilidade e condições para tanto.

 

Muitas vezes, na ânsia de parecer prestativos, nos metemos em outras vidas e não permitimos que o outro cresça e amadureça.

Outras vezes, com receio de sermos mal compreendidos, atropelamos nossa própria vida para atender outras pessoas e resolver problemas que não são nossos.

Preservar nossa individualidade e nosso espaço não é egoísmo, é saúde, respeito e autoconhecimento.

Egoísmo é agir por vaidade para conquistar a aprovação alheia.