Os Filhos e o Mundo – Saudade


 

A saudade é bonita só na poesia. Na vida real ela arde. ~Clarissa Corrêa.

 

Quero falar de uma coisa. Não achei que fosse me sentir assim.

Sei que somos apenas as vias de acesso a esse mundão de Deus, mas é duro vivenciar a partida.

A gente se acostuma com a casa cheia: de pais, de irmãos, de filhos, de amigos dos filhos, de amigos dos amigos dos filhos, de bichinhos de estimação. E, então, temos que passar pelo processo.

Primeiro, são os irmãos que se vão. Depois, nós também nos vamos e deixamos os pais e os irmãos.

Florescemos e damos vida a filhinhos queridos, que crescem, crescem, crescem… Enchem a casa de alegria, de sons, de calor, de colorido, de amor. E a gente gosta…

Crescem mais e começam a trazer seus amigos para fazer mais barulho, mais bagunça. Formam uma banda,  tocam bateria, piano, guitarra, acordeon, violão, trompete, incomodam os vizinhos… E a gente reclama.

Cantam no chuveiro, demoram no banho, fazem lanchinho às 4 da manhã, deixam a louça suja, dormem até às 15h25, perdem a hora, perdem as chaves de casa, batem o carro… E a gente reclama.

Dão risadas sozinhos olhando para o computador, não guardam a roupa limpa, não recolhem a roupa suja, não arrumam o quarto, deixam a barba crescer, não querem cortar o cabelo… E a gente reclama.

Passam o dia de pijama, vão à padaria de samba-canção, esquecem de cortar as unhas, não fazem a lição, arrastam o pé para andar, têm dor nas costas, acham que sabem tudo, acordam de mau-humor…

E a gente reclama…

Daí eles se vão. E a gente sente saudades de tudo isso. E a saudade arde no peito e faz brotar água nos olhos quando menos esperamos: no carro, buscando a filha no inglês, toca aquela canção; na cama, dormindo, vem aquele sonho; sentada no computador escrevendo no meu blog.

Tenho uma amiga querida que passou pela despedida antes de mim. Ela me ensinou que é preciso sentir, sentir tudo, transbordar, arder, queimar até que tudo seja apenas paz e brilho… e cinzas. Porque depois vem a chuva e a vida brota de novo.

Também quero ensinar o que estou aprendendo com o vazio que fica… É preciso tomar conta da amizade para poder renascer mais bela.

 

Não importa: a saudade arde. Mas serve para nos mostrar como o outro é importante. Serve para mostrar como pequenas coisas fazem falta. A saudade faz a gente prestar mais atenção no outro. E, principalmente, a saudade mostra o que é de verdade. Porque só os amores guerreiros sobrevivem ao tempo e à distância. ~Clarissa Corrêa

 

 

 

Tão Longe, Tão Perto

Minha irmã mora bem longe de mim, lá nos Estados Unidos, há mais de 10 anos.

Casou-se lá com um marido americano e tem um casal de filhinhos lindos.

Sentimos muitas saudades uma da outra. Ela costuma vir para o Brasil uma vez por ano e, às vezes, eu consigo ir para lá visitá-la. Adoro!

Há uns anos atrás, ela me enviou um presente muito especial: um livro.

Não um livro comum, um livro diferente, de perguntas e respostas, pra ser completado em parceria com mais alguém. Alguém muito especial. Achei a ideia fantástica. São 365 perguntas, uma para cada dia do ano, e dá pra usar por três anos. Cada página tem a pergunta do dia e espaços para a minha resposta e para a dela, conforme a foto que ilustra esse post.

Como ela não está aqui no Brasil, fazemos a brincadeira online: eu envio a pergunta do dia e a minha resposta; ela também responde online e eu transcrevo para o livrinho. É muito gostoso fazer isso porque é uma forma criativa de estarmos em contato, de nos conhecermos melhor uma à outra, além de ser também uma oportunidade pra contar as novidades e as coisas da vida, uma vez que estamos sempre nos comunicando.

Nem sempre conseguimos responder às perguntas uma a uma. Muitas vezes acontece de acumular vários dias e respondermos tudo junto, meio atrasadinhas, mas o que vale é a conexão que criamos uma com a outra, uma das coisas mais valiosas dessa vida.