Coração de Mãe de Filho Longe

Foto Tina Zani
Foto Tina Zani

 

Essa semana o Mau esteve fora.

Saí de casa apressada quase todos os dias, sempre vendo a caixinha de correios abarrotada e sem ter tempo pra pegar a correspondência.

Na quinta deu tempo… E sabe o que tinha lá, no meio de um monte de contas a pagar e outras coisitchas más? Três cartões postais do Lelê.

Meu coração ficou tão surpreso que transbordou pelos olhos.

Explico: o Lê está há um ano morando fora, na França, estudando. Foi um sonho que ele realizou com seu próprio empenho. E acabou de conseguir transferir definitivamente seu curso de Música da Unicamp para a Sorbonne. Ou seja, vai ficar mais um ano e se formar lá. Recentemente ele saiu de viagem para fazer um mochilão no sul da França e Itália, e foi desses lugares que ele enviou os postais.

Adorei suas palavras e as aventuras que ele descreveu, mas mais que isso, adorei por ele pensar em nós, por ele existir, por ser assim, tão lindo, carinhoso e especial.

Torço para que Deus continue ao seu lado, guiando, iluminando e lhe ajudando a compartilhar com o mundo e com a vida tudo de belo que ele tem em si.

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Minha Amiga A.

Foto de Sabrina Zani
Foto de Sabrina Zani

 

Eu tinha uma amiga muito querida. A.

Nós nos conhecemos por acaso…

Meus filhos estudavam na escola onde ela dava aulas.

Ela estava grávida do seu caçula e eu estava grávida da minha caçula.

Acontece que o bebê que ela esperava ía nascer antes do meu e ela precisava de alguém para substituí-la nas aulas.

Coincidentemente, na época eu também estava dando aula.

Então, a diretora da escola fez um bem bolado e me convidou para substitui-la por alguns meses, enquanto meu bebê não nascia.

E nós acabamos ficando amigas.

Eu adorava a A.

Ela era mineira, querida, interessante, leve, diferente. Ela era mais velha que eu.

Era tão bom estar em sua companhia.

Eu ía na casa dela, ela vinha na minha; a gente ía andar na Lagoa toda terça e quinta às 17h; a gente tomava uma cervejinha no antigo Zin Bar, do extinto Shopping Jaraguá na Av. Brasil… E a gente conversava. Sobre coisas. Sobre nossas vidas, nossas famílias, nossos filhos, nossas vontades, nossos problemas, nossas qualidades, nossos defeitos.

Eu sei que já escrevi isso, mas quero escrever de novo, eu adorava a A.

Foi por causa dela que conheci o alho poró e a cerveja Xingu.

Um dia aconteceu uma coisa muito chata na vida dela e, por algum motivo que eu até hoje não sei qual foi, a gente se afastou. Eu tentei, mas não consegui alcança-la. Ela procurou outras amigas, acho que amigas de mais tempo que eu, ou mais velhas que eu, ou que tinham passado pelo que ela estava passando. E eu não pude compartilhar da sua dor. Ela foi sumindo no horizonte, como o sol poente: mesmo que a gente corra o mais rápido que conseguir atrás dele, ele ainda vai se por e a noite vai nos engolir.

E um tempo depois ela se mudou. Foi embora para longe. E eu fiquei aqui, desolada, abandonada. Fiquei com saudades. Com muitas saudades.

Ninguém jamais tampou o buraco que ela deixou.

Ela está no meu facebook. Eu tentei me comunicar com ela. Mas só encontrei o silêncio.

De vez em quando ela se comunica comigo. Mas só quando ela quer.

Por que será?

Eu sei porque. Porque ela é diferente. Ela é mineira, ela é querida, ela é leve, ela é interessante. Ela é mais velha que eu. E eu gosto muito dela.

Morro de saudades da minha amiga A. Minha amiga muito querida.

E eu ainda vou andar na Lagoa.