Sobre Somar e Dividir

4 irmãos
Nós 4.

 

Esse domingo que passou foi o último dia das ‘férias dos primos’, que começaram em 13/12/2014, com a chegada da minha irmã e família vindas dos States.

Meus pais receberam meus três irmãos com o genro e as noras, nove dos onze netos (só faltaram meus dois mais velhos) e mais três amiguinhas das minhas sobrinhas. Há praticamente 40 dias que meus filhos mais novos se mudaram para a casa deles para se juntar à folia que rolou por lá durante esse último mês.

A casa ficou cheia e alegre e a criançada se divertiu a beça. Todos os quartos estavam lotados e houve noites que meus pais dormiram na sala para acomodar melhor hóspedes tão bem-vindos, queridos e especiais.

E domingo foi o dia da despedida. Despedida nunca é legal, mesmo quando não vai durar muito ou quando quem parte está indo ser feliz. A separação é que é dolorosa. E nesse caso em especial, depois de 40 dias com a casa lotada e barulhenta, o silêncio e o espaço ficam mais evidentes para todos, quem vai e quem fica.

No domingo a noite, um pouco antes das despedidas, meu pai resolveu promover um sorteio entre todas as crianças que passaram por sua casa durante as férias – inclusive as que já não estavam mais por lá – e também meus irmãos e eu. Juntou seus trocados e colocou em envelopes com dizeres carinhosos. Cada envelope tinha um valor um pouco diferente do anterior e o prêmio ía aumentando gradualmente. Todas as crianças terminaram a brincadeira com um dinheirinho.

Então chegou a hora dos últimos 4 prêmios, que tinham sido reservados para mim e meus irmãos.

Tenho 2 irmãos e 1 irmã.

A história de hoje é sobre meus dois irmãos homens.

Nessa noite de domingo, apenas um deles ainda estava em Campinas conosco e foi com ele que participei do sorteio.

Como estava dizendo, tinham sobrado 4 prêmios e 4 papéis com nossos 4 nomes. Cada envelope, segundo a brincadeira, tinha uma quantia um pouco maior do que a anterior, ou seja, o 1º prêmio era maior que o 2º, que era maior que o 3º, que era maior que o 4º.

E eu, preocupada só comigo mesma, cheguei na sala achando uma maravilha ganhar um dinheirinho extra e torcendo para ficar com o primeiro e maior prêmio, totalmente absorvida pela vontade de ser a escolhida, a favorecida pela sorte.

Mas acontece que, enquanto eu estava mergulhada nesses pensamentos mesquinhos, meu irmão sorteou o primeiro nome e, antes de abrir o papel, me fez uma proposta que me trouxe de volta lá do mundo dos egoístas e gananciosos: ‘E aí, Ti, a gente soma e divide, han?’

_Ok! Claro! (e, caramba, como foi que eu não pensei nisso também???)

Pois o nome que estava escrito naquele papelzinho era justamente o meu. Recebi o 4º prêmio. Meu irmão ficou com o 2º. E sabe o que fizemos? Somamos e dividimos… só que não, porque os valores que estavam dentro dos dois envelopes eram iguais! (Como acho que também eram os dos outros 2 envelopes. Pegadinha do Paulão.)

E essa situação me fez lembrar um Natal, há vários anos atrás, em que meu outro irmão nos surpreendeu dividindo com nós três um dinheirinho extra que ele havia ganhado. Assim. Por nada. Porque sim. Ele já era casado. E já tinha seus dois filhinhos. E dividiu com a gente também.

Olhando lá para trás na vida de nós quatro, consigo encontrar as raízes desses nobres comportamentos dos quais fui testemunha. Aprendemos a dividir dentro de casa, na convivência com nossos pais, através de seus exemplos. O ‘somar e dividir’ já acontecia quando éramos crianças e ganhávamos presentes ou dinheiro de terceiros. Crescemos praticando o compartilhar, o olhar para o outro, o preferir o ganha-ganha.

Gentileza gera gentileza, já dizia o poeta.

Dessa vez foi meu irmão que tirou o maior prêmio (embora tenha sido igual ao meu). Da próxima vez posso ser eu. E nós vamos somar e dividir de novo.

A sementinha que foi plantada lá atrás cresceu e floresceu. E nós, que somos pais, temos que nos lembrar de plantar essas sementes nos corações dos nosso filhos também. Um dia, lá na frente, vamos ter os olhos cheios de mar ao vermos as flores que nasceram das sementes que plantamos.

Obrigada, irmãos, por me lembrarem ❤

E você, que sementes germinaram em seu coração e deram flores que você é capaz de oferecer?

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Adeus Ano Velho

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Junto com o ano que nasce, sempre vem um delicioso e renovado otimismo e desejos de mudanças. E, embora eu tenha acompanhado uma variedade de posts resumindo o ano que se foi e planejando o ano que entra, confesso que tive certa dificuldade para me convencer a dedicar um tempo para encarar o meu 2014 de frente, em toda sua grandiosidade, agora que se foi.

2014 foi um ano de muitas mudanças em minha vida. Mudanças importantes, nem sempre escolhidas voluntariamente, que me fizeram queimar sonhos e sair da zona de conforto para encarar meus medos e descobrir meu potencial. E eu juntei toda minha coragem, toda minha força, arranquei lá do fundo da alma e consegui dizer os nãos que precisava. Soltei as amarras, abri minhas asas e saí a voar feito passarinho novo.

Olhando para o longo ano que se foi, daqui de onde estou agora vejo que nem tudo que planejei se concretizou. Ao mesmo tempo, percebo o quanto cresci e realizei, ainda que sem querer.

A vida sorriu para mim em 2014. Um sorriso assim, meio torto e sarcástico, mas com a boca bem grande e larga, de orelha a orelha, cheia de dentes e fazendo graça. E eu sorri de volta, cada vez mais, até conseguir gargalhar de prazer ou de dor.

Em 2014 aprendi algumas coisas na marra. Aprendi que há amigos e amigos; que é preciso saber dizer não e praticar isso todos os dias para não perder a mão; que meus sonhos estão acima dos sonhos de outros; que, às vezes, precisamos dar um passo atrás para poder dar todos os que queremos à frente. Já sabia, mas aprendi na prática, que os filhos crescem e saem do ninho e que família é a coisa mais importante do mundo ao lado dos amigos de verdade. Também aprendi que fazer tudo ‘direitinho’ nem sempre dá o melhor resultado e que às vezes é preciso arriscar e quebrar regras e tabus para poder ser. E me parece que agora estou sendo um pouco mais do que antes.

Diante dos desafios que encarei no ano que passou redescobri em mim qualidades adormecidas e talentos esquecidos. Um delicioso trabalho de autoconhecimento e reconhecimento. Comecei assim e saí ‘assado’, mais viva do que nunca, com otimismo renovado e a alma lavada, limpinha, novinha em folha.

Que venha 2015 e que seja rico, em todos os sentidos.

‘Quem tem sonhos-semente pra cultivar, não consegue só arar sonhos alheios…tem muita flor pra brotar dentro de nós, nascemos pra germinar….outros nascem pra adubar…’   Nina Rocha

Gostaria de saber sobre o seu ano também. Como foi 2014 para você? O que aprendeu? O que descobriu? O quanto cresceu? Compartilhe comigo suas descobertas, é tão bom aprender com as experiências alheias 😀

Do que planejei para 2014, veja o que realizei e o que ainda não:

  • correr uma meia maratona: infelizmente não consegui, embora tenha feito os treinos, me inscrito na prova e viajado até o Rio para correr. Na sexta-feira que antecedeu o domingo da prova fui acometida por uma sinusite cavalar que me deixou de cama, com febre, calafrios e dor de ouvido. Há décadas que não tinha nada assim. Fiquei triste, mas aproveitei a viagem (do jeito que pude) para namorar.
  • escrever meu primeiro livro: esse foi boicote total. Não escrevi. Nem o livro, nem o tanto que gostaria de ter escrito durante o ano. Amo escrever. Me inscrevi no NaNoWriMo, mas estava viajando de 1 a 10/11 e quando voltei ainda demorei para começar. Comecei, mas não continuei. Me boicotei mesmo, na cara dura. Mesmo assim, percebi que sou capaz e esse ainda é um objetivo para 2015.
  • fazer mais de 100 posts no meu blog: não fiz. Nem cheguei perto. Meus posts se resumiram a 27 publicados. Mas estou super contente por ter, enfim, começado o blog. Adoro a carinha dele e me divirto publicando, escolhendo as fotos, lendo os comentários, acompanhando outros blogs. Esse também é um objetivo para 2015.
  • produzir, pelo menos, 28 trabalhos de artes plásticas: consegui! E me superei, contei 30 trabalhos!!! Que fantástico! Para 2015 esse número já ficou muito modesto e vou ampliá-lo. Agora que reencontrei os caminhos que levam minhas emoções às minhas mãos, quero trilhá-los cada vez com mais propriedade.
  • treinar musculação ao menos 1 vez por semana: sim. Ainda que tenha falhado uma ou outra semana por motivos de viagem ou saúde, considero esse objetivo cumprido, pois passou a fazer parte da minha rotina. Tenho um horário na terça-feira de manhã reservado para isso. Vou manter assim para 2015.
  • diminuir a quantidade de coisas desnecessárias que possuo: comecei, mas ainda não estou satisfeita com o nível que atingi. Ainda posso melhorar muito. Esse objetivo ainda está valendo.
  • encontrar uma nova ocupação profissional e trabalhar para mim mesma: essa, com certeza, foi minha maior conquista no ano que passou. A maior e mais difícil também. Ainda estou engatinhando, mas estou apenas no começo. Tenho um futuro brilhante pela frente e a liberdade que essa escolha me dá não tem tamanho nem dinheiro que pague. Muito feliz!!!
  • resolver minha vida financeira e ser QUASE independente: na verdade, minha vida financeira esse ano variou muito. Algumas iniciativas que havia tomado no início do ano, como fazer uma reserva financeira para usar com férias e presentes de final de ano, acabaram tendo que ser direcionadas para outros fins. Mas não tenho dívidas e meu último mês de 2014 rendeu mais que qualquer outro que tive enquanto tinha um ‘emprego’. Estou no caminho certo!
  • ter uma vida mais simples: ainda caminhando nesse sentido.
  • ter um relacionamento afetivo cada vez mais gostoso: como esse objetivo não tem um ponto final, pois trata-se de ir melhorando e aperfeiçoando o tempo todo, não dá pra dizer que conluí (nem quero, rsrsrs). Casamento é coisa que se constroi no dia-a-dia, todas as manhãs, juntos. Acho que ainda dá para melhorarmos muito, mas 2014 foi muito bom para nós. Conversamos bastante, viajamos a dois, compartilhamos nossos sonhos, planos e dores, fomos companheiros e amigos, ouvimos o outro, estivemos lá e seguramos a barra e a mão, abraçamos e beijamos, brigamos um pouquinho também, mas o mais importante, continuamos escolhendo um ao outro. O Mau foi uma das pessoas mais importantes nesse ano que passou. Esteve ao meu lado nos momento bons e ruins e me ajudou a ver quem eu sou.
  • começar um treinamento com foco em endurance e correr uma prova deste tipo em 2015: não fiz. Tenho muita vontade de correr provas de endurance, mas ainda não sei se estou preparada. Vou repensar esse objetivo.

2014 foi um bom ano. Aprendi muito sobre mim mesma e sobre a vida e fiz algumas grandes e importantes mudanças. Estou super motivada para continuar crescendo e me reinventando em 2015!