Sobre Confiar e Entregar – Uma Fábula

Sobre confiar
Crédito da Foto: Tina Zani

 

O sonho é a semente.

Toda semente contém, em si, todos os códigos pra gerar seus frutos.

Se quero ter maracujás, morangos, jabuticabas, tomates e laranjas em meu quintal, planto as sementes certas em terra fértil e sei que elas vão germinar.

A Natureza é sábia.

Não adianta ficar ansiosa, querendo colher as laranjas, maracujás, jabuticabas, morangos e tomates no dia seguinte.

Também não adianta cutucar o solo uma semana depois porque nenhuma planta apareceu, matando, sem querer e por afobação, o brotinho que estava escondido e se desenvolvendo embaixo da terra.

Na verdade, o que me cabe é escolher muito bem as sementes, preparar a terra e plantar.

Depois, regar quando a terra estiver seca, dar banhos de sol, tirar as ervas daninhas, combater as pragas.

Cercar e proteger o terreno, se perceber que este está sendo invadido.

Dar carinho e atenção e também alguma conversinha.

Mas não cabe a mim fazer o fruto nascer. Isso cabe à Natureza.

O fruto é a consequência natural de uma semente de boa qualidade, plantada em um solo fértil, com água e sol na medida e tempo suficiente para se desenvolver.

O fruto é o sonho realizado.

A mim, resta confiar e entregar.

 

 

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Sonho Semente E Semente de Sonho

Foto Tina Zani
Foto Tina Zani

 

Uso muita couve em casa.

Todas as manhãs, faço um suco de coisas boas misturadas com prána e coloco 2 folhas de couve para bater junto. Já compartilhei por aqui a receita.

Vão de 2 a 3 maços por semana. É bastante.

Então, resolvi plantar para ter sempre, sem precisar depender da compra semanal no varejão.

Comprei um saquinho de sementes, arrumei uma floreira, preparei a terra, fiz os buraquinhos e plantei várias sementinhas. Reguei e dei banhos de sol conforme as instruções do pacote. Dei carinho e atenção também e alguma conversinha.

Tirei a erva daninha que começou a povoar a terra.

Depois de várias semanas, um brotinho, pequeno e frágil, começou a despontar. Verdinho, verdinho.

Só um. Unzinho.

De todas as sementes que plantei, das várias que cuidei, reguei, incentivei e esperei, só uma vingou.

Nasceu assim, como quem não quer nada e foi aparecendo e abrindo os braços para o sol, cada vez maior, mais verde, mais robusto, mais forte.

Acho que os sonhos são assim também.

Precisamos ter muitos deles enfeitando nossas cabeças, nossos corações e nossas vidas.

Eles devem ser regados, alimentados, nutridos, iluminados pelo sol. Precisam ficar arejados e temos que conversar com eles todos os dias. Pensar neles. Vê-los com nossos olhos de dentro. Fazê-los sentir-se abraçados, desejados, cuidados.

Temos que afastar deles as palavras daninhas, os palpites de olhos gordos, para que não sufoquem e tenham espaço para crescer, se desenvolver e criar raízes fortes.

Temos que trabalhar neles e por eles.

Todos os dias. Todas as manhãs. Todas as noites. Sempre. Continuamente.

Um dia, um deles, unzinho, vai começar a sair do sonho pra virar vida de verdade.

O sonho é a semente.

Esperar Não É Saber

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Acabei de aceitar um desafio. Agora é a hora.

Comprometo-me a desenhar durante 10 a 15 minutos por dia em cada um dos 30 dias do mes de junho e, ao final do mes, reportar como foi minha experiência.

O desafio é uma proposta de um blog que sigo. Eu poderia escolher qualquer coisa… Escrever, aprender uma outra língua, um esporte ou um jogo.

Escolhi desenhar. Há tempos que tenho como projeto me dedicar mais à arte, especialmente ao desenho e à aquarela. Mas é um projeto que fica perdido e enroscado em um novelo de coisas outras que faço e nunca sai efetivamente da minha cabeça para o papel.

Hoje, 1 de junho de 2015, 22h56, farei meu primeiro desenho do desafio.

Comprometo-me, também, a escrever, durante esses 30 dias, um pequeno diário de como estou me saindo.

Começando já.

Estou empolgada!!!

 

Adeus Ano Velho

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Junto com o ano que nasce, sempre vem um delicioso e renovado otimismo e desejos de mudanças. E, embora eu tenha acompanhado uma variedade de posts resumindo o ano que se foi e planejando o ano que entra, confesso que tive certa dificuldade para me convencer a dedicar um tempo para encarar o meu 2014 de frente, em toda sua grandiosidade, agora que se foi.

2014 foi um ano de muitas mudanças em minha vida. Mudanças importantes, nem sempre escolhidas voluntariamente, que me fizeram queimar sonhos e sair da zona de conforto para encarar meus medos e descobrir meu potencial. E eu juntei toda minha coragem, toda minha força, arranquei lá do fundo da alma e consegui dizer os nãos que precisava. Soltei as amarras, abri minhas asas e saí a voar feito passarinho novo.

Olhando para o longo ano que se foi, daqui de onde estou agora vejo que nem tudo que planejei se concretizou. Ao mesmo tempo, percebo o quanto cresci e realizei, ainda que sem querer.

A vida sorriu para mim em 2014. Um sorriso assim, meio torto e sarcástico, mas com a boca bem grande e larga, de orelha a orelha, cheia de dentes e fazendo graça. E eu sorri de volta, cada vez mais, até conseguir gargalhar de prazer ou de dor.

Em 2014 aprendi algumas coisas na marra. Aprendi que há amigos e amigos; que é preciso saber dizer não e praticar isso todos os dias para não perder a mão; que meus sonhos estão acima dos sonhos de outros; que, às vezes, precisamos dar um passo atrás para poder dar todos os que queremos à frente. Já sabia, mas aprendi na prática, que os filhos crescem e saem do ninho e que família é a coisa mais importante do mundo ao lado dos amigos de verdade. Também aprendi que fazer tudo ‘direitinho’ nem sempre dá o melhor resultado e que às vezes é preciso arriscar e quebrar regras e tabus para poder ser. E me parece que agora estou sendo um pouco mais do que antes.

Diante dos desafios que encarei no ano que passou redescobri em mim qualidades adormecidas e talentos esquecidos. Um delicioso trabalho de autoconhecimento e reconhecimento. Comecei assim e saí ‘assado’, mais viva do que nunca, com otimismo renovado e a alma lavada, limpinha, novinha em folha.

Que venha 2015 e que seja rico, em todos os sentidos.

‘Quem tem sonhos-semente pra cultivar, não consegue só arar sonhos alheios…tem muita flor pra brotar dentro de nós, nascemos pra germinar….outros nascem pra adubar…’   Nina Rocha

Gostaria de saber sobre o seu ano também. Como foi 2014 para você? O que aprendeu? O que descobriu? O quanto cresceu? Compartilhe comigo suas descobertas, é tão bom aprender com as experiências alheias 😀

Do que planejei para 2014, veja o que realizei e o que ainda não:

  • correr uma meia maratona: infelizmente não consegui, embora tenha feito os treinos, me inscrito na prova e viajado até o Rio para correr. Na sexta-feira que antecedeu o domingo da prova fui acometida por uma sinusite cavalar que me deixou de cama, com febre, calafrios e dor de ouvido. Há décadas que não tinha nada assim. Fiquei triste, mas aproveitei a viagem (do jeito que pude) para namorar.
  • escrever meu primeiro livro: esse foi boicote total. Não escrevi. Nem o livro, nem o tanto que gostaria de ter escrito durante o ano. Amo escrever. Me inscrevi no NaNoWriMo, mas estava viajando de 1 a 10/11 e quando voltei ainda demorei para começar. Comecei, mas não continuei. Me boicotei mesmo, na cara dura. Mesmo assim, percebi que sou capaz e esse ainda é um objetivo para 2015.
  • fazer mais de 100 posts no meu blog: não fiz. Nem cheguei perto. Meus posts se resumiram a 27 publicados. Mas estou super contente por ter, enfim, começado o blog. Adoro a carinha dele e me divirto publicando, escolhendo as fotos, lendo os comentários, acompanhando outros blogs. Esse também é um objetivo para 2015.
  • produzir, pelo menos, 28 trabalhos de artes plásticas: consegui! E me superei, contei 30 trabalhos!!! Que fantástico! Para 2015 esse número já ficou muito modesto e vou ampliá-lo. Agora que reencontrei os caminhos que levam minhas emoções às minhas mãos, quero trilhá-los cada vez com mais propriedade.
  • treinar musculação ao menos 1 vez por semana: sim. Ainda que tenha falhado uma ou outra semana por motivos de viagem ou saúde, considero esse objetivo cumprido, pois passou a fazer parte da minha rotina. Tenho um horário na terça-feira de manhã reservado para isso. Vou manter assim para 2015.
  • diminuir a quantidade de coisas desnecessárias que possuo: comecei, mas ainda não estou satisfeita com o nível que atingi. Ainda posso melhorar muito. Esse objetivo ainda está valendo.
  • encontrar uma nova ocupação profissional e trabalhar para mim mesma: essa, com certeza, foi minha maior conquista no ano que passou. A maior e mais difícil também. Ainda estou engatinhando, mas estou apenas no começo. Tenho um futuro brilhante pela frente e a liberdade que essa escolha me dá não tem tamanho nem dinheiro que pague. Muito feliz!!!
  • resolver minha vida financeira e ser QUASE independente: na verdade, minha vida financeira esse ano variou muito. Algumas iniciativas que havia tomado no início do ano, como fazer uma reserva financeira para usar com férias e presentes de final de ano, acabaram tendo que ser direcionadas para outros fins. Mas não tenho dívidas e meu último mês de 2014 rendeu mais que qualquer outro que tive enquanto tinha um ‘emprego’. Estou no caminho certo!
  • ter uma vida mais simples: ainda caminhando nesse sentido.
  • ter um relacionamento afetivo cada vez mais gostoso: como esse objetivo não tem um ponto final, pois trata-se de ir melhorando e aperfeiçoando o tempo todo, não dá pra dizer que conluí (nem quero, rsrsrs). Casamento é coisa que se constroi no dia-a-dia, todas as manhãs, juntos. Acho que ainda dá para melhorarmos muito, mas 2014 foi muito bom para nós. Conversamos bastante, viajamos a dois, compartilhamos nossos sonhos, planos e dores, fomos companheiros e amigos, ouvimos o outro, estivemos lá e seguramos a barra e a mão, abraçamos e beijamos, brigamos um pouquinho também, mas o mais importante, continuamos escolhendo um ao outro. O Mau foi uma das pessoas mais importantes nesse ano que passou. Esteve ao meu lado nos momento bons e ruins e me ajudou a ver quem eu sou.
  • começar um treinamento com foco em endurance e correr uma prova deste tipo em 2015: não fiz. Tenho muita vontade de correr provas de endurance, mas ainda não sei se estou preparada. Vou repensar esse objetivo.

2014 foi um bom ano. Aprendi muito sobre mim mesma e sobre a vida e fiz algumas grandes e importantes mudanças. Estou super motivada para continuar crescendo e me reinventando em 2015!

 

O Dia em Que Queimei um Sonho Meu

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Fotos de Tina Zani

Foi ontem. E hoje também.

Porque eram muitos… 1100 cartões de visita, com meu nome escrito, que não tive tempo de usar. Porque quando ficaram prontos e chegaram até minhas mãos, eu já tinha saído.

Não porque tinha planejado sair. Por susto. Por puro susto.

1100 pequenos pedaços de papel, bonitos, lindos, bem feitos, caros, com meu nome escrito… Demoraram dois dias para virar cinzas. Demoraram 6 meses para sair de mim.

Foi um sonho, uma ilusão. Daqueles que a gente vive de verdade, se entrega, se enxerga no futuro. Sonho do tipo que se quer arrastar todo mundo junto pra ele, se mistura, se funde, se liquefaz.

Todo mundo tem um sonho secreto, que alimenta escondidinho, que não conta pra ninguém, que torce pra virar realidade um dia.

O meu sonho queimado era público, conhecido de todos e de muitos, espalhado, esparramado por onde passei, a céu aberto, em carne viva, sentido em todos os meus poros. Era um sonho que contei e mostrei. Eu acreditei.

Abandoná-lo no meio do caminho partiu meu coração. Deixá-lo para trás secou minha garganta, oprimiu meus pulmões, obstruiu minhas narinas, sufocou minha voz e derramou pelos meus olhos… dias sem fim.

Foi um parto, de emergência. Um aborto não espontâneo de um bebê sem futuro. Por necessidade. Para salvar minha vida.

Doeu. Cortou. Rasgou. Sangrou.

Expôs minha raiva, que eu nem sabia que tinha. Me obrigou a encarar meu lado mais obscuro de fera ferida. Encolhida mostrando as garras, os dentes, a saliva. A alma explodindo pelos olhos de medo. O corpo todo sacudindo e tremendo, com frio e calor ao mesmo tempo. Suor. Lágrimas.

Um sonho que sonhei, mas que não era para mim. Era um sonho para outro alguém, para muitos outros alguéns, mas não era para mim.

E, então, eu o queimei. Joguei na lareira e taquei fogo, pedacinho por pedacinho, até o fim. Cauterizei a ferida.

Desse sonho queimado não guardei nem as cinzas. Só a certeza de que era um sonho bonito, mas no coração errado.

Já acabou…  Agora está tudo bem.