Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

Fazer o que se ama todos os dias e amar o que se faz… Leve e alegre.

 

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Na Beira Do Ninho

Foto e trabalho de Tina Zani
Foto e trabalho de Tina Zani

 

E este é o meu primeiro trabalho da série Aprendendo a Voar. Chama-se Na Beira do Ninho.

Ele aconteceu de forma tão expontânea e gostosa que até eu fiquei espantada.

Saiu facinho, fluindo pelos braços, pelas mãos e pelas pontas dos dedos. Virou cor e traços, ausências e presenças, preenchimento e vazio, curvas, caracóis, espirais… Eu.

Um anseio da minha alma. Ahhhh… há quanto tempo eu almejava isso.

Foi só um clique na minha cabeça e, de repente, eu entendi. Fiquei fascinada.

Bastou olhar a mesma coisa por outro ponto de vista.

O material é o mesmo: lápis de cor, grafite, caneta nanquim e papel. Mas o assunto é sincero e legítimo. É um espelho de mim mesma, de toda ordem e confusão que habitam meu ser. Um caos que é belo, que eu amo e que, embora caos, é harmônico e alegre.

Ontem contei que minha amiga me apresentou a obra da Marcia de Moraes. Mas não contei que, também ontem, juntamos todos os nossos trabalhos de 1-2 anos, penduramos na parede em ordem cronológica e os observamos.

Olhar pra tudo o que produzi nesse período, organizado lado a lado, me permitiu ver minha obra de uma perspectiva que não tenho quando estou debruçada sobre um trabalho de cada vez. Fui capaz de perceber os traços que se repetem e as cores que gosto mais, mas mais importante que isso, fui capaz de me enchergar no todo, me autoconhecer e, assim, me entender melhor para valorizar ainda mais as qualidades que tenho.

Penso que, na vida, também devemos ter esse olhar para as coisas.

De vez em quando, precisamos parar e olhar de outra forma as experiências que vivemos, em perspectiva, para conhecermos nossas tendências, nossos comportamentos repetitivos, nossas qualidades e pontos fracos.

E, assim, poder abrir um leque de novas oportunidades para pintar nossos dias com outras cores e de outro jeito.

 

A Incrível Arte de Escolher Bem

Foto de Tina Zani
Foto de Tina Zani

 

 

Tem coisas que acho tão difíceis de decidir…

São coisas boas pra mim ao mesmo tempo que não são. Sabe?

Situações de possível crescimento pessoal, profissional e econômico, mas que chegam em uma hora em que não pedimos, não quisemos, não esperamos mais.

Simplesmente aparecem assim, do nada, na nossa frente, e nos obrigam a escolher.

Normalmente, são relacionadas a assuntos nos quais não estamos mais focadas. Já partimos pra outro, por opção ou decepção, e deixamos aquele para trás. E, de repente, ele volta e nos tenta. Nos atormenta com promessas interessantes que teriam sido muito mais bem vindas no tempo em que aquele sonho parecia belo e possível.

Fico pensando se isso acontece pra testar nosso foco, nossa capacidade de dizer não e seguir em frente, de cabeça e coração totalmente apaixonados pelo novo caminho, ou se é pra agregar e colaborar financeiramente enquanto o tal novo caminho ainda não dá os frutos esperados.

Fico dividida.

Ao mesmo tempo que penso em dizer não, quero o dinheiro que ele pode me proporcionar. E quando considero dizer sim, me sinto vendida e desviada de mim mesma.

E, se por acaso tomo uma posição e escolho levar adiante, com unhas e dentes, o novo caminho que escolhi, me falta a coragem para negar a tentadora oportunidade.

Ahhh… Que impasse.

 

27 de maio de todos os anos

Foto dos meus pais
Foto dos meus pais

 

Hoje é um dia muito especial e eu estou tão, tão feliz!

Estou feliz por estar viva. Feliz por ter uma família querida. Feliz por ter amigos tão especiais. E, novamente, feliz por estar viva e sentir a vida pulsando em meu corpo.

O céu hoje amanheceu mais azul, o sol apareceu mais dourado, o ar está mais fresco e até os ipês cor de rosa floresceram.

Adoro fazer aniversário.

Meus pais devem ter gostado muito quando nasci pois todo ano, nesse mesmo dia, uma alegria enorme transborda de mim para o mundo. Isso só pode ter vindo deles e deve ter ficado gravado nas minhas lembranças inconscientes. Uma deliciosa sensação de ser bem vinda.

Acho que o dia do aniversário tinha que ser bem comprido. Tinha que durar pra sempre.

Me sinto grande. Me sinto expandindo e desabrochando como flor de girassol. Me sinto muito feliz.

Um brinde à vida, ao céu, ao mar, ao amor, aos amigos do coração.

Desejo um dia brilhante e completamente alegre a todos vocês, meus filhinhos queridos, meu marido amado, meus pais e irmãos, meus amigos que tanto estimo.

A Pedra dos Amigos

Foto de Maria Fernanda
Foto de Maria Fernanda

 

Tenho um amigo que tem um sítio. Fica na sinuosa serra de Taubaté.

Um lugar onde se chega ao céu antes de morrer – palavras da mãe dele, que é uma pessoa muito especial.

De dia o céu é um azul profundo. De noite, é escuro como breu, com todas as estrelas do universo nos espiando feito pipoca derramada. Tem brisa, tem bruma, ter ar de verdade.

No sítio passa um rio e no meio do rio há uma pedra. A Pedra dos Amigos.

Nesse último final de semana, tive o privilégio de passar três dias lá e arrastar meus filhos comigo. Eles não queriam ir, mas eu fiz questão que fossem. Acabaram indo arrastados mesmo.

Conheceram São Luis do Paraitinga e a igreja que foi destruída pela força das águas, se reuniram em volta da lareira que teimava em não se acender, fizeram trilha na mata atlântica, tomaram banho de cachoeira, nadaram no rio e se encontraram na Pedra dos Amigos – carinhosamente denominada Ilha dos Caras pelos que os precederam. Sem energia elétrica. Sem ipad, ipod, iphone. Sem internet nem telefone.

Um final de semana bem diferente dos outros.

Eles adoraram!

É muito comum fazermos sempre as mesmas coisas, com as mesmas pessoas, do mesmo jeito.

Acreditar que ter uma vida social próspera significa sair todas as noites e almoçar fora todo final de semana é um pensamento muito medíocre.

Uma vida social digna de um ser humano feliz envolve desafios. Fazer coisas diferentes com pessoas diferentes ou coisas diferentes com as pessoas de sempre ou, até,  coisas de sempre, mas com pessoas diferentes.

Quando nos abrimos para o novo, exercitamos a nossa juventude.

Ficamos velhos quando insistimos em repetir o que já sabemos de cor. O mesmo comportamento empoeirado, a mesma ladainha desgastada de tanto uso, o mesmo pensamento embolorado.

A vida é um movimento contínuo e belo, no qual nada permanece igual. Quando estamos vivos, abrimos as janelas e deixamos o sol entrar. Arejamos.

Quem está parado já morreu.